Uma mobilização pacífica deve marcar a sessão da Câmara de Vereadores de Bandeirantes nesta segunda-feira, dia 02, a partir das 18h (Rua Dino Veiga, 391). O protesto, organizado por professores da rede municipal, surge em resposta à leitura do Projeto de Lei Complementar 116/2026, enviado pelo Poder Executivo, onde segundo a categoria, promove o achatamento salarial e a desvalorização dos profissionais com mais tempo de casa.
As representantes dos professores, Angélica Gobatto e Carina Ragazzi, manifestaram profunda preocupação com o reajuste anunciado pela administração para 2026. Embora o novo piso do magistério tenha sido fixado em R$ 5.130,63 (40h) e R$ 2.565,32 (20h), o cálculo percentual anunciado em 5,4% não foi debatido pela gestão municipal junto à categoria. “Mais uma vez nos causa profunda decepção pela falta de diálogo, de respeito e de valorização ao professor”, mencionaram.
A principal crítica recai sobre a falta de equilíbrio nos reajustes acumulados. As representantes afirmam que, para manter a hierarquia da carreira, o índice correto de reposição deveria ser de 48,6%, entretanto, a busca da categoria é a luta pela compensação de um reajuste de 15%, percentual que deveria ter ocorrido há três anos, em proposta enviada, na época, para o Poder Executivo.
Na prática, a nova tabela cria situações desproporcionais. Um exemplo citado pelas representantes foi de uma professora com 10 anos de carreira que, após o reajuste, passaria a receber R$ 2.564,31, que é um valor abaixo do piso. Para atingir o mínimo legal, a prefeitura faria um “complemento” de apenas um real. O resultado é que uma professora recém-contratada entra ganhando praticamente o mesmo que uma profissional com uma década de experiência, anulando os ganhos por tempo de serviço e qualificação. “O cálculo aplicado gera uma distorção grave: professores em início de carreira passam a receber um reajuste de 21%, já os veteranos e o que estão no encerramento da carreira terão apenas 5,4%”, avaliaram.
De acordo com as representantes, cerca de 100 professores veteranos se encontram na situação de remuneração abaixo do piso e risco de desequiparação salarial.
SEM DIÁLOGO E SEM PLANO – Outro ponto de tensão é o Plano de Cargos e Carreira do Magistério, que não recebe uma atualização significativa desde 2014. De acordo com as representantes, embora uma reforma tenha sido discutida em 2023 com a análise de uma minuta de 120 artigos, o projeto acabou “engavetado” no setor jurídico da prefeitura. A categoria reivindica mais do que apenas o piso; pede valorização real, respeito e a retomada urgente das negociações, ressaltando que, apesar do descontentamento, o trabalho em sala de aula segue normalmente. “Somos professores, educadoras, os alunos não têm culpa. Continuamos trabalhando como sempre, dando nosso máximo, cumprindo e, até, fazendo além do que nos compete”, argumentaram.
PERSPECTIVA DO EXECUTIVO – Em entrevista à Rádio Cabiúna, no início de fevereiro quando anunciou o reajuste, o prefeito Jaelson Ramalho Matta defendeu as ações da gestão, argumentando que a administração precisa equilibrar as contas de todo o funcionalismo público, que soma 1.300 servidores.
O prefeito destacou avanços realizados na área da educação, como gestão democrática com a escolha de diretores feita pelo próprio quadro escolar; regularização de direitos com pagamento do terço de férias atrasado desde 2018 e atualização de avanços na carreira que estavam “congelados”; progressão direta com garantia de que novos professores com pós-graduação entrem diretamente no nível salarial correspondente (Letra C); a Hora-Atividade com implantação gradual da quinta hora para todo o quadro.
Sobre o piso, o prefeito sinalizou que a intenção de avançar na reposição em anos anteriores foi barrada pelo Tribunal de Contas do Paraná (TCE-PR).




