Paz e Bem, meu amigo e irmão, vamos falar sobre o bem-aventurado Francisco.
Primeiro Livro de sua conversão, de Tomás de Celano.
Repreensão a um irmão que quis guardar dinheiro com a desculpa da necessidade.
Se o frade se convencer de que o diabo está embaixo das penas, ficará contente com palha para a cabeça. Verdadeiramente acima de tudo amigo de Deus, desprezava tudo que é do mundo, mas, acima de tudo, detestava o dinheiro. Fez pouco dele desde o início de sua conversão, e aos seus seguidores sempre disse que deviam fugir do dinheiro como do próprio diabo. Esta era a astúcia dada aos seus, que deviam dar o mesmo valor ao esterco e ao dinheiro. Aconteceu por isso certo dia que entrou um secular para rezar na igreja de Santa Maria da Porciúncula, e pôs dinheiro de esmola junto da cruz.
Quando ele foi embora, um frade pegou o dinheiro com simplicidade e o jogou numa janela. O santo ficou sabendo que o frade fizera isso e ele, vendo-se descoberto, correu pedir perdão e se prostrou no chão e se oferecendo ao castigo. O santo o repreendeu e lhe disse coisas muito duras por ter tocado o dinheiro. Depois mandou que o pegasse na janela com a boca e que assim o levasse para fora da cerca do lugar e colocasse em cima de esterco de asnos. O frade obedeceu de bom grado e os presentes ficaram cheios de temor. Tiveram ainda maior aversão pelo dinheiro que assim tinha sido comparado ao esterco e se encorajavam a desprezá-lo cada dia com novos exemplos.
Certa vez dois frades viajavam e chegaram perto de um hospital de leprosos. No caminho, encontraram uma moeda, pararam e ficaram discutindo sobre o que deviam fazer com aquele esterco. Um deles, rindo-se dos escrúpulos do confrade, tentou pegar o dinheiro para levá-lo aos enfermeiros dos leprosos. O companheiro proibiu-o de ser enganado por uma falsa piedade, desprezando temerariamente o preceito da Regra, que dizia muito claramente que dinheiro achado deve ser pisado como pó. Mas o outro endureceu a mente diante das admoestações, porque sempre tinha sido de cabeça dura. Desprezou a Regra, abaixou-se e apanhou a moeda. Mas não escapou ao julgamento divino. Perdeu a fala na hora, rangia os dentes e não podia se comunicar. Dessa maneira, o castigo fez bem para o louco, e a punição ensinou o soberbo a obedecer às leis do pai.
Finalmente, jogou fora aquele fedor, e seus lábios poluídos, lavados na água da penitência prorromperam em louvores. É velho o ditado: “Corrige o néscio e terás um amigo”. Uma ocasião, Frei Pedro Cattani, vigário do santo, considerando que uma multidão de frades de fora freqüentava Santa Maria da Porciúncula, e que as esmolas não eram suficientes para prover o necessário, disse a São Francisco: “Irmão, não sei o que fazer quando vêm grupos de irmãos de toda parte e não tenho o suficiente para lhes oferecer. Peço que permitas guardar algumas coisas quando entram noviços, para recorrer a elas no tempo oportuno”. “Irmão caríssimo, respondeu o santo, longe de nós essa piedade. Não vamos ofender a Regra para servir quem quer que seja”. “Que farei, então?”, disse o frade. …
Para louvor de Nosso Senhor Jesus Cristo Amém. (Continua na próxima edição – Programa
Francisco Instrumento da Paz). Paz e Bem.


