Mesmo sob estado de incerteza e apreensão, os comerciantes dos dois principais municípios da 18ª Regional de Saúde, Bandeirantes e Cornélio Procópio, estão mantendo abertas as portas dos seus negócios desde a segunda-feira (06). O Decreto 4.942 do Governo do Estado suspende as atividades consideradas não essenciais com objetivo de controle mais rígidos da circulação de pessoas e de funcionamento de atividades econômicas em municípios que compõem sete Regionais da Saúde, área que compreende 134 cidades, dentre elas Bandeirantes e Cornélio. O funcionamento do comércio de Bandeirantes está sendo conduzido mediante ao decreto municipal anterior, mesmo tendo sido suspenso pelo Poder Executivo, no horário das 11h às 17h. E em Cornélio, das 10h às 16h.

Empresários dos diversos segmentos comerciais em Bandeirantes, assim como seus funcionários, no sábado (04) à tarde se mobilizaram em frente ao banco da Caixa para uma manifestação pacífica e declararam a insatisfação da forma como foi imposto o Decreto 4.942. Os comerciantes expuseram que as autoridades estaduais não avaliaram a situação individual dos municípios referente a epidemiologia da Covid-19, observando apenas as estatísticas por Regional de Saúde. Deram como exemplo, a situação de Santo Antônio da Platina, que está inserida em outra regional, mas com o número de casos positivos de Coronavirus que em pouco dias atrás dobrou sobre os de Bandeirantes, que mantém controle desde o início da pandemia. De acordo com os lojistas, com o comércio de Santo Antônio da Platina aberto é atrativo para que os consumidores daqui sigam para lá, com risco desnecessário de trazer mais vírus para Bandeirantes.
O principal recado dado pelos empresários é o de reivindicar por aquilo que é justo, pois geram emprego, renda, pagam impostos e temem que, manter as portas fechadas por 15 dias ou mais, muitos correm perigo real de não poder abrir novamente. Desde o início da pandemia, segundo os comerciantes, buscaram seguir e investir em equipamentos de proteção, álcool 70°, tapetes, e todas as demais adequações necessárias conforme as normas e orientações das autoridades sanitárias. “Não é justo pagarmos mais esta conta”, lamentaram.
O comércio de Cornélio Procópio também confronta o decreto estadual, numa decisão tomada durante reunião realizada na manhã do sábado entre o prefeito Amin Hannouche, empresários, comerciantes e dirigentes da ACECP (Associação Comercial e Empresarial de Cornélio Procópio). Na segunda-feira (06), ato ecumênico e um novo apelo foi feito para o governador Carlos Massa Ratinho Junior para que reveja o decreto estadual. Comerciantes, comerciários, diretores da ACECP e demais lideranças do setor participaram da cerimônia.
MANIFESTO DA FACIAP – A FACIAP (Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná) com apoio das entidades representadas, integrantes do setor produtivo, está se manifestando contra as medidas restritivas às atividades econômicas contidas no Decreto 4942/20, de 30 de junho de 2020, assinado pelo governador do Estado do Paraná.
Em ofício encaminhado ao governador Ratinho Júnior e ao secretário de Saúde, Beto Preto, na manhã desta segunda-feira (06), a Faciap defende o respeito à autonomia dos municípios para a tomada de decisões sobre as medidas de enfrentamento à Covid-19, que, segundo o documento, deve ser sempre embasada em critérios técnicos da área da saúde conforme prevê a Lei Federal nº 13979/20 e de acordo com posicionamento atual do Ministério Público. Esta prerrogativa também está presente na Constituição Estadual, bem como em recente decisão do Supremo Tribunal Federal.
“Claro que defendemos em primeiro lugar a saúde e as vidas. Mas não podemos esquecer daqueles que geram empregos e passam por dificuldades para honrar seus compromissos justamente por conta da atual situação mundial”, afirma o presidente da Faciap, Marco Tadeu Barbosa, ao destacar que a Faciap defende medidas criteriosas que atendam às características e às especificidades locais e não prejudiquem a economia.
TRECHO DO MANIFESTO – Um trecho do manifesto encaminhado ao governo do Estado diz:
“É imprescindível destacar que o entendimento da Faciap é pela adoção de medidas de combate à Pandemia, com atenção à saúde das pessoas e à saúde das empresas. Pois, estas proporcionam condições de subsistência à sociedade gerando empregos e fazendo circular a economia. Para que seja possível a manutenção de empregos e do próprio Estado, é imprescindível a vitalidade das empresas para manutenção de salários e pagamento dos tributos”, diz o documento.
FAÇA SUA PARTE – Este manifesto fortalece a campanha que a Faciap lançou no último dia 22 de junho, denominada “Faça sua parte no combate ao coronavírus”, que defende os cuidados que cada um deve ter seguindo as orientações das autoridades de saúde. Para o idealizador da campanha e presidente da Faciap, Marco Tadeu Barbosa, “não deveria ser preciso esperar o governo editar decretos para contermos a propagação do coronavírus. Se cada um fizesse a sua parte a pandemia acabaria e a economia retomaria a seu curso normal’.




