Paz e Bem, meu amigo e irmão, vamos falar sobre o bem-aventurado Francisco.
Primeiro Livro de sua conversão, de Tomás de Celano.
A providência das coisas futuras e como confiou à Igreja de Roma, e sobre uma visão.
E eis que veio de céu um esplendor enorme, que se difundiu por todos e a cada um deu luz e a desejada saúde. O valoroso soldado de Cristo nunca poupava o corpo, expondo-o, como se nem fosse o seu, a toda espécie de injúrias, por atos ou palavras. Se alguém tentasse numerar todos os seus sofrimentos, ultrapassaria os que nos são referidos pelo Apóstolo sobre os santos. Da mesma maneira, toda aquela sua primeira escola submetia-se a todos os incômodos, a ponto de julgar mal se alguém ambicionasse alguma outra coisa que não fosse à consolação do espírito.
Pois como se cingiam e vestiam com círculos de ferro e cilícios, macerados por muitas vigílias e jejuns contínuos, muitas vezes teriam desfalecido, se não abrandassem um pouco o rigor de tamanha abstinência pelas admoestações atentas do piedoso pastor. Certa noite, quando todos descansavam, uma daquelas ovelhas começou a gritar: “Estou morrendo, irmãos, estou morrendo de fome!” O valoroso pastor levantou-se imediatamente e se apressou a acudir sua ovelhinha doente com o devido remédio. Mandou preparar a mesa, embora cheia de rústicas iguarias, onde havia água no lugar de vinho, como era freqüente.
Ele mesmo começou a comer e, por caridade, para que o irmão não ficasse envergonhado, convidou também os outros irmãos. Depois de terem tomado o alimento no temor do Senhor, para que nada faltasse ao dever da caridade, contou-lhes o pai uma longa parábola sobre a virtude da discrição. Mandou que o sacrifício oferecido a Deus fosse sempre temperado com sal (cfr. Lv 2,13) e aconselhou carinhosamente cada um a levar em conta as próprias forças quando pensa em prestar obséquio a Deus. Afirmou que tanto era pecado deixar de dar o que era devido ao corpo quanto dar-lhe o supérfluo por gula.
E acrescentou: “Deveis saber, caríssimos, que agora comi por cortesia e não por gosto, porque assim mandava a caridade fraterna. Tomem como exemplo a caridade e não a comida, porque o comer serve à gula, e a caridade ao espírito”. Progredindo o santo pai continuamente em merecimentos e em virtude, e tendo os seus filhos aumentados muito em número e em graça, pois estendiam até os confins do mundo seus ramos carregados de frutos maravilhosos, começou a pensar mais freqüentemente no que teria que fazer para conservar e fazer crescer aquela plantação nova atada com o vínculo da união. Percebia que havia muitos que eram como lobos enraivecidos contra o seu pequeno rebanho.
Inveterados nos dias maus, buscavam pretexto para prejudicá-los só porque era uma novidade. Previa que mesmo entre seus próprios filhos poderiam suceder coisas contrárias à santa paz e unidade e temia que, como pode acontecer muitas vezes entre os escolhidos, pudessem aparecer alguns, inflados pelo sentido de sua carne, dispostos a contendas e inclinados aos escândalos...
Para louvor de Nosso Senhor Jesus Cristo Amém. (Continua na próxima edição – Programa
Francisco Instrumento da Paz). Paz e Bem.


