Paz e Bem, meu amigo e irmão, vamos falar sobre o bem-aventurado Francisco.
Primeiro Livro de sua conversão, de Tomás de Celano.
Sobre a pobreza dos utensílios.
Jamais houve alguém tão ambicioso de ouro quanto ele de pobreza, e nunca houve guarda mais cuidadoso de um tesouro do que ele o foi da pérola evangélica. O que mais o ofendia era ver, dentro ou fora de casa, alguma coisa nos frades que fosse contrária à pobreza. Na verdade, desde o começo da religião até a morte, sua única riqueza foram uma túnica, o cordão e as calças; não teve mais nada. Sua roupa pobre mostrava que riqueza estava amontoando. Por isso, alegre, seguro e livre para correr, tinham o prazer de ter trocado as riquezas que perecem pelo cêntuplo. Ensinava os seus a construírem habitações pobrezinhas, de madeira e não de pedra, como as choças das pessoas mais miseráveis. Muitas vezes, falando da pobreza, recordava aos frades aquela passagem do Evangelho: “As raposas têm tocas e os pássaros do céu têm ninhos, mas o Filho de Deus não tem onde repousar a cabeça ”(cfr. Mt 8,20; Lc 9,58).
Certa feita deveria haver um capítulo em Santa Maria da Porciúncula. Já estava em cima da hora e o povo de Assis, achando que não havia um local adequado, construiu rapidamente uma casa para o capítulo, sem que o soubesse o homem de Deus, que estava ausente. Quando o santo voltou e viu a casa, levando a mal, não sofreu pouco. Levantou-se para ser o primeiro a eliminar o edifício. Subiu ao telhado e pôs abaixo telhas e cobertura com mão forte. Mandou os frades subirem também para acabar de uma vez com aquele monstro contrário à pobreza. Porque dizia que logo se haveria de espalhar pela Ordem e ser tomado, por exemplo, tudo que se visse de mais pretensioso naquele lugar.
Teria acabado de uma vez com o prédio se os soldados que lá estavam não tivessem feito frente ao seu fervor dizendo que ele pertencia à comuna e não aos frades. Uma vez, voltando de Verona e querendo passar por Bolonha, ouviu dizer que aí tinha sido construída uma casa nova para os frades. Só de ouvir falar em “casa dos frades”, mudou de direção e foi por outro lado, sem passar por Bolonha. Depois mandou que os frades saíssem imediatamente da casa: não ficaram nem os doentes, postos para fora como os outros. E não deu licença para voltarem enquanto o cardeal Hugolino, então bispo de Óstia e legado na Lombardia, não afirmasse em pública que a casa era sua.
Dá testemunho e escreve isto alguém que teve que sair doente da casa nessa ocasião. Não queria que os frades habitassem nenhum lugarzinho a não ser que constasse com certeza quem era o seu dono. Sempre exigiu que seus filhos observassem as leis dos peregrinos: abrigar-se sob teto alheio, passar em paz, ansiar pela pátria. Pois no eremitério de Sarciano, uma vez um frade perguntou ao outro de onde vinha, e este respondeu: “da cela de Frei Francisco”. O santo ouviu e disse: “Já que deste à cela o nome de Francisco, tomando posse dela para mim, que ela arranje outro morador. …
Para louvor de Nosso Senhor Jesus Cristo Amém. (Continua na próxima edição – Programa
Francisco Instrumento da Paz). Paz e Bem.


