Fachada da empresa Nutritop, em funcionamento ininterrupto desde 1995 na Incubadora Industrial em Bandeirantes (foto obtida na internet, a partir do aplicativo Maps do Google)

Walter de Oliveira*

Após um mês ausente destas páginas (por motivo de viagem a Cuiabá-MT, e depois por conta de um forte resfriado – do qual já estamos recuperado), eis-nos de volta aos registros dos “fragmentos” da história de Bandeirantes, que pretendemos, se Deus quiser, tê-la publicada em livro até o final do corrente ano. Na verdade, gostaríamos de entregá-la ao nosso público no dia 14 de novembro próximo, por ocasião das comemorações do 91º aniversário do município, mas já nos convencemos de que tal não será possível; mas sim, nos festejos natalinos.

De volta à viagem no tempo e na história, lembramos que no artigo anterior, falávamos das eleições municipais de outubro de 1992, em que os eleitores bandeirantenses elegeram seu prefeito, o primeiro bandeirantense “de nascimento”, Alécio Zamboni Netto, que, como anteriormente dito, iniciou a sua ligação com os trabalhos municipais, ainda na administração Moacyr Castanho, em uma função das mais humildes: um “roçador” das laterais das estradas municipais. Todavia, por sua maneira de ser e agir, chegou à chefia do município por seus méritos pessoais, vale dizer, notado por todos os prefeitos com os quais trabalhou, sendo José Fernandes da Silva o último deles; foi ele, José Fernandes, que “bancou” o seu nome como candidato, em detrimento do nome do doutor Ilton de Souza Guerra, então vice-prefeito de José Fernandes. Vale também dizer, que o próprio doutor Ilton concordou com a indicação, como a mais acertada para a disputa, face ao que mostravam as pesquisas de opinião pública.

Mas dizíamos no final daquele artigo, que no próximo (este), passaríamos a listar algumas das principais realizações da gestão “Zamboni”, o que faremos agora, com destaque ao projeto “Casulo” (leia-se empresas que se instalaram no armazém do IBC, notadamente a Nutritop). Como também já referido anteriormente, em suas reflexões pessoais, Alécio concluiu que o município precisava expandir, ou incrementar mais, as atividades geradoras de empregos e, obviamente, de rendas, com o consequente robustecimento do erário público, sempre com vistas ao carreamento de benefícios à população. Foi assim, que a sua primeira iniciativa, foi reunir-se com seu secretário do comércio e indústria, Paulo Roberto Balla (que até hoje não entendemos nunca ter sido prefeito do município) e expôs-lhe o seu propósito administrativo (geração de empregos e fortalecimento do caixa).

À época, afora a Usiban (até hoje a maior geradora de empregos e renda da região), Bandeirantes contava também, duas algodoeiras, que se bem nos lembramos, eram a Assaimenka e a Sanbra (a Matsubara viria depois). Nesse período, o cultivo do algodão no município e na região era dos mais expressivos, e essas empresas, obviamente da maior importância para a pujança da cidade, situação mais tarde otimizada com a instalação da portentosa Algodoeira Matsubara.

Embora esse quadro representasse um clima de conforto, tanto Alécio, quanto o seu referido secretário, já tinham informações da tendência migratória da cotonicultura para o “cerrado” no centro-oeste brasileiro (o que efetivamente veio a acontecer, como é sabido por todos). Nessas conversas de Alécio com o seu secretário, foi que surgiu a lembrança de que o IBC (Instituto Brasileiro do Café) fora extinto por decreto do então presidente Fernando Collor de Mello, o que importou na desativação e consequente ociosidade do imenso armazém que aquela autarquia construíra em terreno na saída para Itambaracá (Vila Macedo ou Vila IBC), fundada por Luiz Liberato de Macedo, imóvel esse cuja gestão a prefeitura poderia pleitear para si, mediante um comodato junto ao SPU (Serviço de Patrimônio da União).

Paulo Roberto Balla, Secretário do Comércio e Indústria na Gestão Alécio Zamboni Netto (foto de acervo do Rotary Club de Bandeirantes)

A partir dali, e como se fora o doutor Thomaz Nicoletti “brigando” no Conselho Federal de Educação pela autorização da faculdade de agronomia, o secretário Paulo Roberto Balla seguiu para Curitiba, na congênere estadual do SPU, e nela apresentou o bem pensado projeto de um “casulo industrial”. Apresentada a bem clara intenção do uso do imóvel pelo município, a proposta foi aprovada pela direção da autarquia, e em não muito tempo era firmado o ajuste entre o SPU e o município, num dos melhores passos dados naquele tempo, pela nossa municipalidade. E se dizemos isso, é porque graças a essa iniciativa da gestão Alécio Zamboni, que Bandeirantes conseguiu atrair para cá, dentre outros empresários, em meados da década de 1990, o catarinense Leonir Palla. Ainda bastante jovem, mas com muita experiência no ramo em que se especializara em seu estado natal, Santa Catarina, e cheio de planos e fé no projeto que tinha em mente (à espera de oportunidade), Leo fundou a Nutritop, empresa de ração para cães e gatos.

Inicialmente uma indústria de pequeno porte, a Nutritop foi ganhando “musculatura” para se tornar o que é hoje – uma verdadeira campeã no ramo da alimentação pet. Para além de uma grande geradora de empregos, contribuinte com os cofres públicos (município, estado e união), são os recursos monetários gerados pela Nutritop, a “alavanca” de que se vale o seu proprietário para a sua notável, benfazeja e sempre crescente atuação nos campos social e cristão, atuando como benfeitor das entidades “Casa de Acolhida Colo de Maria”, a “Comunidade Terapêutica São Pio de Pietrelcina”, o “Projeto ACAUEM” e o já mundialmente divulgado “Santuário de São Miguel Arcanjo), destino de romarias vindas de todas as partes do país, ao final das quais tem lugar a “missa de adoração” e as manifestações das graças recebidas pelos fiéis. Afora a parte litúrgica e a dos testemunhos, os peregrinos e visitantes do Santuário têm a oportunidade de visita à Gruta de Nossa Senhora de Lourdes e dos Nove Coros de Anjos, onde podem conhecer as belas e inspiradas produções locais de arte sacra.

Escusado dizer do efeito promocional da cidade de Bandeirantes, em razão do que descrevemos, por ser sede desse templo de adoração, ao lado do qual vê-se, imponente, a “segunda maior cruz de aço do mundo”. Ao possível (e compreensível) estranhamento de tais detalhamentos em “fragmentos da história da cidade”, redarguimos que, não fora a visão e imediata iniciativa do então prefeito Alécio Zamboni Netto, quiçá nada disso faria parte do cenário bandeirantino e o empresário Leonir, ainda continuasse em Videira-SC, ou fundado a Nutritop em outra cidade, que não a nossa.

Continua.

* Walter de Oliveira, 92, articulista desta Folha, é bandeirantense, nascido em 1932

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