A turnê do Balé Teatro Guaíra (BTG) deu início nesta sexta-feira (08) em Arapongas com apresentação de duas coreografias que exploram as tensões e transformações do mundo contemporâneo. São as obras ‘V.I.C.A.’, de Lili de Grammont, e ‘Castelo’, de Alessandro Sousa Pereira, foram apresentadas em Portugal no início do ano e agora, voltam aos palcos paranaenses, propondo ao público uma experiência cênica que cruza dança, teatro e reflexão sobre os desafios do tempo presente.
Após apresentação em Arapongas, o BTG vem a Jacarezinho onde os espetáculos serão nos dias 21 e 22, no Teatro CAT, para a abertura do Festival EnCena 2025. Em ambas as cidades, os eventos têm entrada gratuita e contam com ações de acessibilidade: tradução para Libras, audiodescrição e abafadores de ruídos para pessoas com Transtorno do Espectro Autista.
NO PARANÁ – Segundo o diretor artístico do Centro Cultural Teatro Guaíra, Áldice Lopes, a circulação estadual é um dos pilares da instituição. “Tivemos um primeiro semestre maravilhoso de circulação fora do Paraná, e agora no segundo semestre as ações se concentram no Estado. Começamos com o mesmo programa apresentado em Portugal”, explica. Para a secretária estadual da Cultura, Luciana Casagrande Pereira, o impacto da apresentação das duas coreografias em Arapongas e Jacarezinho ultrapassa os limites do palco. “Levar arte de excelência a todos os cantos do Paraná é uma forma de fortalecer vínculos, estimular o pensamento crítico e valorizar a cultura como um direito de todos.
‘V.I.C.A.’ e ‘Castelo’ traduzem, com beleza e intensidade, os desafios, os sentimentos e as reconstruções que marcam o nosso tempo”, diz.
Cleverson Cavalheiro, diretor-presidente do Centro Cultural Teatro Guaíra, também destaca a importância de a companhia alcançar a população de cidades além da capital do Estado. “Queremos que a potência da dança contemporânea chegue a mais pessoas, provoque, emocione, transforme. Levar essas criações ao Paraná como um todo é parte do nosso compromisso com a democratização do acesso à arte”, afirma.
Luiz Fernando Bongiovanni, diretor da Companhia, destaca o orgulho de levar a outras cidades do Paraná obras que têm sido consagradas no Brasil e no Exterior. “Isso reforça o compromisso com o desenvolvimento dos trabalhos do Balé por todo o Estado”, afirma.
COREOGRAFIAS – Mais do que uma sequência coreográfica, os dois trabalhos criam uma experiência imersiva sobre dilemas do nosso tempo. Em ‘V.I.C.A.’, a coreógrafa Lili de Grammont parte do acrônimo Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo para construir um mosaico de situações que ora fragmentam, ora revelam possibilidades de conexão entre os indivíduos. Com inspiração nas ideias de Zygmunt Bauman e no cenário social pós-pandêmico, a obra atravessa temas como catástrofes, IA, solidão e coletividade, mesclando força física, delicadeza e visualidade impactante.
‘Castelo’, criação de Alessandro Sousa Pereira, se apresenta como um convite ao recolhimento e à introspecção. Enquanto ‘V.I.C.A.’ fala de um mundo em ebulição, ‘Castelo’ propõe uma pausa. Uma tentativa de encontrar abrigo e reinvenção em meio ao turbilhão cotidiano. “É uma peça que, de forma poética e cinética, fala sobre resistência: o esforço de seguir em frente diante do ritmo vertiginoso da vida moderna”, define o diretor Luiz Fernando Bongiovanni. “Castelo trata das proteções que construo para suportar as intempéries do mundo atual”.




