Centro Estadual de Educação Profissionalizante Ozório Gonçalves Nogueira, principal obra da gestão Celso Silva (foto obtida no Facebook da instituição)

Walter de Oliveira*

Retornamos à nossa imaginária viagem no tempo e na história, quando, listando os gestores e legisladores do município, estamos falando daqueles que são (ou foram) os antepenúltimos dos que constarão no nosso livro de resgate histórico: começando com o engenheiro Rafael Antonacci (que, nomeado por decreto do Interventor Manoel Ribas, foi o primeiro a gerir o então recém-criado município (1935 / 1936), estamos agora na primeira gestão Celso Silva, depois sucedido por Lino Martins (segunda gestão), que entregou a “chave” do município a Jaelson Ramalho Matta, hoje na sua segunda gestão.

Se iniciamos o artigo de hoje com essa observação, é para informar aos nossos numerosos leitores, que a nossa viagem se aproxima do final da “primeira etapa” da nossa história municipal. Uma história que teve o seu começo nos idos de 1850, quando do pedido, junto ao governo do estado, do registro da “Posse Fazenda Laranjinha”, cujo linha divisória leste era o Rio das Cinzas e a linha oeste, o Ribeirão do Veado, já nas proximidades de Cornélio Procópio (50 mil alqueires de terras em mata virgem).

E quando dizemos “primeira etapa”, é porque o nosso trabalho é um relato, e como o diz o próprio nome, não pode ultrapassar os tempos pretérito e presente. O relato da segunda e próximas etapas da nossa história (que continuará a ser feita pelas iniciativas e realizações das “forças vivas” da população), é coisa do futuro, e que certamente será “retomado” por alguém, eis que, a sua grande, natural e edificante motivação é inerente à própria natureza humana.

Isto posto, voltamos aos registros de algumas outras (dentre muitas) realizações ocorridas nas duas gestões do prefeito Celso Benedito da Silva, quando nos “fragmentos” da edição anterior, mostramos aquele ainda jovem e estreante político, numa iniciativa que evidenciou visão e competência, ao mesmo tempo que urbanizou uma área central, alagadiça e coberta por um “taboal”, deu à população bandeirantense (sobretudo às crianças e adolescentes) aquilo que de há muito lhe tinha sido tirado: a magia de uma praça pública. Vamos então à segunda grande realização das gestões Celso Silva, o CEEP – Centro Estadual de Educação Profissional Ozório Gonçalves Nogueira.

Esta obra, segundo nos declarou o próprio Ex-prefeito Celso, ele a considera como a maior realização dos seus oito anos frente à prefeitura de Bandeirantes, e isso pelos seus bons e excelentes resultados. Voltado para a aprendizagem que prioriza o desenvolvimento de competências e habilidades técnicas de quase seiscentos estudantes, anualmente; todos saem dali devidamente habilitados às demandas do mercado de trabalho.

Situado no Jardim Yara (no trecho final-sul da Rua São Paulo), o CEEP Ozório Gonçalves Nogueira está em uma área de 8.000 m2, que a prefeitura municipal comprou das famílias Meneghel e Zambon, e doou ao Estado do Paraná. Essa importante unidade escolar foi construída com recursos oriundos do MEC/FNDE/SEED, e é mantida pelo governo do estado do Paraná. Os cursos ofertados, com aulas ministradas nos períodos da manhã, tarde e noite, são os de Nível Integrado (Administração, Alimentos, Desenvolvimento de Sistemas e Mecatrônica) e de Nível Subsequente (Alimentos, Cozinha, Eletrotécnica, Enfermagem e Mecatrônica). O curso de enfermagem é o “carro chefe” da escola, segundo a professora Márcia Lucila Sauer Augusto, da rede estadual de ensino e sua diretora desde outubro de 2017 (é diretora auxiliar a professora Keila Aparecida Ferreira Vasconcelos, também da rede estadual de ensino). Com a área construída de 6.500 m2, esse CEEP conta com as salas da diretoria, secretaria, sala de professores, laboratório (dos melhores aparelhados) e 12 salas de aula; a responsabilidade de ministrar as aulas dos cursos, em suas mais diversas disciplinas, está a cargo de um staff de 98 professores, com cursos de aperfeiçoamento “padrão MEC”, e uma equipe de 22 funcionários plenamente capacitados para exercerem as suas funções.

Para informação dos nossos ilustres leitores (população bandeirantense) e que é o móvel deste relato, dos 399 municípios do Paraná, apenas 8 conseguiram (à época, 2015) ganhar esse benefício escolar profissionalizante, o que diz, em alto e bom som, o empenho com que se houve o prefeito Celso Silva para lograr tal e retumbante êxito. Hoje, décimo ano desde a sua instalação, o CEEP Ozório Gonçalves Nogueira, já formou 1.100 alunos, totalmente capacitados para ingressar no mercado de trabalho, plenamente habilitados para exercerem suas atividades.

Um outro informe que nos cumpre passar aos nossos ilustres leitores, é quanto ao “patrono” do CEEP. Vindo de São Paulo para Bandeirantes em julho de 1930, quando a nascente Bandeirantes pertencia ao povoado anteriormente (e depois novamente) chamado “Invernada”. A Bandeirantes de hoje, era então apenas uma densa e levantada mata virgem, que acabara de ser invadida pelos trilhos da ferrovia São Paulo – Paraná. Aqui chegando, logo após a inauguração da estação ferroviária (e indo morar no distrito de Bandeirantes, domínio de João Cravo), Ozório Nogueira (como era conhecido e chamado) juntou-se a Eurípedes Mesquita Rodrigues, e a nossa história conta como fundaram a cidade que ostenta a segunda cruz de aço mais alta do mundo (do Santuário São Miguel Arcanjo).

Sabedor de tudo que Ozório fez por Bandeirantes, e apesar disso, não existir na cidade qualquer destaque público para o seu nome, Celso Silva fez valer a sua prerrogativa de primeiro mandatário municipal e corrigiu essa distorção e/ou injustiça. O deputado Luiz Cláudio Romanelli, atendendo pedido de Celso, apresentou projeto de lei, que aprovado na Assembleia Legislativa do estado, reabilitou a memória daquele ilustre pioneiro, tirando-o do esquecimento e anonimato em que se achava. Prova disso, foi a alegria e júbilo demonstrado pelos seus netos, na cerimônia de inauguração do CEEP, a que compareceram a convite do prefeito.

Este nosso registro (que pode soar exagerado) cumpre o dever de mostrar um sempre raro resgate de memória, e realçar o também raro desprendimento de um prefeito, que tomou aquela iniciativa, simples e tão somente visando à correção de uma das mais absurdas e gritantes injustiças que jaziam nas páginas da nossa história. Passaremos a seguir, a mais uma das obras que marcaram as duas gestões de Celso Silva.

Continua.

* Walter de Oliveira, 93, articulista desta Folha, é bandeirantense, nascido em 1932

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui