O bailarino Paulo Carneiro, de Bandeirantes, no Norte do Paraná, foi aprovado no projeto Núcleo Contextos, vinculado à companhia de dança dirigida por Jhean Allex, em São Caetano do Sul/SP. A conquista coroa quatro anos de dedicação e marca a mudança para a região metropolitana de São Paulo em busca da consolidação profissional.
O projeto funciona como um programa de formação artística destinado a bailarinos amadores e em processo de profissionalização. A audição ocorreu em etapa única em um domingo, das 10h às 16h30, reunindo aulas avaliativas de ballet clássico, dança contemporânea, jazz dance e danças urbanas.
Ao saber que havia sido aprovado, ele conta o que sentiu: “Eu quis chorar, mas não conseguia porque estava ansioso e nervoso, sem saber o que aconteceria agora ou como seria. Foi um misto de sentimentos muito grande para mim. Muita alegria e felicidade ao saber que fui capaz de ser aprovado em uma audição desse nível para continuar minha formação artística.”
TRAJETÓRIA – O interesse pela arte, segundo Paulo, começou ainda na adolescência, mas naquele período ele não chegou a seguir adiante. Durante a pandemia, em 2020, Paulo passou a assistir a peças e espetáculos em casa e voltou a se aproximar da arte. Em 2022, iniciou as aulas de dança com foco em teatro musical. Ainda naquele ano, encontrou na dança o caminho que queria seguir, após participar pela primeira vez de um espetáculo no final do ano. “Tive uma sensação diferente no meu coração. Eu meio que percebi: eu quero viver isso mais vezes, eu quero sentir novamente isso, esse frio na barriga, essa importância de estar ali em cima e fazer um trabalho que toque as pessoas”. Para Paulo, o trabalho nos palcos é resultado de uma rotina construída nos bastidores. Aluno da professora Maria Rita, em Bandeirantes, ele também acumulou experiências em eventos da área, como o Congresso Paranaense de Jazz Dance, dirigido por Thiago Barros, em Londrina. A partir dessas experiências, desenvolveu uma visão sobre a formação profissional na dança. “Eu tenho comigo que bailarino tem que amar a sala de aula. Não é só o palco que faz o bailarino. O que faz um bailarino crescer é a sala de aula, o trabalho constante de segunda a domingo, todo dia se dedicando para melhorar tecnicamente e artisticamente”.

Entre os desafios para manter essa rotina, o bailarino cita a conciliação com o trabalho, os cuidados físicos, como academia e pilates, e a falta de apoio à arte. “Outra dificuldade é a falta de apoio que nós temos, tanto aqui no interior quanto nas cidades grandes. Lá fora, nos Estados Unidos e em outros países, a arte é mais valorizada, enquanto aqui no Brasil ainda falta esse reconhecimento. Então, esse apoio financeiro faz falta para que a gente consiga se manter e continuar pagando as aulas, os cursos e os estudos necessários para melhorar”.
NOVOS CAMINHOS – Com a mudança para São Caetano do Sul, Paulo se prepara para uma rotina intensa de aulas e ensaios, de segunda a sexta-feira, com a expectativa de dar continuidade à sua formação artística e avançar na carreira.
A aprovação também representa, para ele, o reconhecimento de quem esteve presente durante sua formação. Paulo destaca a importância da professora Maria Rita e da escola Marie Studio de Dança em sua trajetória. “Se não fossem todos os ensinamentos, a confiança e a dedicação que ela teve comigo, eu não sei se o Paulo bailarino estaria aqui hoje, conquistando tudo isso”, declarou. (Por Carla Diniz e fotos arquivo pessoal)




