Franciscologia

Paz e Bem, meu amigo e irmão, vamos falar sobre o bem-aventurado Francisco.

Segunda Vida, de Tomás de Celano.

Como deu a alguém uma capa para que não odiasse a seu senhor.

A velhinha sorriu espantada, não sei de medo ou de alegria, e pegou o pano das mãos dele. Correu depressa, e, com medo de demorar muito e ter que devolver, cortou-o com a tesoura. Mas quando viu que o pano cortado não ia dar para o vestido, a experiência do primeiro favor fez com que voltasse ao santo para mostrar que a fazenda era pouca. O santo voltou os olhos para o companheiro, que levava nas costas o mesmo tanto de fazenda e lhe disse: “Estás ouvindo, irmão, o que diz essa pobrezinha? Vamos suportar o frio por amor de Deus. Dá o pano para a pobrezinha acabar o vestido”.

Ele tinha dado, o companheiro também deu, e os dois ficaram despidos para que a velhinha se vestisse. Outra vez, voltando de Sena, encontrou um pobre e disse ao companheiro: “Temos que devolver a capa a este pobrezinho, irmão, porque é dele. Nós a recebemos por empréstimo, até encontrarmos alguém mais pobre do que nós”. O companheiro, vendo a necessidade em que se achava o piedoso pai, resistiu firmemente para que não ajudasse o outro à sua custa. Mas o santo retrucou: “Não quero ser ladrão. Ser-nos-ia imputado como roubo se não déssemos ao que precisa mais”.

O outro desistiu, e ele deu a capa. Coisa semelhante aconteceu em Celle di Cortona. O bem-aventurado usava uma capa nova, que os frades tinham conseguido para ele com muito esforço. Chegou um pobre ao lugar, chorando a morte da esposa e a família que tinha ficado pobrezinha. Disse o santo: – “Por amor de Deus, eu te dou esta capa, com a condição de não a dares a ninguém, a não ser que pague bem”. Correram logo os frades para tirar a capa e impedir essa doação. Mas o pobre ficou ousado pela expressão de apoio do santo pai, agarrou-a e defendeu-a à unha como sua. No fim, os frades compraram a capa, e o pobre foi embora com o seu pagamento.

Certa vez, em Colle, no condado de Perusa, São Francisco encontrou um pobrezinho que já conhecera quando estava no século. Perguntou-lhe: “Como vais, irmão?” E ele, mal humorado, começou a amontoar maldições contra seu patrão, que lhe tinha tirado tudo que era seu: “Por causa de meu patrão – que Deus todo-poderoso o amaldiçoe! – só estou passando mal”. O bem-aventurado Francisco, com mais pena de sua alma que de seu corpo, por causa desse ódio mortal, disse-lhe: “Irmão, perdoa o teu patrão por amor de Deus, para libertares tua alma, e para haver possibilidade de ele devolver o que tirou. Senão, além de perderes tuas coisas, perderás tua alma também”.

Ele respondeu: “Não posso perdoar de maneira alguma se ele não devolver primeiro o que me pertence”. Como estava com uma pequena capa nas costas, São Francisco disse: “Eu te dou esta capa e te peço que perdoes teu patrão em nome do Senhor Deus”. Acalmado, e comovido com o presente, o homem recebeu a capa e perdoou as injúrias. …

Para louvor de Nosso Senhor Jesus Cristo Amém. (Continua na próxima edição – Programa

Francisco Instrumento da Paz). Paz e Bem.

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