Artigo
Por Tiago Silvio Dedoné
Na edição anterior eu teci, aqui nesta coluna, alguns aspectos que me provocam a pensar sobre o conceito de comunicação pública e institucional. Como minha experiência profissional está bastante calcada na comunicação política, me sinto instigado a rememorar visões e aprendizados que só o tempo nos proporciona. Antes de tudo eu preciso dizer que a Comunicação Pública é um bem social, coletivo, integrador e precisa estar atento a sua manifestação na história do tempo presente. Isso já vem de encontro com visões lineares estabelecidas por muitos políticos ou gestores públicos de que o profissional ou setor do campo precisaria estar a seu serviço em estratégias de marketing político pessoal. Na área pública, o sujeito que está gestor não pode redirecionar a ótica do compromisso histórico e social desta comunicação para o seu prazer e ambições.
Dito isso, faz-se necessário pensar sobre como se operacionaliza a comunicação. Ela utiliza-se, nestes espaços, de habilidades para que possa orquestrar planejamentos estratégicos de manifestação do fluxo das informações. São ferramentas diversas que podem auxiliar no processo dialógico entre o poder público (suas ideias e conceitos) e o povo (em suas múltiplas agências de socialização). Contribuições advindas das várias áreas da comunicação, como: a Publicidade, o Marketing, a Comunicação Institucional, o Jornalismo, a Relações Públicas, entre outras, que se fazem presentes para operacionalizar um enredo histórico e de participação de atores – oficiais ou não – na construção de um ecossistema comunicação aberto, rico, democrático, participativo, em um plano de gestão da comunicação pública.
Há sempre uma linha de tensões velada neste campo, pois esta área está bastante atrelada ao discurso e a produção do sentido, aos interesses e a construção da legitimação da memória local. Neste sentido, é um desafio instigante ser um gestor de comunicação pública e procurar desvencilhar-se destas armadilhas – por vezes muito ideológicas de construção de realidades -. A observação instigada é a de que a Comunicação Pública tem uma responsabilidade social em um espaço complexo de vaidades e interesses que se cruzam-se o tempo todo pavimentando estradas para a afirmação histórica. Por isso ela pode ser uma ruptura de paradigmas discursivos.
E, aqui, também faço uma observação experienciada: não é possível dissociar estes campos – Comunicação Política x Comunicação Pública – na totalidade. Estão internalizados. Mas é possível encontrar caminhos que na balança dos processos, possibilitem pesar ao encontro da missão pública nos espaços da comunicação institucional governamental, direcionando a ótica para o compromisso da democracia dialógica. As ferramentas, frutos das contribuições das diversas áreas da comunicação, não têm ideologias. Ferramentas são procedimentos ou mecanismos técnicos. Os processos, sim, carregam concepções ideológicas, subjetivas, de acordo com a intencionalidade e/ ou “ordem”.
Fazer comunicação em um espaço onde a conexão dialética do público e do político estão caminhando lado a lado não é um processo fácil, mas é muito instigante observar este fenômeno. Requer diplomacia, articulação, paciência, base tecnicista ampliada, um bom plano de gestão estratégico que convença os gestores políticos – que, nem sempre, têm a noção real do papel social da comunicação em órgãos públicos (pois, muitos, enxergam, nesta área, apenas o viés do marketing eleitoral). Para explicar este aspecto da interface comunicação e política é preciso enfatizar: Política é uma palavra com muitos significados, moradas e conceitos que circundam em torno de forças e poderes de muitos atores profissionais; de muitos agrupamentos sociais que tendenciam, periodicamente, por várias vertentes, numa luta flutuante e constante de valores e sentidos, marcando decisões de trajetórias (algumas, temporárias, por que governos têm tempos de vida determinados), numa busca intensa por fixar-se na história.
A política é um bailar constante de desejos contraditórios no espaço público, que materializa-se sob um manto de intenções, estratégias, ideologias, planos de ação e até uma intensa prospecção de gestão de afetos (em alguns casos, muito perigosos). Às vezes esconde uma insociável sociabilidade, por que este conflito dos desejos e expectativas é perene, é constante e é múltiplo. No universo do coletivo social do cenário político, não há espaço para o predomínio absoluto de todos os desejos, simultaneamente. Sempre há os que imperam, de acordo com os campos políticos do momento – progressistas ou conservadores, tradicionais ou inovadores, democráticos ou não muito. Mas é aí que consolida-se a necessidade da política como mediadora das tensões, intermediando a luta social da multivocalidade presente nos cenários, balanceando estas forças sociais – as representações sociais -, sob o aporte da garantia democrática, em torno de um bem comum. Continuamos no próximo encontro! Até lá!
Mestre em Formação de Gestores Educacionais; Jornalista e Pedagogo; Doutorando em Educação (PUC/PR); Doutorando em História (UPF/RS); Mestrando em História Pública (UNESPAR); Professor na Educação Básica (Colégio ECEL) e no Ensino Superior (Faculdade Dom Bosco)




