Pioneiro Antônio Francisco Matheus Júnior (foto cedida por seu filho Aldivar Matheus)

SEXAGÉSIMA OITAVA PARTE

Walter de Oliveira*

Retomando a nossa viagem no tempo e na história, como condutor desse imaginário comboio, atuamos, também, como cicerone dos participantes desta aventura. Apenas que, sendo ela imaginária, temos de nos valer, diversas vezes, de fatos e cenas que ficaram apenas em nossas lembranças; eis aí o motivo de aparecermos sempre como sua “testemunha ocular” e/ou protagonista. Por isso, ao mencionarmos os nomes de muitos pioneiros e pessoas com os quais convivemos (seja por trabalho, amizade ou fortuitamente), que iam de simples roceiros, oleiros e carpinteiros, a renomados médicos, juristas, magistrados, fazendeiros, e enfim, pessoas da mais alta representatividade, fazemos como se os estivéssemos vendo agora, tal a nitidez das lembranças que deles temos, por graça e mercê de nosso Criador. E ao cabo, todo trabalho memorialista, pouco mais será que a somatória de fagulhas de memórias, estejam essas gravadas, escritas em alguns registros ou nas lembranças de seus autores.

Voltando agora a listar os nossos pioneiros do povoado e cidade, nos anos de 1930/1950, por ramo de atividade, semana passada falávamos dos pioneiros em “serrarias” e mais especificamente de Paulo Ângelo da Silva, que com José Sorace, eram donos da serraria defronte ao templo da igreja Assembleia de Deus, na atual Avenida Prefeito Moacyr Castanho. Faltou falarmos sobre os familiares do pioneiro José Sorace, o que se torna desnecessário, posto já o termos feito no artigo de número 57 destes fragmentos, no ramo de “sapatarias”. Passamos então ao fechamento da listagem dos pioneiros no ramo de serrarias.

  1. f) Augusto Ragazzi. A serraria desse pioneiro era a mesma citada na letra anterior desta listagem, de cujos donos ele a comprou e foi o último a possuí-la. Foi depois de desativá-la e vender todo o seu complexo que Ragazzi passou a se dedicar ao trabalho de “motorista de praça”, conforme já registrado em nosso artigo de número 46 destes fragmentos, onde se acham também as menções sobre sua esposa e filhos.

Passemos agora à listagem dos pioneiros do ramo de “seguros”, restritos a apenas dois nomes no livro de Solano Medina, a saber: a) Benedito Bernardes de Oliveira, e b) Flávio Cioffi.

Sem demérito a uma tão importante atividade, como é a de “seguros”, não é a ela, contudo, que se deve creditar o prestígio e notoriedade dessas duas importantes figuras públicas da história aqui resgatada. Tanto para o pioneiro Bernardes quanto Cioffi, temos que essa atividade securitária tenha, quiçá, sido uma “experiência a mais” de vida. Dos feitos e famílias desses dois pioneiros, faremos constar em nosso trabalho de resgate histórico, no tópico “Galeria dos Vultos Eméritos do Município”.

Os registros seguintes, são também, e por ora, os registros dos dois últimos pioneiros por ramo de atividade. A ressalva é porque alguma nova informação (até a finalização do nosso livro em preparo), poderá ainda trazer novidades. Listaremos então a seguir, os pioneiros no ramo de “torrefação de café”.

  1. a) Antônio Francisco Matheus Júnior. Também conhecido por “Tonico da torrefação”, achamos importante e justo falar, ser esse pioneiro o progenitor dessa tão proeminente, atuante e estimada “Família Matheus” de nossa cidade. Procedente de Quatá – SP, o pioneiro Tonico Matheus veio para a região em 1929. Era menos que um adolescente e o povoado da Invernada acabara de ser elevado a distrito do município de Jacarezinho, com o nome de Bandeirantes. Com a chegada da estrada de ferro à região, o seu pai (em cuja companhia viera para cá), resolveu seguir para outra região ainda mais nova e ele, Tonico, foi morar e trabalhar com Manoel Marques Godinho, com quem criou laços familiares. Muitos anos decorridos, já com esposa e filhos, Matheus Júnior alçou o seu voo próprio, se estabelecendo no ramo de torrefação.

O “Café Apucarana”, nome do seu produto (e que ganharia fama e mercado) ficava situado do lado esquerdo da antiga rua Maranhão (atual Juvenal Mesquita), depois da Avenida Azarias Vieira de Rezende, indo para a ACEB, quase defronte à Oficina do Oda.

O início foi dos mais difíceis e desafiadores, a começar pelos dispositivos de torrefação e moagem, que eram os mais rudimentares. A entrega do produto então, nem se fala; o furgão, que muitos conheceram, levando o Café Apucarana para inúmeras cidades, viria muitos anos depois. Dessa época, a imagem que ficou gravada, era a do Tonico levando às costas uma enorme cesta cheia de embalagens de pó de café, que ele próprio torrara e moera na madrugada. Foram anos de luta e superação; muitos anos.

Pioneiro José de Souza Guerra e sua esposa Esther Maciel Guerra (foto álbum familiar).

Um dia, com a situação econômico-financeira já solidificada e filhos preparados para a vida, Tonico Matheus contraiu severo mal pulmonar (quiçá, em decorrência da própria e extenuante atividade), cuja debelação e restabelecimento exigiram um longo tratamento especializado e a definitiva paralização de sua mais que exitosa indústria. E à parte dessa emblemática história de vida, o pioneiro Tonico Matheus, mercê de sua maneira de ser e agir, fez e deixou uma invejável coleção de amigos, e o elegeu, ao lado de nomes como o José Buffo, Pedro Bellan, Francisco Teixeira Ribeiro, José Rossato e outros, como grande lutador em prol do Asilo São Vicente de Paulo. O pioneiro “Tonico da torrefação” foi casado com dona Adelaide Pedro Matheus (filha do pioneiro da Invernada, João Pedro) e o casal teve os filhos Ademar, Aldo, Adauto, Adázio, Aldivar, Alda e Adilson.

  1. b) José de Souza Guerra. Também conhecido por Juquinha Guerra, esse mineiro, vindo da cidade de Argirita, foi dono de uma das mais consumidas marcas de café da região Norte do estado: Café Garoto. Integrante de uma grande e conhecida irmandade, Juquinha foi pessoa de destacada atuação em várias outras atividades de Bandeirantes, como se fará menção em nossa obra de resgate histórico; mas no período dos pioneiros, atuou apenas na atividade da torrefação de café. O seu complexo industrial se situava à Avenida Bandeirantes, na altura do meio e do mesmo lado da quadra em que se acha a Loja Barbosa Materiais de Construção. Encerrada a atividade de torrefação, ele passou à atividade de distribuidor de bebidas (distribuidor exclusivo da Skol), mas já fora da época dos pioneiros. José de Souza Guerra foi casado com dona Esther Maciel Guerra e o casal teve os filhos Natália Maria, Helber e Leandro.

* Walter de Oliveira, 92, articulista desta Folha, é bandeirantense, nascido em 1932.

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