Paz e Bem, meu amigo e irmão, vamos falar sobre o bem-aventurado Francisco.
Primeiro Livro de sua conversão, de Tomás de Celano.
Sobre o jovem que veio para a religião, e que soube que não era trazido pelo espírito de Deus.
“Podes ter a certeza de que bem depressa terás uma consolação por parte de teu marido”. E acrescentou: “Diz-lhe, da parte de Deus e da minha, que agora é o tempo de salvação, e depois virá o da justiça”. Tendo recebido a bênção, a mulher foi embora. Quando encontrou o marido e lhe deu o recado, o Espírito Santo desceu de repente sobre ele e o renovou, fazendo com que dissesse com toda a mansidão: “Vamos servir ao Senhor, em nossa casa e salvemos nossas almas”. A mulher disse: “Acho que devemos colocar a continência como fundamento de nossa vida espiritual, para edificar sobre ela as outras virtudes”.
“Também isso me agrada, como a ti”, disse ele. A partir desse dia viveram como celibatários durante muitos anos e tiveram uma morte feliz no mesmo dia, um como o holocausto da manhã e o outro como o sacrifício da tarde. Feliz mulher que assim conseguiu convencer seu senhor, restituindo-o à vida! Cumpriu-se nela o que foi dito pelo Apóstolo: “O marido infiel é salvo pela mulher fiel”. Mas pessoas assim, como se diz comumente hoje em dia, podem contar-se nos dedos.
Certa ocasião, vieram da Terra do Labor dois frades. O mais velho tinha escandalizado muito o mais novo: não era um companheiro mas um tirano. Mas o mais jovem suportava tudo em admirável silêncio por amor de Deus. Quando chegaram a Assis, e o mais novo foi visitar São Francisco (porque era muito conhecido dele), o santo disse entre outras coisas: “Como é que se comportou contigo o teu companheiro nessa viagem?” Ele respondeu: “Muito bem, pai caríssimo”. Mas o santo retrucou: “Cuidado, irmão, para não mentires, pensando em ser humilde, porque eu sei como ele te tratou.
“Mas espera um pouco e hás de ver”. O frade ficou bastante admirado de que ele tivesse conhecido pelo espírito coisas que não presenciara. De fato, não muitos dias depois, desprezando a Ordem, foi-se embora o que tinha escandalizado seu irmão. Sem dúvida, é um sinal de maldade e demonstração de falta de juízo fazer o mesmo caminho e não saber andar de acordo com o companheiro. Por esses mesmos dias chegou a Assis um jovem da nobreza de Lucca, querendo entrar na religião. Apresentado a São Francisco, dobrou os joelhos oferecendo preces entre lágrimas, para que o recebesse.
Mas olhando para ele, o homem de Deus soube imediatamente pelo espírito que ele não agia pelo espírito. Disse-lhe: “Pobre homem carnal, por que pensas que podes mentir ao Espírito Santo e a mim Estás chorando por motivos humanos, e teu coração não está com Deus. “Vai, porque não entendes coisa alguma espiritualmente”. Acabava de dizer isso quando avisaram que seus pais estavam à porta, querendo levar o filho à força. Mas ele saiu ao seu encontro deles foi embora de boa vontade. Os frades ficaram muito admirados e louvaram ao Senhor em seu santo. …
Para louvor de Nosso Senhor Jesus Cristo Amém. (Continua na próxima edição – Programa
Francisco Instrumento da Paz). Paz e Bem.


