Artigo
Já parou para refletir sobre a importância de pensar a História do Tempo Presente? Para contextualizar, este campo de pesquisa foi criado pelo Institut d’Histoire du Temps Présent, como um campo de conhecimento, entre os anos de 1978 e 1980, na França, quando o CNRS – Centre National de la Recherche Scientifique passou a apoiar e investir, sob a liderança de um renomado pesquisador, Henry Rousso, os estudos sobre os quais tinham como princípio a história que ainda estava em curso. Claro que eu poderia estar tecendo, aqui, diversos caminhos desta pesquisa e expoentes envolvidos. Mas, devido ao curto espaço, não daria para nos aprofundar nesta edição. O que faremos, inclusive, em outras edições.
É necessário, então, perceber a dimensão deste campo para a investigação histórica, associando aos fenômenos que se apresentam e se desenvolvem na contemporaneidade, promovendo novas tessituras para a ciência do tempo, que se propusesse a pensar o “seu próprio tempo”, a intersecção do passado-presente. Eu fico, particularmente, bastante entusiasmado em pesquisar este campo, associado com a História Pública (meu objeto de pesquisa do mestrado e doutorado em História), pois há, de fato, uma circularidade de fluxos informacionais, de acontecimentos, de alterações nos paradigmas da história da humanidade, de mobilização de ecossistemas dialógicos (bastante amplificados pelas novas mídias), da participação (também) dos não historiadores na construção/reflexão do fato histórico.
A memória, o testemunho, a narrativa, os documentos (agora, com o advento destes novos recursos midiáticos, bastante diversos e instantâneos), o sujeito social é convidado a perceber, com uma leitura crítica ampliada, o seu próprio espaço (ou não espaço) no tempo presente. Penso ser muito importante analisarmos como estamos construindo o tempo, quais fenômenos estão intervindo na consolidação de novos pavimentos para a condução da humanidade. A pressão dos contemporâneos, a recolocação da verdade, o confronto com os testemunhos (dos que vivem ou viveram os fenômenos), potencializam o constructo histórico, possibilitando novo direcionamento de ótica, embora também possibilite leituras subjetivas de “verdades” ou “construções de realidades” que deturpem o tempo, viciando-o, manipulando-o. De toda forma, a história está em movimento, é pública e os atores sociais circundam os processos, construindo-a, refletindo e mobilizando-a, em novas bifurcações. Vale lembrar – e fica como provocação para a próxima edição -, que o testemunho (do historiador ou outro sujeito social) é marcado pelo seu envolvimento afetivo diante dos acontecimentos. Até a próxima!
Tiago Silvio Dedoné
Mestre em Formação de Gestores Educacionais; Jornalista e Pedagogo; Doutorando em Educação (PUC/PR); Doutorando em História (UPF/RS); Mestrando em História Pública (UNESPAR); Professor na Educação Básica (Colégio ECEL) e no Ensino Superior (Faculdade Dom Bosco)




