Walter de Oliveira*
Ao retornarmos à nossa viagem no tempo e na história – quando estamos focando os gestores e legisladores municipais – o fazemos diferentemente do enunciado no artigo anterior e explicamos o porquê disso. Dissemos então que hoje iniciaríamos este relato discorrendo sobre o pleito eleitoral de 1996, que elegeu Lino Martins e Luiz Gustavo Meneghel, respectivamente prefeito e vice, o que de fato faremos.
Antes, porém, corrigiremos um equívoco que cometemos naquele artigo, ao dizermos que o município recebeu recursos da Funasa (Fundação Nacional da Saúde) para implementar a expansão da rede local de água e coleta de esgotos. Por se tratar de algo (essa ajuda da Funasa) acontecido há mais de cinquenta anos, ao lembrá-lo, louvamo-nos, em referência feita agora por Alécio Zamboni Netto, o qual, todavia o faz como uma sua “vaga lembrança”, e que nós, no entanto, a citamos como “coisa concreta”. Pois bem, preocupados com a autenticidade do nosso trabalho, consultamos, a respeito, o atual diretor do SAAE, o amigo João Guin Filho, que tendo ordenado buscas nos registros da autarquia, nada pôde dizer, dado o enorme lapso de tempo decorrido desde aquela época. Ainda assim, mas persistindo a dúvida que nos assaltava, ocorreu-nos valermo-nos do amigo César Botarelli Filho, à época diretor do SAAE.
Pessoa cujo pragmatismo dispensa comentários, Cezinha (como ele também é conhecido e chamado) nos informou que de fato, foi a Funasa, através de convênio firmado com a então recém-criada Sanepar (Companhia de Saneamento do Estado do Paraná), forneceu o aporte financeiro para o serviço de saneamento local, mas que tal aconteceu na gestão do prefeito Moacyr Castanho, e isso ao tempo da criação do SAAE. Cezinha acrescentou também que aquela ajuda financeira foi utilizada quando da instalação do serviço de captação de água do Rio Laranjinha e a respectiva e extensa adutora – e não nos serviços realizados na Vila Macedo (IBC), na gestão de Alécio Zamboni Netto. Pela oportuna e preciosa informação, os nossos agradecimentos ao Cezinha, dos mais longevos e destacados diretores do nosso serviço autônomo de água e esgotos. Feita a necessária retificação ao nosso relato da semana passada, passaremos agora ao pleito eleitoral que levou Lino Martins (o terceiro bandeirantense de nascimento) ao cargo de prefeito municipal.
Fatos há, tão inusitados, que a história não seria precisa (leia-se correta) sem o seu registro. E um desses é o que se segue. É sabido e de plena obviedade, que todo ator político anseia sempre subir um degrau a mais nessa fascinante caminhada – a política, nem sempre vista com bons olhos, mas das mais antigas e essenciais na vida humana. Como visto do lançamento da campanha de Alécio Zamboni Netto, o médico Ilton de Souza Guerra (então vice-prefeito na gestão José Fernandes da Silva), embora fosse o “candidato natural” para sucedê-lo, atendendo às circunstâncias daquele momento, abriu mão da sua candidatura em favor de Alécio e com isso, o apoiou e ajudou na sua vitória.
Finda a bem-sucedida gestão de Alécio, e como ainda não havia sido criado o instituto da reeleição (este passou a existir pela Emenda Constitucional nº 16/1997), Alécio não podia concorrer. Doutor Ilton, entendendo que era chegada a sua vez, lançou-se candidato, mas para a sua surpresa (ou desencanto) não recebeu o apoio da sua ala, que ficou dividida entre a sua candidatura e a de José Fernandes da Silva, que almejava eleger-se prefeito pela terceira vez (o que só viria a acontecer dali a oito anos, como ainda veremos nos próximos relatos). E foi nesse pleito – 1996 – que Lino Martins sagrou-se vencedor, com a esmagadora votação de 11. 374 votos, ou seja, 4.349 votos a mais que os seus dois concorrentes, que fizeram juntos 7.782 votos.
No mesmo pleito, foram eleitos vereadores, o advogado Paulo Buzato (998 votos), o médico Paulo Yorito Miyoshi (979 votos), Sérgio Mendes Vilela (795 votos), Juvenal José Teixeira (655 votos),
Aparecido Ribeiro Richter, o Doca (650 votos), Ricardo Guilherme Meneghel (681 votos), Francisco de Assis Goulart Barbosa (581 votos), José Roque de Moraes, o Rosinha (518 votos), o médico Vítor Ângelo de Araújo (518 votos), Antônio Carlos Barbosa (461 votos), José dos Reis Ferreira Duarte (441 votos), Wilson Aparecido de Souza, o Mineirinho (377 votos), Natalino Vilar Garcia (317 votos) e João Guin Filho (314 votos).
Fazemos menção às respectivas votações dos vereadores eleitos, porque existiam candidatos, que embora tenham recebido “mais votos”, perderam de outros menos votados, por conta do sistema de cálculo da chamada “sobra de votos”. Embora baseado em normas e instruções da justiça eleitoral (em função das coligações partidárias), o resultado desses cálculos se opôs, claramente, àquele expresso pela vontade do eleitor, ao dar seu voto. Foi o que ocorreu nas eleições de 1996. O candidato Adauto Francisco Matheus, que com 497 votos, perdeu para Antônio Carlos Barbosa, com 461; Luiz César Teodoro Ribeiro – o Luizinho do Ueda, que com 442 votos perdeu para José dos Reis Ferreira Duarte, com 441 votos, o mesmo se dando com o médico Luiz Carmelo Comegno e José Fernandes da Silva Júnior, o Zé Bolinha, que com 406 e 396 votos, respectivamente, perderam para Wilson Aparecido de Souza, com 377 votos; e por último, a professora Irene Batista de Oliveira Pedroso, com 337 votos, perdeu para João Guin Filho, com 317 votos.
As presentes considerações foram feitas para patentear como normas (não leis) baixadas pela justiça eleitoral podem – com a aquiescência tácita do Congresso Nacional – subverter e anular a preferência expressa do eleitor. Feitas com a intenção de tão somente mostrar ocorrências de uma época, guardamos a certeza da compreensão dos ilustres leitores para com essas considerações.
Iríamos agora, como dos “fragmentos” anteriores, relatar algumas das realizações do prefeito Lino Martins, lembrando que no tocante a apenas às principais delas, abrangendo também as que ocorreram em sua segunda gestão (2017 a 2020), o que fazemos por economia de espaço e tempo. Se dissemos “iríamos”, é porque não dispondo mais do necessário espaço, fá-lo-emos a partir do nosso próximo artigo, quando trataremos também do pleito de 2000, que elegeu o prefeito Nilton de Sordi Júnior, o Juba.
Continua.
* Walter de Oliveira, 92, articulista desta Folha, é bandeirantense, nascido em 1932




