Fórum Municipal de Bandeirantes, construído em terreno adquirido na gestão de Nilton De Sordi Júnior (foto obtida a partir da internet)

Walter de Oliveira*
Nos fragmentos da nossa história, paramos na semana passada quando relatávamos as ações da administração Juba (Nilton De Sordi Júnior), no setor de saneamento básico. Dizíamos então, das “obras subterrâneas” do mais alto significado para a população, mas ocultas à sua vista, são por isso rapidamente esquecidas.

Começamos o relato de hoje, por reavivar a memória dos nossos leitores, lembrando, para tanto, notadamente os contemporâneos daqueles dias, do lamentável nome pelo qual a nossa cidade era conhecida: a “capital da barriga d’água”, tal era o número de pessoas contaminadas pelo esquistosoma, parasita que se hospeda no caramujo de água doce e que causa a esquistossomose. O seu “criatório”? Ribeirão das Antas. Esse tal e depreciativo nome atribuído à nossa cidade, não era “coisa nova”; vinha já de um bom tempo, sendo dispensado dizer o quanto isso nos desencantava e deprimia.

Como visto nos “fragmentos” anteriores, Juba se dedicou ao saneamento básico desde que assumiu a direção do SAAE, por nomeação do então prefeito Lino Martins. Todavia, e como a prioridade fosse garantir água à população, ele concentrou os seus primeiros esforços na garantia do abastecimento hídrico, embora não ignorasse – ou relegasse a segundo plano – o grave problema da “esquistossomose”. Prova disso, que empossado como prefeito, ele comunicou a Romeu Luiz Furlan, que nomeara diretor do SAAE, a urgência em sanear o Ribeirão das Antas. Dita ação, profilática, deveria se dar a partir das adjacências do cemitério municipal, até o seu desaguar na “lagoa de tratamento” de esgotos; ou seja, um percurso de vários quilômetros.

Hoje não, mas à época (2001), todos os dejetos domésticos produzidos nas moradias urbanas alcançadas pela rede de esgotos, eram despejados diretamente nas águas do Ribeirão das Antas. Esse histórico afluente do Rio das Cinzas (histórico, porque foi nas suas proximidades, como já dito em nossos “fragmentos”, que em 1901, o engenheiro Carlos Borromei abriu a primeira clareira nas matas da região e ergueu o seu acampamento, no entorno do qual surgiu mais tarde, o povoado da Invernada), cujas águas, antes límpidas, cristalinas e povoadas de bagres e alambaris, tornara-se “criatório” dos caramujos hospedeiros do esquistosoma.

Ou seja, o primeiro córrego mencionado em nossa história (e assim “batizado” pelo engenheiro Carlos Borromei), não era mais que um agente hídrico poluído, fétido e gerador de doenças. Ante uma tal e calamitosa situação (não a da ofensa à figura histórica do ribeirão, mas a da ameaça à saúde pública), teve início a “operação resgate” do ribeirão, cujas águas, em bons tempos passados, fizeram a alegria de legiões de garotos e adolescentes da nossa cidade.

Sede do Corpo de Bombeiros de Bandeirantes, construída em terreno adquirido na gestão de Nilton De Sordi Júnior (foto obtida a partir da internet)

Duas e simultâneas foram as medidas saneadoras. A construção de um “emissário” (um curso paralelo ao do córrego, e em toda a sua extensão), apto a receber (o que continua a fazer) todos os dejetos domésticos até então suportados pelo córrego; o início desse “emissário” fica nas proximidades do cemitério municipal. A outra medida, foi o alargamento – às vezes rebaixamento – e dragagem de todo o curso do ribeirão, coincidindo com o trajeto do “emissário”. Não dispondo do maquinário para tal obra, o SAAE foi socorrido pela Usiban, que lhe disponibilizou, sem custos e pelo necessário tempo – duas máquinas escavadeiras. Hoje – e evidente que não mais como outrora – as águas do Ribeirão das Antas têm a mesma qualidade das suas congêneres no município, e segundo dizem, até alambaris já se pescam nelas. E o mais importante, foi a total e definitiva erradicação do referido e mal lembrado parasita que antes hospedara.

Saneado o Ribeirão das Antas e liberta a nossa cidade do abominável título de “capital da barriga d’água”, o SAAE se ocupou da também reclamada e imprescindível reforma e readequação (à demanda existente) da captação de água no Rio das Cinzas. Paralelamente, Juba, se valendo do seu bom relacionamento com os donos da Usiban, conseguiu deles a cessão da necessária área de terras em que o SAAE construiu seu almoxarifado, departamento pessoal, cadastro e engenharia (no final da Rua João Francisco Ferreira, em frente à atual Vila Rubi).

Face à soma dos seus feitos, não há como negar registros a providências de tão notória importância da gestão Juba, como algumas no setor de educação, em que ganham realce, ações como: a compra de instrumentos de fanfarra para as escolas Leda de Lima Canário, Santa Terezinha, Moacyr Castanho, Yukiti Matida e Zulmira Albuquerque, o abono do Fundef relativamente aos anos 2001/2003, somando R$ 622.000,00 pagos aos professores da rede municipal de ensino, a aquisição de 25 computadores e cabine fonoaudiológica para exames auditivos, e a criação do projeto “olho no olho”, com fornecimento de consulta e óculos para os alunos da rede pública.

Outras realizações: a) recape asfáltico da Vila Bela Vista, Vila Maria, Vila Lordani, Jardim San Rafael e Jardim União; b) troca de 50% das lâmpadas dos postes de iluminação pública, por lâmpadas econômicas; c) construção dos conjuntos residenciais das Flores e Iguatemi; d) construção de 178 unidades habitacionais no Conjunto Maria Bertho Meneghel e compra do terreno para a construção do Conjunto Habitacional Habitar Brasil, com 202 unidades; e) compra do terreno (10.000 m2) para a construção do Fórum, do Fórum Eleitoral, do Corpo de Bombeiros, da Agência do INSS e do Centro de Atendimento à Mulher (hoje sede da Vigilância Sanitária); e f) reforma da pedreira municipal e da usina de asfalto.

Conclui-se aqui os principais feitos da gestão Juba, uma das mais profícuas da história (até aqui) do município. Sendo de se lamentar, que estando já em vigor o instituto legal da reeleição, não tenha Nilton De Sordi Júnior pleiteado a sua reeleição. Tivesse tal ocorrido, e face à sua excelente avaliação como prefeito, certamente teria ido para a segunda gestão.
Passaremos agora aos registros pertinentes à eleição de 2004, na qual sagrou-se vencedor, e pela terceira vez, o candidato José Fernandes da Silva.
Continua.

Walter de Oliveira, 92, articulista desta Folha, é bandeirantense, nascido em 1932

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