Vista aérea do Parque do Povo, ainda sem arborização (fotografia obtida a partir da internet)

Walter de Oliveira*

De volta à nossa imaginária viagem no tempo e na história, quando falamos dos nossos gestores e legisladores do município, é mister que seja feita a seguinte correção: Em nosso artigo anterior, ao mencionarmos os registros das principais realizações das gestões Celso Silva, dissemos, no item “a” (relativo ao “Parque do Povo”, que a concepção daquele aprazível e útil espaço público se deu na gestão Nilton De Sordi Júnior (Juba), assim como os primeiros passos com vistas a que ele viesse existir. Tais afirmações, contudo, resultaram de um erro em pesquisas sobre o assunto, eis que o “Parque do Povo”, desde a sua concepção, foi ideia do próprio prefeito Celso Silva, que ouvia da população muitas reclamações pela falta de um local adequado para o povo da cidade, tê-lo como “seu”, onde as famílias pudessem se encontrar para atividades de lazer e desfrutar de momentos ociosos.

Para fins de conhecimento público (sobretudo dos mais jovens), é bom lembrarmos da situação física da imensa área que o abriga, e que antes, era conhecida apenas por “Olaria”, em razão de ser ali que ficava – e por muitos anos funcionou – a olaria da Fazenda Bandeirantes, das famílias Meneghel e Zambon. Tratava-se de um imenso “banhado”, que por sua situação geofísica, era quase que permanentemente uma “lagoa”, que sempre coberta por capim e vegetação nativa, era, inclusive, local de proliferação de pernilongos e mosquitos, dentre os quais o “aedes aegypti” (mosquito da dengue).

Atento e astuto observador, Celso Silva sabia, de há muito, que situada em local circundado por vilas, a área da “Olaria” precisava ser urbanizada. Não querendo se precipitar em nada, Celso consultou pessoas da cidade e também da sua assessoria, sobre o que fazer para mudar o pouco agradável aspecto daquele “banhado”, como muitos chamavam o local. Sobre que destino dar ao lugar, os palpites foram os mais diversos, e entre outros, o de transformá-lo numa grande “horta municipal” e/ou conjunto de casas populares.

De posse do leque de opiniões, Celso Silva se pôs à análise de cada uma e depois passou a compará-las com a que ele, de moto próprio, vinha há tempos imaginando. A sua opinião, de o que fazer com a área da “Olaria”, outra não era, senão a de transformá-la em um espaço de uso público. E na comparação com as várias outras, venceu a que ele concebera. A da “horta municipal” (embora bastante atraente), renderia mais problemas que benefícios, e isso, por razões as mais óbvias, e a de casas populares (coisa que, como se verá, ele foi dos que mais fizeram nas gestões até aqui relatadas), a área era simplesmente inviável, sobretudo pela questão de saneamento básico.

Escolhido o destino para a área, foi a vez de cuidar das tratativas com as famílias suas proprietárias, cujos representantes, Paulo Antônio Meneghel e Roldão Zambon (o primeiro já de saudosa memória), conhecidos por serem desprendidos para com as causas de interesse público, não opuseram qualquer dificuldade nas negociações, e a área da “Olaria” passou ao domínio do município.

Embora e por questão de foro íntimo, nos incomode informar, era então Secretário de Planejamento do município, o nosso filho Wanderson, ao qual Celso Silva incumbiu das tratativas com os donos, e cuja honrosa tarefa foi até certo ponto, bastante facilitada pelo longo e estreito relacionamento dele, Wanderson, com os seus dois ilustres e já citados representantes.

Ainda e mais um detalhe (e dos mais significativos), coube ao arbítrio do prefeito Celso Silva, o nome que se daria à praça. Felizmente, não fez parte das condições negociais da área, que a futura praça homenageasse algum nome de integrante das duas famílias (coisa de ocorrência comum em tais casos). Poderia Celso homenagear a memória de um seu ascendente familiar. Imortalizar ancestrais através desse expediente (dando nomes às obras públicas) é fato normal e sabidamente recorrente (o próprio Celso o faria em outras ocasiões). Mas aqui, no caso da futura praça, local de encontro das famílias, do povo, Celso nem sequer pestanejou, e foi taxativo: o nome seria “Parque do Povo”. Pensamos – e achamos que corretamente – que ele deve ter lembrado da célebre e bastante conhecida frase do poeta Castro Alves: “A praça é do povo, como o céu é do condor”. E o nome, todos sabemos, foi do pleno agrado do povo.

Corrigido o nosso equívoco do artigo anterior (e que ocupou quase todo o espaço de hoje), voltamos à narrativa interrompida, quando dizíamos da alegria infantil, proporcionada pelos brinquedos ali instalados e da admiração delas com o bando de gansos elegantemente deslizando sobre as águas dos seus dois lindos lagos. Cenas triviais para nós, adultos, mas indelevelmente cristalizadas na imaginação infantil. A exemplo do que ocorre hoje conosco, ao relembrarmos os “peixinhos dourados” nadando nos espelhos d’água da antiga praça Marechal Deodoro, serão essas crianças que adultas, e morando em outras cidades (além-fronteiras e até além-mar, como a Anita Balduíno, na Espanha), e que conduzidas pelo milagre da imaginação, verão a si próprias e sob a vigilância materna, jogando chips ou pipocas para os sempre gulosos gansos do parque.

Mas, para além das distrações infantis, o Parque do Povo tem ainda as suas quadras de areia, locais preferidos dos nossos adolescentes, amantes dos esportes; tudo isso e mais ainda: as duas e paralelas pistas, em formato oval, para as diárias e terapêuticas caminhadas (e corridas) de centenas de bandeirantenses, as quais bem iluminadas, são usadas também por muitos, que somente à noite podem fazer suas caminhadas. E por último, não podemos esquecer da pista de skate e da já tradicional “Feira da Lua”, realizada todas as noites de quinta-feira, para onde acorrem centenas de pessoas que ali “papeiam” (e muitos namoram), enquanto saboreiam o que de melhor existe em termos de pastéis, espetinhos e outras delícias, acompanhadas de um bom chopp gelado, sucos e refrigerantes.

Continua.

* Walter de Oliveira, 93, articulista desta Folha, é bandeirantense, nascido em 1932

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