Equipe do União Bandeirante Futebol Clube, em 1967. Em pé: Orlando, Serafim, Tibúrcio, Celso, Geraldo e Pescuma. Agachados: Osvaldinho, Paquito, Carlinhos, Mário e Zé Luiz. (Foto cedida por João Dias, do Bar e Lanchonete Lagoinha)

Walter de Oliveira*

Hoje nos ocuparemos de um assunto, que embora não mais (e por ora) esteja no cotidiano da cidade, teve, num passado ainda recente (e por isso ainda reverberante em muitos dos “nossos momentos”), grande influência, não apenas em nosso dia-a-dia, mas na projeção e promoção da nossa cidade, que foi notícia até nos meios esportivos da mundialmente falada cidade de Dallas, nos Estados Unidos.

Contaremos como nasceu, floresceu e também como acabou o União Bandeirante Futebol Clube, que ganhou fama e protagonismo como o “caçula milionário”, e por mercê do brilho dos seus craques, lotava os estádios em que entrava, tanto o da chamada “Cidade do Açúcar (Bandeirantes), quanto das demais, com times participantes dos certames, fossem a nível regional, estadual ou nacional.

Única equipe do interior paranaense (até onde nos informa o nosso modesto conhecimento) a ter entre seus atletas um bicampeão mundial (Nilton De Sordi), o União Bandeirante (UBFC – guardem essa sigla) foi fundado em 15 de novembro de 1964, sob as bênçãos do mesmo homem que deu a Bandeirantes a honra de sediar a mais importante unidade da Universidade Estadual do Norte Pioneiro (UENP), Luiz Meneghel, fundador também da Usina Bandeirante do Paraná Ltda., depois Açúcar e Álcool Bandeirantes S/A – Usiban, que terminou no mês findo, a sua 82ª e consecutiva safra.

Embora não fosse – ao que sabemos – alguém relacionado com as lides esportivas, seus filhos Paulo Antônio, Serafim e Daniel o eram. E tanto isso é fato, que os dois primeiros jogavam no time de futebol da usina, e Daniel era um “ás” do basquete local e regional, e um nome permanente na escalação do basquete bandeirantense. Foi por sugestão deles que o referido e ilustre patriarca do açúcar paranaense (a Usiban é a mais antiga usina de açúcar e álcool dentre as que estão em atividade) deu o “sim” para a formação do time.

Embora pareça desnecessário, não é demais lembrar que se tratava da fundação de um time de “futebol profissional”, e que ligado à usina (que iria bancar, como bancou – exceto os valores de bilheteria – tudo o que foi gasto pelo seu funcionamento), o comendador Meneghel pediu que o time mantivesse o nome “Usina Bandeirante Futebol Clube”. Todavia, feita a assembleia dos associados para a sua fundação e encaminhado o pedido de registro à Federação Paranaense de Futebol, o pedido foi “indeferido”. À época, a Federação não registrava time “profissional” que tivesse nome de empresa. Foi então, que surgiu o nome “União Bandeirante Futebol Clube, que manteve a sigla UBFC. E como foi que isso aconteceu, é o que explicaremos, a fim de que as muitas pessoas que não sabiam do fato, sabê-lo-ão a partir de agora.

O nosso município possuía dezenas e dezenas de times de futebol, dentre os quais o mais famoso era, sem dúvidas, o “Guarani Esporte Clube”; era o time da cidade, e que contava com nomes, embora amadores, muito respeitáveis, como Zeca da Farmácia, Tonico (apelidado de Cutuca), e que era irmão do Zeca. Afora esses, outros, como Nilson Cunha, Taquaral, Osvaldo Ortega (Paguela), Mário Chueiri (Toquinho), Nenê Boca Preta, João Santa Cruz, Ilton Guerra, aos quais somavam-se os goleiros Nelson Nielsen (Gasolina) e Dirceu Cioffi (o Tocha). E afora esse respeitável rol de craques, unia-se ainda e talvez a sua maior atração, o zagueiro (à época posição chamada de center-alfa) Arnaldo Olstan, que o então deputado estadual Dino Veiga trouxera de Curitiba para trabalhar na prefeitura de Bandeirantes – onde se aposentaria –, mas também e principalmente, para reforçar o desempenho do Guarani Esporte Clube, cujo estádio, palco das suas apresentações, ficava na quadra onde hoje estão as escolas Nóbrega da Cunha e Leda de Lima Canário.

Presidido pelo cerealista Pedro Simões Teixeira, o Guarani, embora como amador, era registrado na Federação Paranaense de Futebol, a mesma que negou o registro ao Usina Bandeirante Futebol Clube. E no final, foi a própria Federação que sugeriu a fusão do time da Usina com o Guarani, que, “com outro nome”, mudasse a sua categoria de amador para profissional, permanecendo o registro já existente na Federação. Muito perspicazes, os irmãos Paulo Antônio e Serafim entabularam conversação com Pedro Simões, o qual por sua vez informou aos demais companheiros de diretoria, sobre a fusão proposta. Dentre os seus companheiros de diretoria, figuravam o alfaiate Jacó Ossovski, o taxista Agenor Dias, o cartorário Cid Fausto Rodrigues Pinto, o corretor de imóveis Santo Parizzotto e o pioneiro como dono de bar José Giovanetti. Em assembleia convocada para discutir e deliberar sobre a fusão, Pedro Teixeira e companheiros convieram que a proposta dos irmãos Meneghel (formação e manutenção de um plantel com atletas de alto nível) seria do interesse do futebol e também da população locais, e foi assim que nasceu o União Bandeirante Futebol Clube, cujas façanhas e conquistas acumuladas nos seus 38 anos de gloriosa existência, dos quais, senão todas, muitas delas serão contadas (e ilustradas) em capítulo próprio de nosso livro, que querendo Deus, estará impresso e trazido a público em 2026, e no qual contaremos também o “porquê” da sua lamentável extinção.

Aqui neste espaço, embora a generosidade e boa vontade da jornalista Márcia Moskado, não daria para mostrar o suficiente das muitas vitórias do “Caçula Milionário”, do brilhantismo profissional e amor à camisa tricolor de atletas como o bicampeão mundial Nilton De Sordi, dos seus companheiros de zaga, os gigantes Geraldo Roncato, Gustão e Pescuma, a raça e competência de Tião Abatiá e a velocidade do ponta-direita Osvaldinho e do ponta-de-lança Paquito, a potência e força dos “canhões” do central Josué nas cobranças de falta, a categoria, domínio de bola e “serviço” aos companheiros, dos meios-campos Tião Macalé e Charuto, as cobranças de meio da rua de Orlando Maia, mais a perspicácia nas jogadas de Amadeu, Mário, Celso, Betão, Carlão, Claudinho, Nondas, Terrinha e Marmita, somada à categoria do quase garoto Luiz Alberto Palomares (o Palô) e a quase impenetrabilidade das cidadelas dos goleiros Vicente, Edgar, Orlando, Caetano, Gilbertão e Daniel.

Tudo isso e muito mais há para ser dito, sobretudo da firmeza de direção do time, do seu imortalizado presidente Serafim Meneghel, do diretor de futebol Nelson Santos, dos “bingos milionários” do União (30 carros por sorteio), mas sobretudo, não daria para falar das indescritíveis alegrias experimentadas pelo grande público presente aos estádios, a cada jogada emocionante e a cada “balançar das redes” adversárias. Tudo isso estará nas páginas do nosso trabalho.

Continua.

* Walter de Oliveira, 93, articulista desta Folha, é bandeirantense, nascido em 1932

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