
Foi nessa situação predita pelo poeta pátrio, que no último dia 22, na cidade de São Paulo, onde se encontrava hospitalizado, deixou nosso convívio esse piracicabano de alma tão bandeirantense quanto qualquer de nós aqui nascidos e que por sua fecunda e ativa vida, já de muito se tornara uma figura lendária e não só em Bandeirantes, como alhures.
O atípico e preocupante momento em que vivemos, face à pandemia que nos atinge, impediu que os milhares de amigos de Serafim Meneghel pudessem presencialmente pranteá-lo e lhe apresentar sua última despedida, posto que, por sábia, prudente e louvável decisão de Dona Carlota – sua companheira de toda uma vida – e de seus filhos Luiz, Serafim Jr. e Carla (cientes dos perigos de contágio numa grande aglomeração humana), seu corpo não foi exposto ao habitual velório. Esse fato, todavia, não mitigou a forte comoção que tomou conta dos milhares de amigos que Serafim deixou por todos os lugares em que viveu e atuou, eis que incontáveis são os casos em que sua ação proativa, fraterna e humanitária teve decisiva e preponderante significação na saúde, bem-estar, resgate social e um corolário de tantos outros benefícios na vida de muitas pessoas. Eu, modesto signatário desta singela homenagem póstuma, situo-me dentre esses milhares.
Homem que se autogarantia, de espírito indômito e voluntarioso, Serafim tinha a dureza e inflexibilidade do aço de boa têmpera na defesa dos seus direitos e ao mesmo tempo, era o acabado exemplo de lhaneza e fidalguia no trato com os menos favorecidos, com as damas e crianças. O trabalho tinha lugar de destaque no seu DNA, uma comum ocorrência nos descendentes do saudoso comendador patriarca do clã que os denomina.
Seu estilo de vida e proceder deram-lhe fama tanto no mundo empresarial, como usineiro, agricultor e pecuarista, quanto no esportivo, quando por 4 décadas comandou o glorioso União Bandeirante Futebol Clube (UMA de suas paixões), de De Sordi, Pescuma, Nondas, Tião Macalé, Paquito, Tião Abatiá e demais craques integrantes daquele temível e quase sempre invencível plantel.
Estas linhas, todavia, não se destinam a biografar o importante e finado amigo – embora muito conheça de sua atuação, pela honra de com ele ter trabalhado em várias situações. O que nelas deixo, são meus sentimentos e meus pêsames à Dona Carlota e aos seus três já nomeados filhos e filhos destes, rogando a Deus que os conforte na grande dor que estão sentindo pela irreparável perda que tiveram, crendo ser este o sentimento de todos quantos conviveram ou conheceram Serafim Meneghel, agora descansando em paz.
Walter de Oliveira, ex-funcionário da Usiban (1959/1962).



