Paz e Bem, meu amigo e irmão, vamos falar sobre o bem-aventurado Francisco.
Primeiro Livro de sua conversão, de Tomás de Celano.
Exemplo do senhor de Óstia, e seu elogio.
O santo ouviu e disse: “Já que deste à cela o nome de Francisco, tomando posse dela para mim, que ela arranje outro morador, porque eu não vou mais morar lá. O Senhor, quando esteve no cárcere em que orou e jejuou por quarenta dias, não mandou fazer uma cela nem uma casa, mas ficou embaixo de uma rocha da montanha. Nós podemos segui-lo na forma determinada, deixando de ter qualquer propriedade, embora não possamos viver sem o uso de casas”. Este homem não só abominava a ostentação das casas como tinha horror a utensílios muito numerosos ou de valor.
Não gostava de nada que, nas mesas ou nos recipientes, recordasse o mundanismo, para que tudo cantasse a peregrinação e o exílio. Aconteceu que num dia de Páscoa, os frades prepararam no eremitério de Grécio uma mesa mais bonita, com objetos brancos e de vidro. Quando o santo pai desceu de sua cela e foi para a mesa, viu-a arrumada em lugar elevado e ostentosamente enfeitada: toda ela ria, mas ele não sorriu. Voltou às escondidas e muito devagar, pôs na cabeça o chapéu de um pobre que lá estava, tomou um bordão e foi para fora. Esperou lá fora à porta até que os frades começaram a comer, porque estavam acostumados a não esperá-lo quando não vinha ao sinal.
Quando iniciaram o almoço, clamou à porta como um pobre d de verdade: “Dai uma esmola, por amor de Deus, para um peregrino pobre e doente”. Os frades responderam: “Entra, homem, pelo amor daquele que invocaste”. Entrou logo e se apresentou aos comensais. Que espanto provocou esse peregrino! Deram-lhe uma escudela, e ele se sentou à parte, pondo o prato na cinza. E disse: “Agora estou sentado como um frade menor”. Dirigindo-se aos irmãos, disse: “Mais do que os outros religiosos, devemos deixar-nos levar pela pobreza do Filho de Deus. Vi a mesa preparada e enfeitada, e vi que não era de pobres que pedem esmola de porta em porta”.
O fato demonstra que ele era semelhante àquele outro peregrino que ficou sozinho em Jerusalém nesse mesmo dia de Páscoa. Mas, quando falou, deixou abrasado o coração de seus discípulos. Ensinava que nos livros devemos procurar o testemunho do Senhor e não o seu valor material; a edificação e não a aparência. Queria que fossem poucos e à disposição dos frades que precisavam. Por isso, quando um ministro lhe pediu licença para ter uns livros de luxo e muito preciosos, ouviu esta resposta: “Não quero perder pelos teus livros o livro do Evangelho, que professei.
Faz o que quiseres, contanto que não seja com a desculpa da minha licença”. Era tão grande a pobreza em questão de camas e cobertas, que alguém que tivesse algum pedaço de pano gasto para pôr em cima da palha achava que estava ocupando um leito nupcial. Na ocasião em que houve um capítulo em Santa Maria da Porciúncula, chegou o bispo de Óstia, com uma multidão de soldados e clérigos, para visitar os frades. …
Para louvor de Nosso Senhor Jesus Cristo Amém. (Continua na próxima edição – Programa
Francisco Instrumento da Paz). Paz e Bem.



