Artigo

Por Tiago Silvio Dedoné

A interface entre os campos da Comunicação e Educação, duas áreas do saber tão complementares e, ao mesmo tempo, tão antagônicas, tem despertado ao longo das últimas décadas uma gama de pesquisas e discussões acirradas acerca de suas respectivas interfaces e significativas contribuições no processo de construção do conhecimento. Estes campos possuem características específicas que, por si só, interessam a todas as demais atividades humanas.

Comunicação e educação se perpetuam interligadas, pois a informação é processada de várias formas, segundo o objetivo e o universo cultural do sujeito. Quanto mais a primeira se vale da segunda, melhor será o aporte de ambientes comunicativos e, portanto, mais eficazes serão as práticas educativas. O professor é um comunicador que precisa fazer uma interação, uma ponte, como forma de lidar com o conhecimento.

Não adianta o educador ser só um professor competente, numa área específica; tem que ser um competente comunicador de toda uma experiência de vida que vale a pena transmitir junto com aquele conteúdo programático específico. Entendendo um estágio no qual a comunidade escolar se configura como um local de constante criação e recriação da cultura, de um ambiente que concretize a troca social de sentidos e de valores – numa intersecção de identidades, histórias, memórias, experiências -, propondo paradigmas transversos, podemos averiguar que este processo só é possível graças aos resultados obtidos, por meio dos caminhos interlocutivos e dialógicos – os ecossistemas comunicacionais democráticos -.

Paulo Freire, Patrono da Educação Brasileira, e um dos autores da educação mais respeitados e citados no mundo, nos alerta que a educação é um ato coletivo, solidário, libertador, que não pode ser imposta, mas construída de forma que propicie uma relação dialógica, comunicativa e, em consequência, emancipadora. Neste aspecto, se invertem os papeis dos atores que compõem o cenário escolar e, todos, passam a confraternizarem-se, com seus conhecimentos, suas histórias, com suas perspectivas e dialogismo, formando o processo de construção do saber e do pensar.

Este campo de convergência caminha, na História da Educação, pelo Paradigma da Complexidade, sob o aporte das abordagens progressistas, da visão holística, do ensino com pesquisa, da transdisciplinaridade. Temas, estes, para o nosso próximo encontro. Até a próxima semana!

Tiago Silvio Dedoné 

Mestre em Formação de Gestores Educacionais; Jornalista e Pedagogo; Doutorando em Educação (PUC/PR); Doutorando em História (UPF/RS); Mestrando em História Pública (UNESPAR); Professor na Educação Básica (Colégio ECEL) e no Ensino Superior (Faculdade Dom Bosco)

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