Prefeito Moacyr Castanho - Gestão 1964/1969 (fotografia obtida de acervo do SAAE, ao tempo em que ele implantou a sua rede adutora)

SÉTIMA PARTE

Walter de Oliveira*

Considerando este relato como se fosse uma viagem no tempo e na história, lembremos que o veículo usado nesse nosso “retorno ao passado”, é um trem de passageiros, puxado por uma locomotiva  “maria fumaça”, e que o espaço entre uma edição e outra se assemelharia às paradas nas várias estações do trajeto imaginário, durante o qual se vai dando vez (também na imaginação) a quantos ajudaram a construir a nossa história.

Como estamos falando das gestões e legislaturas do município de tempos pretéritos, iniciamos os “fragmentos” de hoje elencando aqueles que se sagraram vencedores no pleito de 1963.

  1. d) Eleições de 1963 – Prefeito: Moacyr Castanho. Procedente da região de Itapetininga/SP, e ainda jovem e solteiro, Moacyr Castanho aportou em Bandeirantes, que estava nos seus primeiros anos de emancipação política. Embora em sua terra de origem ele fosse um comerciantes de muares e equinos – o chamado “tropeiro”, Moacyr Castanho era um “gentleman” nato, o que ficou bastante patente na “boa acolhida” de que foi alvo e depois no contínuo e crescente número de amigos que foi fazendo, até ao ponto de se tornar uma pessoa cem por cento conhecida na cidade. E para isso – ele mesmo nos contava -, teve de se superar. Em sua terra de origem, ele se adestrava na lida com as tropas que trazia do Rio Grande do Sul para as fazendas de São Paulo e Minas Gerais, quando, trajando “pilcha” (traje típico do tropeiro), gastava suas energias na lida “mulandeira”, como juntar a tropa, cuidar da sua alimentação e profilaxia, quando não ter de fazer também as funções do “peão domador” e do “manejador do laço”. Aqui ele trocou a “pilcha” pela calça de brim cáqui, camisa de tricoline e sapatos. E em pouco tempo, quem viesse de Itapetininga para visitá-lo, haveria de ficar bastante surpreso ao vê-lo atrás de um balcão, desfazendo peças de tecidos de chita, xadrez, seda ou brim e casimira, e alcançada a medida do pedido do cliente, fazer o corte com precisão, usando uma pequena e bem afiada tesoura de bolso. Operava-se a metamorfose, e o Moacyr bandeirantense foi firmando-se a cada dia, ao ponto de ser impossível se furtar aos apelos de seus concidadãos, e em 1947, como já vimos, elegia-se vereador do município (caminho que um dia seria igualmente e com a mesma responsabilidade, seguido pelo seu primogênito). Afora as suas atividades comerciais, Moacyr Castanho exerceu muitos outros papeis de destaque, como por exemplo, partícipe da fundação do Rotary Club de Bandeirantes.

E tratando agora do pleito que elegeu Moacyr Castanho, aconteceu neste uma “nova virada na roda política”: a ala comandada pelo Comendador Luiz Meneghel (que nos dois pleitos anteriores “cerrara fileiras” com a ala de Dino Veiga), apoiou a candidatura de Moacyr Castanho, que então venceu os concorrentes Ildefonso Faria e Issamu Matida. Passados dois meses da posse de Moacyr, no dia 31 de março de 164, ocorre – pela força – a ruptura institucional no país, com as Forças Armadas intervindo e depondo o presidente Jango Goulart. O fato, com forte impacto e repercussão na vida nacional, obviamente que causou também aqui, o que se poderia chamar de algumas “trepidações” e consequentes apreensões. Contudo, sendo Moacyr Castanho pessoa tranquila e ponderada, tocou as suas funções institucionais como previstas e aos poucos tudo foi se ajustando e voltando à normalidade.

Após as gestões anteriores e já referidas (de tempos difíceis, até pela forma do nosso sistema federativo, que ainda perdura), afigura-se-nos que foi Moacyr Castanho quem marcou as primeiras significativas melhorias quanto ao “retorno” de benefícios ao público, face aos tributos por ele pagos. Não será neste espaço que tais melhorias serão detalhadas, mas delas faremos apenas algumas referências. Como seus antecessores, Moacyr Castanho sempre manteve cerrada vigilância na aplicação do dinheiro público, o que permitiu que em seu mandato (que não foi de quatro, mas de cinco anos) funcionassem a contento, todos os setores e departamentos da administração, sem o uso do tão frequente expediente administrativo do “remanejamento de verba” e assemelhados.

Foi na gestão de Moacyr (embora se tratasse de uma ação, ou permissão, do governo estadual), que aconteceu a criação do nosso SAAE – Serviço Autônomo de Água e Esgoto, com grandes benefícios para a população, tanto em questão de qualidade da água (sem demérito a outros fornecedores), quanto dos serviços, e a agilidade na prestação destes. À época, uma das mais importantes obras feitas pelo nosso então recém-criado serviço de água, foi a colocação da “rede adutora” da captação de água do Rio das Cinzas até a estação de tratamento do SAAE (como se diz, que não é por estar “debaixo da terra” – e ninguém ver – que essa adutora deixe de ser um serviço importante). É de se lamentar, todavia, que por incúria e desídia (certamente involuntárias) de várias administrações posteriores, o SAAE tenha perdido (até que se faça algo em contrário) o direito de propriedade sobre o patrimônio: a) do seu escritório central; b) da estação de tratamento, e c) do terreno do poço artesiano da Rua Frei Rafael Proner (fundos do Chinelão). Trata-se de fato ocorrido, não resolvido e que é imperioso seja consignado nas páginas da história, sob pena de o conhecermos e nos calar, o estarmos “escondendo” (o fato foi descoberto na gestão de Nilton De Sordi Jr, o Juba, e ainda está pendente de solução).

Há ainda um fato a mais, pelo menos, ocorrido na gestão de Moacyr Castanho, que por sua importância, impõe-se relatá-lo. Trata-se da Lei nº 705/68, de 30 de maio de 1968, de autoria dele, prefeito, criando o Fundo Municipal do Ensino de Bandeirantes e a Fundação Educacional de Bandeirantes. O artigo 2º dessa lei, estabelecia que o fundo ali referido tinha por objetivo, “criar, amparar e manter uma Escola Superior de Agronomia” e outras instituições de caráter educacional de nível médio e/ou superior, que “viessem a ser criadas”. Até 1972, esse fundo era constituído de cinco por cento do ICM – Imposto sobre de Circulação de Mercadorias; depois, a sua constituição foi modificada pela Lei nº 1168/73. E o artigo 4º da mesma lei instituiu (criou) a Fundação Educacional de Bandeirantes, com a finalidade de administrar a aplicação dos respectivos recursos.

Demandado fica, que Moacyr Castanho marcou a sua preocupação com o ensino superior de Bandeirantes, sobretudo a agronomia, e indo além da mera preocupação, deu o “primeiro passo” no sentido de fomentá-la. A boa e exitosa sequência desse assunto, veremos na retomada desta nossa viagem, após a parada que agora faremos, e após listarmos os nomes dos doze vereadores que foram eleitos com Moacyr Castanho.

Continua.

* Walter de Oliveira, 92, articulista desta Folha, é bandeirantense, nascido em 1932

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