CIRETRAN e DELEGACIA DE POLÍCIA, construídos na primeira gestão de José Fernandes da Silva (fotografias obtidas a partir da internet

Walter de Oliveira*

Conforme anunciado nos “fragmentos” da semana passada, iniciaremos esse novo “trecho” da nossa viagem na história, relatando como se deu o pleito eleitoral de 2004, que pela terceira vez elegeu José Fernandes da Silva, prefeito municipal de Bandeirantes, até hoje o único caso na história do município.

Como anteriormente dito, já então vigindo o instituto da reeleição (criado pela Emenda Constitucional nº 16/97), e “bem avaliado” que era como o mandatário no poder, Nilton De Sordi Júnior (Juba), teria sido reeleito com a maior tranquilidade. Todavia, não o quis, contrariando a expectativa popular reinante.

O fato – obviamente inusitado – terminou por revelar o desejo de ao menos dois de seus companheiros (estamos falando de Juba) disputarem a sucessão: os médicos Vítor Ângelo de Araújo e Paulo Yorito Miyoshi, cujos respectivos companheiros de chapa eram Carlos Gôngora e Odair Busato (o vice de José Fernandes foi Júlio César Von Der Osten, o Cesinha).

O inimaginável (um eufemismo de “pouco inteligente”) racha do grupo, que quatro anos antes elegera Juba, “caiu do céu” como um presente para José Fernandes, que desde o meio da quase desnecessária campanha, se apresentava ao eleitorado como o “futuro prefeito”; e não deu outra, embaldes foram os muitos esforços (e recursos) dispendidos pelas campanhas dos outros dois candidatos. Na verdade, o que o dividido grupo fez, foi abrir e pavimentar o caminho para José Fernandes chegar – repetimos – pela terceira vez à chefia e comando do município (coisa que ele, via reeleição, tentaria novamente em 2008, e só não conseguindo pelo surgimento do “novato” Celso Silva, como ainda relataremos no presente artigo). Encerradas e apuradas as eleições, os boletins das urnas deram-lhe uma esmagadora vitória: 9.380 votos, contra 5.279 de Paulo Yorito Miyoshi e 4.572 de Vítor Ângelo de Araújo.

Nominaremos a seguir os candidatos que foram eleitos e compuseram a respectiva legislatura, cujo número de integrantes, por força de decisão judicial, foi reduzido de treze para nove vereadores, a saber: Paulo Aparecido Ferreira Barbosa, o Paulinho Serralheiro (1.368 votos), José Fernandes da Silva Júnior, Zé Bolinha (924 votos), Marlene Rosi Vilela Gonçalves (835 votos), Vanderlei Ferreira da Cunha, o popular Dei (832 votos), José Roque de Moraes, o Rosinha (812 votos), Luiz Carmelo Comegno (691 votos), Francisco de Assis Goulart Barbosa, o Chiquinho da Identidade (655 votos), Antônio Carlos Barbosa (604 votos) e José Francisco de Almeida, o Zé Feio (585 votos).

Essa composição da edilidade sofreu, também por decisão judicial, as seguintes alterações, segundo informações passadas pelo diretor de secretaria da câmara municipal, o advogado Roberto da Silva: José Francisco de Almeida (Zé Feio), perdeu o mandato, por incorrer na chamada “infidelidade partidária”, quando mudou para outro partido. Ocorrida a vacância no cargo, assumiu-o a suplente Aureliana Balla (esposa do empresário Paulo Roberto Balla), que havia obtido, como suplente, 388 votos. Por igual motivo (infidelidade partidária), também perdeu o seu mandato o vereador Luiz Carmelo Comegno, que foi sucedido pelo suplente Luiz Raimundo dos Santos, que havia obtido nas urnas, 266 votos. Tivemos ainda a terceira vacância de cargo, quando o campeão de votos, vereador Paulinho Serralheiro incorreu também na infidelidade partidária, sendo sucedido pelo suplente Humberto Leite (232 votos). Ocorre, porém, que a suplente Sônia Regina Zamboni, do mesmo partido que Humberto Leite (PSDB), e que obtivera 555 votos (mais que o dobro dos 232 de Humberto), pleiteou e ganhou – por decisão do TSE – o lugar. Essas três perdas de mandato e as suas respectivas substituições, ocorreram já em meados de 2008, último ano da legislatura. E no caso da vacância deixada pelo Paulinho Serralheiro (e após a disputa entre os dois suplentes citados), o suplente Humberto Leite exerceu a vereança por apenas sessenta e sete dias, talvez o mais curto mandato de vereador do município.

E assim se encerra o relato do ocorrido com a eleição de 2004. Quanto às principais realizações desta gestão, (a terceira e última de José Fernandes da Silva), lembramos aos leitores que ao relatarmos a sua primeira gestão, listamos todas as suas principais realizações, para o que, inclusive, contamos com a sua ajuda para enumerá-las. E isso graças ao auxílio de Zé Bolinha, seu filho e sucessor nas lides políticas, posto que aquele vigoroso militante da política se achava em tratamento da enfermidade que o vitimou em recentes dias, transportando-o para o plano da história.

Cuidaremos agora do pleito eleitoral de 2008, que ensejou o surgimento de uma nova liderança nas hostes da política local, e até para além dos limites do município. Estamos nos referindo ao empresário Celso Antônio Silva, mais conhecido por Celso Silva. Bandeirantense da zona rural do município, Celso é o caçula dos cinco filhos varões do “seo” Olímpio Messias da Silva, mais conhecido por “seo” Tito. Seus primeiros bancos escolares foram em nossa cidade, na qual, a exemplo de todo garoto, gastava seu tempo nos folguedos da idade, dentre os quais o futebol de rua, não raro, de pés descalços. E quis o destino que fosse esse passatempo – o futebol de rua – e graças a uma certa sua afinidade com a bola, que ele foi notado por “certo estudante de agronomia”, o qual muitos anos depois, já diplomado nas ciências agronômicas e diretor da escola em que estudara, empregou-o como auxiliar, lotado na diretoria, dando-lhe com isso, um “norte de vida”, talvez, ou jamais sonhado pelo garoto nascido no bairro Água do Caia. O referido estudante de agronomia era Osmar Fernandes Dias e a escola era a FFALM – Fundação Faculdades de Agronomia Luiz Meneghel, talvez hoje o mais importante campus da UENP – Universidade Estadual Norte do Paraná, com o nome do seu lendário patrono.

Continua.

* Walter de Oliveira, 93, articulista desta Folha, é bandeirantense, nascido em 1932

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