Walter de Oliveira*
Eis-nos de volta à nossa viagem no tempo e na história, em cujo caleidoscópio que a compõe misturam-se épocas, fatos e pessoas que os protagonizaram. Embora muitos não vejam assim, estamos cem por cento convictos da importância do presente trabalho, se o cotejarmos com trabalhos semelhantes feitos em níveis estaduais e federal. Todavia, e considerando o longo período de sua abrangência, que vai desde a época do “sertão virgem” ao corrente ano de 2025, e os poucos registros dos muitos fatos ocorridos nesse interregno de tempo, só mesmo pela graça celestial o concluiremos na data referida.
À vista da dita e minguada informação escrita a respeito, voltamos a repisar o valor da participação de inúmeros bandeirantenses que nos acompanham nessa nossa imaginária viagem, seja para acrescentar detalhes da história, seja para corrigir citações que fazemos. O nosso trabalho é um compilado de fagulhas ou fragmentos, e como tal, estará sempre sujeito a incorreções, donde o nosso penhorado agradecimento por essas observações, pois elas nos ajudarão em nosso objetivo de apresentarmos aos bandeirantenses contemporâneos e às nossas gerações futuras, uma história a mais próxima possível com a história da cidade a que tanto amamos.
E a ela (história) voltando, continuamos listando os nossos gestores e legisladores municipais, listagem interrompida nos “fragmentos” passados, quando também concluímos o relato das obras e realizações do prefeito Moacyr Castanho Filho, no exercício de um “mandato tampão”, quase sempre muito curto, e que ocorre com a renúncia do prefeito eleito (no caso, nos últimos seis meses de mandato do prefeito eleito José Fernandes da Silva).
Novamente (e como se dará ainda em vários outros fragmentos), nos ocuparemos de eleições e iniciaremos com as do ano de 1982, cujos eleitos foram:
Prefeito: João do Carmo Santiago e vice-prefeito, Paulo Sidney Zambon. Como referido nos “fragmentos” da semana passada, graças a uma iniciativa do então prefeito (cumprindo “mandato tampão”) Moacyr Castanho Filho, os grupos conhecidos por “Usina” e “Moacyr Castanho/José Fernandes” fizeram uma composição, resultando nas candidaturas de João do Carmo Santiago e Paulo Sidney Zambon, num colégio eleitoral de 18.703 eleitores. Foram três as chapas concorrentes: a) vitoriosa, com os candidatos já nomeados, concorrendo pelo PDS (Partido Democrático Social); b) por chapa “Zé Antônio”, concorrendo como candidato a prefeito José Antônio Comegno, que tinha por candidato a vice-prefeito, Sérgio Menegasso, e c) chapa “Torregiani”, concorrendo como candidato a prefeito Ademir Torregiani e como candidato a vice, Luciano Godinho. Estas duas chapas concorreram, respectivamente, pelo PMDB I e PMDB II (Partido do Movimento Democrático Brasileiro).
Foi nestas eleições que, pela primeira vez, um bandeirantense se candidatou e se elegeu prefeito municipal. Professor da rede estadual de ensino, João do Carmo Santiago (falecido prematuramente, quando era assessor do deputado Hermas Eurides Brandão), desfrutava de grande estima e popularidade, e iguais atributos possuía o seu companheiro de chapa, Paulo Sidney Zambon, o que justifica plenamente a diferença de 2.630 votos sobre a soma dos votos das duas outras chapas concorrentes. A chapa de João do Carmo obteve 7.533 votos e as chapas José Antônio e Ademir, juntas, 4.903; ainda assim, as duas chapas derrotadas tiveram um grande desempenho nas urnas, pois se olharmos para a soma dos votos (12.288) obtidos nas eleições de seis anos antes (José Fernandes X Daniel Meneghel), desses 4.903 votos dados a José Antônio e Ademir Torregiani, 4.755 vieram de eleitores que em 1976 votaram em Zé Fernandes e Daniel Meneghel.
Aliás, um dado interessante a registrar nas eleições de 1982, foi a raríssima diferença de apenas “um voto” entre uma e outra chapa derrotadas: José Antônio Comegno e Sérgio Menegasso obtiveram 2.452 votos e Ademir Torregiani e Luciano Godinho, 2.451. Como se costuma dizer, perderam, mas fizeram bonito.
Vereadores: No pleito de 1982, sagraram-se eleitos os seguintes vereadores: Pelo PDS, Daniel Meneghel Júnior, Alécio Zamboni Neto, Antônio Carlos da Silva (Cacalo), Sérgio Mendes Vilela, Francisco de Assis Goulart Barbosa, José Elias do Carmo (Juca do Sertãozinho), Ilton de Souza Guerra e Olívio Mioto. Pelo PMDB, Aparecido Ribeiro Richter (Doca), Luiz Eduardo Conter (Bilinho), Lino Martins, Dino Veiga e José Carlos Pereira (um desses vereadores, talvez Dino Veiga, não cumpriu todo o mandato, eis que o suplente, Norival de Mello, assumiu a vereança e chegou a ser presidente da câmara).
Passaremos agora, na linha do que temos feito com todos os gestores listados, ao registro de algumas ações julgadas de maior relevância, e que foram realizadas na gestão de João do Carmo Santiago, dentre as quais, pelo longo período decorrido desde então, e por dificuldades de obtermos informações pertinentes, destacaremos, por ora, os melhoramentos então introduzidos na Vila São Pedro, com destaque para a panificadora que funcionava sob os auspícios e administração da prefeitura municipal, e foi, por muito tempo, de grande ajuda não só para a população da referida vila, como de outras de suas adjacências. Outras realizações de maior relevância, serão relatadas por ocasião da edição do livro que estamos produzindo, motivo pelo qual, voltamos a encarecer de pessoas ligadas àquela gestão e que tendo tais informações, forneçam-nas por gentileza, pelo que agradecemos desde agora.
Listados os gestores e legisladores de 1982, vamos agora à listagem dos eleitos no pleito de 1988, disputado pelos candidatos José Fernandes da Silva (PFL – Partido da Frente Liberal), tendo por vice Ilton de Souza Guerra, Lino Martins (PMDB – Partido do Movimento Democrático Brasileiro), cujo candidato a vice foi Luiz Carlos Comegno, e o terceiro, Roberto Castanho (PDT – Partido Democrático Trabalhista), sendo candidato a vice, Sérgio Mendes Vilela. Este pleito levou, pela segunda vez, José Fernandes da Silva ao cargo de prefeito municipal, com uma vantagem de 1.162 votos sobre o segundo colocado (7.172 Zé Fernandes e 6.010 para Lino Martins). Roberto Castanho, terceiro colocado, obteve 1.958 votos.
Continua.
* Walter de Oliveira, 92, articulista desta Folha, é bandeirantense, nascido em 1932




