Direito

Não é tarefa fácil descrever e encontrar soluções para o dia a dia do profissional de direito contemporaneamente. Agora, imagine como seria traçar seu futuro durante uma pandemia ou depois dela. Mais difícil, ainda, será prever o futuro desse profissional, caso não se adeque às novas tecnologias presentes em todas as esferas de sua atuação.  Por exemplo, a advocacia não dialoga mais com o passado e prova disso é o uso da tecnologia para contagem de prazos processuais, para a distribuição de demandas ao Poder Judiciário e para a efetivação de audiências, instrumentos estes fundamentais diante do que o novo modelo processual exige. De outro lado, e por consequência, o magistrado se vê guiado pela rede mundial de computadores para decidir a honra, a imagem e a vida do ser humano, inevitavelmente. Da mesma forma ocorre com o Ministério Público, com a Defensoria Pública e com todos os profissionais que movimentam a máquina judiciária em prol da efetivação de uma tutela justa. É e sempre será um desafio.

 Não é de hoje que o professor, em sala, já não é mais o agente protagonista do processo de aprendizagem, mas sim o discente. Superado o modelo tradicional de educação, o aluno, nos dias de hoje, assume a posição central na produção e na descoberta do conhecimento – à luz do que preconiza uma abordagem, diria, humanista de aprendizagem e de métodos progressistas da educação no século XXI.

Ocorre que a situação enfrentada nos últimos meses, exigirá dos profissionais de direito maior preparo desde os bancos acadêmicos, para que possa enfrentar demandas diferenciadas, antes não encontradas. Temos visto o esforço homérico dos Tribunais para adequar a falta de estrutura geral, às audiências virtuais. No mesmo sentido, a impossibilidade técnica das partes nos processos para participarem de tais eventos, em suas casas. Nesse cenário, o profissional de direito do futuro deverá ser o agente – não só facilitador, mas também – solucionador de tais demandas que já não são mais somente jurídicas, mas sim jurídico-sociais.

Por essa razão, a metodologia de ensino adequada fará toda diferença não somente ao profissional do direito enquanto aluno, mas à sociedade que se beneficiará com o ofício de pensadores e solucionadores de conflitos – não de meros repetidores de lições antigas ou leitores de códigos legais.

Nessa linha, o progresso no aprendizado é fator primordial. Profissionais que pensaram o direito em casos práticos, em sala de aula invertida com a resolução de conflitos, que desenvolveram a criatividade e que, desde o início fizeram da tecnologia um aliado, enfrentarão o mercado de trabalho e serão instrumentos de uma justiça efetiva no futuro.

O mestre José Joaquim Calmon de passos parecia prever, magistralmente, o anseio de um profissional de direito nos dias de hoje ao lecionar que “Não basta a anatomia. Há de mister que os aprendizes de hoje tenham sob os olhos e em suas mãos a vida estudante, corações que palpitem ao ritmo incansável das sístoles e das diástoles, tecidos que reajam ao toque mais brusco ou menos exato, lábios que praguejem e roguem, imprequem e orem; enfim, que lhes confiem vidas humanas, destinos e não corpos embalsamados. Indispensável também a fisiologia”.  Arrisco dizer que a fisiologia, nos dias de hoje, pede investimento nos bancos acadêmicos e a apresentação da tecnologia, como aliada a um ensino de qualidade.

Rogério Piccino Braga, Pós-doutor pela Universidade de Coimbra – Portugal, coordenador do Curso de Direito da Unopar Bandeirantes

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