A Polícia Civil de Santa Catarina encerrou, nesta terça-feira (3/2), as investigações sobre a morte do cão Orelha, símbolo comunitário da Praia Brava. O inquérito confirmou a participação de adolescentes no crime. Paralelamente, a corporação também finalizou as apurações sobre as agressões sofridas por outro animal, o cão Caramelo.
A investigação mobilizou recursos tecnológicos avançados e um extenso trabalho de campo para identificar os responsáveis. Para fechar o cerco sobre os envolvidos, a polícia utilizou um volume de dados e depoimentos com análise de mais de 1.000 horas de filmagens; câmeras e imagens captadas por 14 equipamentos diferentes na região da Praia Brava; depoimentos de 24 testemunhas que foram ouvidas ao longo do processo; são suspeitos oito adolescentes, que foram investigados por possível participação.
O uso de um software francês adquirido pela PCSC foi o diferencial que permitiu o cruzamento de dados e a confirmação precisa da localização do principal autor no exato momento do ataque fatal ao animal.
Devido ao envolvimento de menores de idade, o processo tramita sob segredo de Justiça, conforme diretrizes do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC). As medidas solicitadas foram a internação de um dos adolescentes identificados na agressão, e o indiciamento de três adultos pelo crime de coação no curso do processo, após tentarem intimidar testemunhas do caso.
O cão Orelha não era apenas um animal de rua, era um cachorro comunitário que viveu na região por mais de uma década. Sua presença era parte da identidade local que acompanhava pescadores e frequentava festas locais; era conhecido por posar para fotos com turistas e moradores; ele foi visto pela última vez no dia 04 de janeiro. O animal foi encontrado dias depois, agonizando sob um veículo com graves lesões na cabeça e nos olhos. Apesar do socorro imediato e da tentativa de estabilização via soroterapia, ele não resistiu aos ferimentos.
NOTA – Casos de maus-tratos contra animais podem ser denunciados anonimamente através do número 181 (Polícia Civil) ou diretamente à Polícia Militar pelo 190.




