
Walter de Oliveira*
Após uma imposta ausência de quinze dias, retomamos a nossa viagem na história para ainda falarmos do glorioso União Bandeirante Futebol Clube, hoje extinto, mas que por longos quarenta e dois anos trouxe muitas alegrias – e também muitas tristezas, a depender do placar de cada jogo –, sobretudo nas decisões dos certames em que o “caçula milionário” foi às finais. Na edição passada já informamos que aquele artigo (como também este) representava apenas um pouco da história do União Bandeirante, a qual terá um capítulo próprio (e merecido) em nosso livro, já entrando em sua fase final de produção, e do qual fazem parte estes “fragmentos”.
Após a publicação passada, muitos de nossos ilustres e prezados leitores se manifestaram, mostrando de maneira concreta, o quanto o União Bandeirante marcou a história de nossa cidade. Das observações feitas, temos certeza que, quando da narrativa da real história do saudoso time, todas aquelas boas e oportunas observações estarão contempladas; muitas delas já estarão atendidas, com a publicação deste artigo, que terá hoje duas imagens. Uma delas, trata-se de uma foto histórica do Guarani Esporte Clube – primeiro time de futebol bandeirantino, que chegou a nós por especial atenção do radialista Pedro Donizete Dias (atuando hoje em Santa Cruz do Rio Pardo/SP, após muitos anos de trabalho na Rádio Cabiúna de Bandeirantes), ao qual somos agradecidos; e a outra, que mostra a numerosa torcida do saudoso União. Afora essa gentileza, Donizete nos municiou ainda de várias outras informações sobre o extinto, mas querido time dos bandeirantenses, e sobre as quais, não tínhamos maiores dados, face à extinção do time e ao falecimento sucessivo dos fundadores e dos seus principais dirigentes.
Afora a providencial ajuda de Pedro Donizete Dias, tivemos também outra importante colaboração – e cujos dados usaremos em nosso livro – que nos prestou o amigo Cosme Medeiros, o popular “Pirulito”, que era roupeiro do União e também massagista auxiliar da equipe; e temos outras informações, estas passadas pelo Betão, que também integrou a famosa esquadra bandeirantina. Pelas informações que até obtivemos, o União Bandeirante, além de ter sido Campeão da Série Norte do estado em 1966 (dois anos após ser fundado), no mesmo ano ele conseguiu o seu primeiro título de Vice-Campeão Estadual. O campeão daquele ano foi o Ferroviário de Ponta Grossa. Nesse campeonato, Paquito (centroavante do União) foi o artilheiro, com a marca de 13 gols; e começava a ficar famoso, dobrando com Sebastião Ferri, que ganharia até torcidas dos times adversários, com o nome de Tião Abatiá.

Em 1969 e 1971, o time de Pupo Gimenez (nome do primeiro técnico do União) voltaria a disputar as partidas finais, levando as taças de vice-campeão do estado. Em 1971, o artilheiro do campeonato foi Tião Abatiá, cujos “canhões” fizeram as redes dos adversários balançarem por 19 vezes; nesses dois anos as taças principais ficaram com o Coritiba. Em 1989, o time da nossa Vila Maria tornaria a ficar com a taça de Vice-Campeão Estadual, perdendo, novamente, para o time “coxa-branca”, com os dois últimos jogos realizados no Estádio Major Couto Pereira, na capital do estado. No primeiro jogo, o placar foi de 0 x 0 e no jogo da final, 2 x 0 para o campeão. Nesse campeonato, no último jogo e no intuito de “empurrar o time”, o presidente Serafim Meneghel contratou vários ônibus da empresa Viação Garcia, que levou centenas de esperançosos torcedores bandeirantenses, que tiveram, por fim, de amargar a derrota.
Emoção sobre emoção, era o que marcava os jogos do União, cuja lateral direita era guardada pelo campeão mundial Nilton De Sordi. Mas contam os torcedores desse time, que a maior de todas as emoções foi a que tomou a imensa massa humana presente na final do campeonato estadual de 1992, no Estádio do Café, em Londrina/Pr, onde foram realizados os três jogos finais entre o União e o “Tubarão” (como era chamado o time londrinense). No primeiro jogo, o resultado foi zero a zero. No segundo, por um triz o União não levou a taça, pois até mais da metade do segundo tempo, ganhava de dois a zero; e então, o Londrina fez um gol e no minuto derradeiro, o juiz deu pênalti contra o União, que foi convertido. No terceiro jogo, o “tubarão” ganhou de um a zero e o União se contentaria com o seu quinto (e último) título de Vice-Campeão Estadual. Ainda por confirmar, o União teria sido “Campeão da Série Norte”. Já no plantel de “juniores”, categoria sub-20, o União foi Campeão Estadual em 1985 (cuja escalação ainda não conseguimos), o que parece ter acontecido uma outra vez, e que confirmaremos ou não em nosso livro.
Quanto à escalação que levou o União Bandeirante a ganhar o conceito de um grande time, asseverou-nos o radialista Pedro Donizete (que narrou a grande maioria dos jogos do time) que os “onze famosos” eram: Laércio, Carlos Alberto, Pescuma, Geraldo, Serafim, Macalé, Celso, Nondas, Paquito, Tião Abatiá e Russinho. Evidente que essa escalação (e que segundo Donizete, marcou os dias de maior glória do time) nunca diminuiu o brilhantismo profissional dos craques que compuseram outras grandes escalações do sempre lembrado União Bandeirante, cujos nomes constarão do nosso livro, no qual contaremos também a atuação do time na “Série B do Brasileirão” (Copa Brasil), na “Dallas Cup”, nos EUA e também da sua atuação na Inglaterra. Há muita coisa a ser dita, em respeito aos fundadores do time, aos seus valorosos atletas e especialmente, em respeito àqueles que davam vida ao espetáculo: os milhares de torcedores do União, que eram encontrados, inclusive, em cidades fora do estado do Paraná.
E foi em 4 de agosto de 2006, após 42 anos de contínua participação no Campeonato Paranaense de Futebol (um recorde entre os times do interior), que o União Bandeirante Futebol Clube encerrava as suas atividades, face às dificuldades financeiras por que passava a empresa sua mantenedora.
Continua.
* Walter de Oliveira, 93, articulista desta Folha, é bandeirantense, nascido em 1932



