Paz e Bem, meu amigo e irmão, vamos falar sobre o bem-aventurado Francisco.
Segunda Vida, de Tomás de Celano.
Sobre uma capa que deu a uma velhinha em Celano.
Aconteceu certo dia, em que o homem de Deus andava pregando, encontrou um pobrezinho na rua. Vendo-o sem roupa, ficou compungido e, voltando-se, disse a seu companheiro: “A miséria desse homem é uma grande vergonha para nós, e repreende muito a nossa pobreza”. O companheiro respondeu: “Por que, irmão?” E o santo, com voz de lamento: “Escolhi a pobreza como minha senhora e toda minha riqueza, e ela está brilhando muito mais nesse homem. Ou não sabes que por todo o mundo correu nossa fama de pobres por amor de Cristo?
Pois esse pobre está provando que isso não é verdade”. Ó desconhecida inveja! Ó emulação que tem que ser emulada por seus filhos! Não é aquela que se aflige com os bens alheios, não é aquela se escurece com os raios do sol não é aquela que se opõe à piedade; não é aquela que sofre pela lividez. Pensas que a pobreza evangélica não tem nada para ser invejado? Tem Cristo e, nele, tudo em todas as coisas (cfr. 1Cor 12,6). Por que cobiças rendimentos, ó clérigo de nossos dias? Amanhã, quando só tiveres nas mãos os lucros dos tormentos, ficarás sabendo que rico de verdade foi Francisco. Num outro dia de sua pregação, chegou ao lugar um pobrezinho doente.
Compadecido por seu duplo sofrimento, a miséria e a dor, começou a conversar com um companheiro sobre a pobreza. E quando sua compaixão com o sofredor já se tinha transformado em ternura do coração, disse-lhe o companheiro: “Irmão, é verdade que esse aí é pobre, mas talvez não haja outro mais rico em desejo, em toda esta região”. O santo repreendeu-o na hora e, quando confessou sua culpa, disse-lhe: “Anda depressa e despe o teu hábito, ajoelha-te aos pés do pobre e confessa a tua culpa! Não peças apenas o perdão, roga também que reze por ti!” O irmão obedeceu, fez o que tinha sido mandado e voltou. Disse-lhe o santo: “Quando vês um pobre, meu irmão, tens à frente um espelho do Senhor e de sua pobre Mãe.
E da mesma maneira, nos doentes deves ver as enfermidades que ele assumiu por nossa causa!” Francisco tinha sempre o “ramalhete de mirra” (cfr. Ct 1,12) em seu coração. Estava sempre olhando para o rosto do seu Cristo (cfr. Sl 83,10), sempre agarrava-se ao homem das dores, que conhece as enfermidades ( cfr. Is 53,3). Aconteceu uma vez, em Celano, no tempo do inverno, que São Francisco tinha como capa um pano dobrado que recebera por empréstimo de um homem de Tívoli, amigo dos frades. Como estava no palácio do bispo dos marsos, foi ao seu encontro uma velhinha pedindo esmolas. Desamarrou imediatamente o pano do pescoço e, embora não fosse seu, deu-o à pobrezinha, dizendo: “Vai fazer um vestido, que bem estás precisando”. A velhinha sorriu espantada, não sei de medo ou de alegria, e pegou o pano das mãos dele. Correu depressa, e, com medo de demorar muito e ter que devolver, cortou-o com a tesoura. …
Para louvor de Nosso Senhor Jesus Cristo Amém. (Continua na próxima edição – Programa
Francisco Instrumento da Paz). Paz e Bem.



