Artigo

Como jornalista, professor, historiador e doutorando em História, uma questão tem me provocado a pensar: qual o papel da história na construção da subjetividade humana, na afirmação de uma memória e da circularidade cultural de uma comunidade? A História Pública – minha tentativa de encontrar respostas – trata da escrita da história apresentada de forma acessível ao público. Mas, além da apresentação, também trata da inserção, do engajamento, da participação coletiva, destes atores sociais na organização das narrativas discursivas que fomentarão o teor histórico. Para o historiador Jurandir Malerba, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), “os historiadores não simplesmente divulgam o conhecimento para o público, mas devem trabalhar em conjunto com as pessoas comuns.

O passado seria reconhecido como o terreno social em constante mudança, e os historiadores e o público deveriam cooperar”. Neste sentido, este campo defende, então, a percepção do engajamento/envolvimento do público alvo no processo de pesquisa histórica e análise crítica social, refletindo sobre a importância do passado – e suas respectivas intervenções – na vida dos atores/ comunidade envolvidos. Mas, tudo isso, a partir de uma leitura de ecossistema comunicacional democrático. Na História Pública, defende-se o reconhecimento da produção coletiva do processo histórico, a partir das intersecções das culturas, identidades, memórias, experiências, construções.

A midiatização, o advento da internet e a democratização de acessos aos mecanismos informáticos teceram importantes paradigmas para a percepção histórica (inclusive a história do tempo presente, articulada pela instantaneidade destes mecanismos, e que exige coerência crítica/participação coletiva). Esta relação entre a História Pública e as novas formas de comunicação são muito importantes, pois ampliam a capacidade de dialogar e de refletir sobre a historicidade. Entender os fenômenos das mídias digitais é um dos aspectos norteadores a que se propõe este processo de pesquisa – atrelado ao universo da Comunicação Institucional Pública -. Processo, este, capaz de produzir um passado mais significativo e útil, marcado pela noção de “autoridade compartilhada”, já que podemos sugerir – sob o aporte da História Oral / História Pública -, que não há uma única autoridade, um único intérprete, um único autor-historiador. Podemos tecer este constructo em diálogo.

Afinal de contas, a História Pública é perspectiva epistêmica genuinamente dialógica, que pressupõe circularidade, construção conjunta, um fazer coletivo. Este espaço dialógico é o grande desafio desta área importante da História. Espero que, nestes breves encontros, aqui nesta coluna do jornal Folha do Norte –  a qual já direciono minha gratidão e homenageio pela disponibilização do espaço para a reflexão do universo científico -, possamos pensar sobre construtos sociais e os desafios contemporâneos. Gratidão!

 

Tiago Silvio Dedoné

Jornalista, Pedagogo e Historiador

Mestre em Gestão Educacional

Doutorando em História (UPF – RS)

Professor do Colégio ECEL (Bandeirantes) e Faculdade Dom Bosco (Cornélio Procópio)

E-mail: [email protected]

Instagram: @tiagodedone

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