Setor de eventos parado: “Muitos tiveram que fechar as portas, já que é impossível manter as contas, aluguel em dia, e sem trabalhar”, argumenta fotógrafo

Setor Esquecido

Fotógrafo premiado, Eduardo Neri diz que precisou se reinventar para sobreviver nesta pandemia

Por Regiane Romão

Desde o início da pandemia, em março de 2020, várias profissões têm sofrido com as restrições propostas pelos governantes. E um dos setores mais afetados, sem dúvida, foi o de festas e eventos. Tanto que, em nenhum dos decretos até hoje publicados não houve sequer qualquer tipo de flexibilização.

Devido aos altos índices e números de pessoas contagiadas com o novo Coronavírus, as aglomerações estão proibidas, porém, isso não tem impedido que algumas pessoas realizem festas clandestinas, e o pior, sem a menor fiscalização. E quando há, são impedidos de adentrar no local ou ameaçados.

A equipe de reportagem do jornal Folha do Norte Paranaense conversou recentemente com o fotógrafo bandeirantense Eduardo Neri. Assim como ele, muitos outros profissionais da área também têm sofrido com a situação, e ele relatou das dificuldades que tem enfrentado nesses mais de 500 dias de pandemia.

De acordo com Eduardo, que é fotógrafo profissional há cinco anos, o segmento de eventos e festas vem sendo um dos mais, ou senão o mais prejudicado desde o início do isolamento. “Uma família não pode realizar uma festa para 60 pessoas, mas um restaurante pode receber até 150 pessoas? ”, questiona. De acordo com Eduardo, mesmo com as restrições em vigor, ele consegue contratos e fazer alguns ensaios fotográficos, porém os buffets, as bandas, Dj’s, loja de decorações, estão paradas desde o início da pandemia. “Muitos tiveram que fechar as portas, já que é impossível manter as constas em dia, se manter e sem trabalhar”, argumenta.

O fotógrafo relatou que a sua vida antes da pandemia, ele fazia cerca de 30 eventos grandes por ano, e nos meses de dezembro e janeiro eram muitos trabalhos voltados para as formaturas de diversos cursos. “O ano de 2020 seria o meu melhor ano profissional. Eu teria três eventos internacionais e comecei ele com três prêmios internacionais, porém, veio a Covid-19, e daí o 2020 foi zero de eventos. Isso nos prejudicou muito”, contou desanimado.

Mesmo com a situação restrita e paralisação dos trabalhos no setor de eventos e festas, Eduardo desabafou que somente conseguiu se manter por conta das reservas financeiras que havia e graças, também, a sua esposa, que não é do mesmo ramo, mas pode segurar as pontas. “Eu tinha essa reserva. Contudo, muitos outros profissionais não tinham e, com a paralisação, muitos deles ficaram sem nenhuma renda. Há muitos casos em que a família toda trabalhava junto, estava desde sempre no mesmo setor. Conheço profissionais que abandonaram esta área que, para sobreviver, hoje estão na construção civil, entregas e serviços gerais. Estão se virando como podem”, acentuou.

APENAS NO PAPEL – Com premiações internacionais no currículo como fotógrafo, Eduardo Neri tinha planos de montar seu estúdio em 2020, porém, com o avanço da pandemia esse projeto ficou apenas no papel. Ele contou que durante todo este período pandêmico não houve qualquer apoio por parte dos órgãos governamentais junto aos profissionais de eventos. “Não tivemos apoio ou algum auxílio do município durante todo esse tempo. Nem verbas, nem isenções de taxas empresariais, ou até mesmo qualquer desconto nos impostos, visto que fomos impossibilitados de trabalhar pela lei, ou seja, realmente foi um setor esquecido pelas autoridades e sociedade”, decepcionou-se.

Na observação de Neri, é possível voltar a realizar eventos de maneira segura, desde que obedecendo os protocolos de segurança. “Como sempre frisei nos locais em que fomos e explanamos sobre o cenário do nosso setor nas emissoras de rádios da região, Comitê de Saúde, Secretaria de Saúde, Câmara Municipal e Gabinete do Prefeito: queremos trabalhar, como sempre, de forma responsável, com segurança, e acima de tudo, respeito as vidas que devem ser zeladas perante a pandemia. Jamais gostaríamos de trabalhar representando riscos para a sociedade”, defendeu e ressaltou que para isso foi elaborado um plano de contingência. “Elaboramos planos com extremo rigor, com regras e diretrizes a serem cumpridas para justamente levar segurança ao usuário, bem diferente do que estamos vendo em campos de futebol, eventos clandestinos, entre outros locais que não estão cumprindo regras, com suas dependências lotadas, todos sem máscara. Enfim, se nós estamos parados há mais um ano, porque locais que estão trabalhando de forma irregular descumprindo regras básicas também não estão fechados? ”, questionou.

Ainda indignado, Eduardo disse nas entrevistas e nos encontros que tem cobrado explicações das autoridades municipais sobre o ‘porquê’ de alguns conseguirem trabalhar e outros não. “Gostaria de algumas explicações junto ao Comitê, coerência nas decisões, como por exemplo: restaurantes funcionam com até 150 pessoas, e aniversários com 60 pessoas não pode. Futebol pode, e pista de dança nos casamentos não pode, mas lanchonetes lotadas. Recepção de um simples batizados não pode, mas mercados sem controle pode. Uma recepção de casamento, nem com controle, e filas de bancos cheias e sem controle; uma fila de buffet, nem com controle de regras podem, até mesmo no estilo à Francesa. Enfim, a nossa indignação, nem é pelo fato de poder ou não trabalhar; se não pode, tudo bem, mas essas outras coisas também não podem”, comparou.

Para finalizar, Eduardo disse que se pudesse pedir alguma coisa para as autoridades seria: “Coerência no que pode ou não abrir. Mesmo rigor aplicado ao setor de eventos deve ser a todos. Mais respeito as todos os profissionais do setor de eventos, pois tudo que fazemos é também essencial para a vida: colocar o pão sobre a mesa”, desabafou.

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