Artigo
A construção desta escrita memorial coloca o sujeito frente a um espelho imaginário, instigando-o à lembranças, mobilizando um processo de descortinamento de sua subjetividade. É justamente por meio desta estrutura narrativa de si que o indivíduo vai reestruturando vínculos constituintes do seu modo de subjetivação. O sujeito que se propõe à docência tem sua historicidade presente no seu ato de missão. Observar como se constitui, como se forma e se constrói este “sujeito formador”, em uma aliança simbólica com a ação do professorar, é fundamental. É um processo carregado de afeto. Rubem Alves (2004, p. 35) já nos dizia: “Quando se admira um mestre, o coração dá ordens à inteligência para aprender as coisas que o mestre sabe. Saber o que ele sabe passa a ser uma forma de estar com ele. Aprendo porque amo, aprendo porque admiro”.
O professor media a aprendizagem pois é por meio da perpetuação do afeto acoplado à formulação didático-pedagógica que o aluno se sente parte constituinte deste processo de troca do saber e do pensar. A escrita desta memória, que também é parte da identidade e da experiencia do professor, contribui com a formulação de paradigmas. É instigante pensar que este sujeito, professor, na verdade é um conjunto de referências históricas, memoriais, que afetam a sua prática e a sua reflexão da prática.
Portanto, ao mobilizarem a construção de seus relatos experienciais – suas memórias –, os docentes vão tecendo uma conexão de significados para a expressão em uma narrativa, pautada na exposição e nos sentidos. É a formulação de uma tessitura inteligível. E, neste sentido, ele auxilia o seu aluno nesta mesma percepção de construção. Afinal de contas, uma sala de aula com 30 alunos, não pode ser observada de um ponto de vista meramente homogênea, linear. Os sujeitos, alí presentes, também são subjetivos, históricos, distintos, com experiências, particularidades, identidades múltiplas, em plena construção.
O professor é um conjunto de sujeitos imaginários distintos que se acoplam. É pai, mãe, avô e avó, pesquisador, filho, militante social, religioso ou não. É um ser multivocal inserido em diversas agências de socialização. Há muitos sentidos que abarcam a construção do “eu” professor. Mas, além disso, faz-se necessário destacar que a narrativa histórica do sujeito também é responsável pela construção do professor formador. Isso porque suas experiências são dotadas de saberes e, estas, são pedagógicas. Até a próxima!
Tiago Silvio Dedoné
Jornalista, Pedagogo, Mestre em Formação dos Gestores Educacionais
Doutorando em História (UPF)
Professor no Colégio ECEL (Bandeirantes) e na Faculdade Dom Bosco (Cornélio Procópio)
Instagram: @tiagodedone




