Franciscologia

Paz e Bem, meu amigo e irmão, vamos falar sobre o bem-aventurado Francisco.

Primeiro Livro de sua conversão, de Tomás de Celano.

Da fome que predisse para depois de sua morte.

Nos últimos tempos de sua doença, teve vontade de comer aipo, tarde da noite, e o pediu com humildade. Chamaram o cozinheiro para que o trouxesse, mas ele respondeu dizendo que não poderia colher nada na horta: “Eu apanho aipos todos os dias, e já cortei tanto, que até com a luz clara mal consigo achar algum. Quanto mais, com as trevas de agora, nem seria capaz de distingui-lo das outras ervas”. Mas o santo disse: “Vai, meu irmão, e para não te dar trabalho, traz as primeiras ervas em que puseres as mãos”.

O frade foi à horta, arrancou as primeiras plantas que encontrou, sem enxergar, e as trouxe para casa. Os frades olharam as ervas silvestre e, revirando-as, encontraram entre elas um aipo folhudo e tenro. O santo comeu um pouquinho e ficou muito confortado. E disse o pai aos irmãos: “Irmãos caríssimos, cumpri as ordens sempre à primeira palavra, sem esperar que sejam repetidas. Não fiqueis pensando na impossibilidade porque, mesmo que eu desse alguma ordem acima das forças, a própria obediência tem suas forças”. Até esse ponto o dotara-o o Espírito Santo com o dom da profecia.

Os santos às vezes são obrigados pela força do Espírito Santo a falar coisas maravilhosas a respeito de si mesmas: quando é a glória de Deus que exige revelar a palavra, ou há alguma exigência da caridade para edificação do próximo. Foi por essa razão que, um dia, o santo pai a um frade a quem tinha grande estima contou esta palavra que tirara então de seu segredo familiar com a Majestade: “Em nossos dias, existe na terra um servo de Deus, por quem o Senhor não vai permitir que a fome se abata sobre a humanidade enquanto ele viver”.

Não tinha vaidade nenhuma, mas expressou o santo relacionamento, para nossa edificação em palavras santas e modestas, aquela santa caridade que não busca o que é seu. E nem devia mesmo esconder com um silêncio inútil tão admirável prerrogativa da predileção de Cristo para com seu servo. Todos os que vimos sabemos como foram calmos e pacíficos os tempos enquanto o santo viveu, e como transbordaram na fertilidade de todos os bens. Não havia fome da palavra de Deus, porque as palavras dos pregadores eram então cheias de maior virtude, e os corações de todos os ouvintes eram mais aprováveis por Deus. Refulgiam os exemplos de santidade na figura dos religiosos, a hipocrisia dos “caiados” ainda não tinha atacado tantos santos, e a doutrina dos “transfigurados” ainda não tinha despertado tanta curiosidade.

Era justo que houvesse abundância dos bens temporais quando todos tinham tanto amor pelos bens eternos. Quando ele nos foi tirado, houve uma alteração e tudo ficou diferente. Guerras e revoluções se espalharam por toda parte, e de uma hora para outra, muitos reinos foram invadidos por calamidades mortais. …

 

Para louvor de Nosso Senhor Jesus Cristo Amém. (Continua na próxima edição – Programa

Francisco Instrumento da Paz). Paz e Bem.

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