Walter de Oliveira*

Dando prosseguimento à nossa imaginária viagem no tempo e na história, quando estamos apresentando e/ou rememorando os gestores e legisladores do município, nos referiremos hoje às eleições do ano 2000, que elegeram prefeito Nilton De Sordi Júnior (Juba – o primeiro do século 21), vice Vítor Ângelo de Araújo e os treze integrantes da Câmara Municipal do quadriênio 2001/2004.

Como visto nos dois últimos artigos, Juba foi, no mandato de Lino Martins prefeito, o diretor do SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto), uma autarquia municipal criada na gestão de Moacyr Castanho. Embora de existência autônoma, esse “braço” da administração é da maior importância para a população do município, de vez que além de responder pelo imprescindível serviço de captação, tratamento e distribuição de água, estavam ainda sob sua gestão, a coleta e tratamento de esgotos e a coleta e destinação de lixo, que não deveria ser o que é hoje, aterro sanitário (que não garante em 100 por cento a ausência de infiltrações  nos mananciais hídricos), mas a sua “reciclagem” e aproveitamento, como já ocorre em administrações mais afinadas com o progresso, ainda que isso implique num consorciamento com municípios vizinhos, para a formação de um volume mínimo exigido para a sua “compostagem” ou “usinagem”, duas das formas mais adotadas no seu aproveitamento. Embora pareçam descontextualizados, mas à vista do que é feito com o seu objeto móvel, tais comentários se justificam, até como uma sugestão, e certamente das mais oportunas.

Nilton De Sordi Júnior, prefeito gestão 2001/2004 (foto obtida a partir do Facebook)

Por força do referido no artigo anterior (a sua gestão à frente ao SAAE), Juba foi como que intimado por importantes lideranças políticas locais, a concorrer ao cargo de prefeito, e embora sabendo do comprovado potencial eleitoral dos seus outros concorrentes (sobretudo Lino Martins – que tentaria a reeleição – e José Fernandes da Silva – que então já exercera um mandato –, Juba decidiu pelo confronto, no qual sagrou-se vencedor com 7.022 votos, contabilizando uma vantagem de 2.084 sobre o segundo mais votado, José Fernandes da Silva, que obteve 5.938 votos. O terceiro colocado, Lino Martins, obteve 4.819 votos; dos outros dois concorrentes, Moacyr Castanho Filho obteve 336 votos e Marcos Antônio Abujamra, contando apenas 31 votos, que até onde se sabe, foi o candidato que obteve a menor votação na série histórica das eleições em nosso município.

Romeu Luiz Furlan, diretor do SAAE na gestão 2001/2004 (foto obtida a partir do Facebook)

Registrados os sufrágios dos candidatos a prefeito, vamos agora aos nomes dos treze vereadores que formaram a edilidade do quadriênio 2001/2004, e que são: Adauto Francisco Matheus (496 votos), Antônio Luiz Meneghel Júnior – Jaca (533 votos), Jacinta de Fátima da Rocha (384 votos), João Guin Filho (358 votos), José Elias do Carmo – Juca do Sertãozinho (426 votos), José Fernandes da Silva Júnior – Zé Bolinha (378 votos), José Roque de Moraes – Rosinha (867 votos), Júlio César Von Der Osten – Cesinha (461 votos), Juvenal José Teixeira – Juvenal do Sertãozinho (462 votos), Luiz Carmelo Comegno (470 votos), Paulo Yorito Miyoshi (626 votos), Sônia Regina Zambone (625 votos), e Wilson Aparecido de Souza – Mineirinho (478 votos). Essa legislatura contou, na sua vigência, com dois outros vereadores, que são Paulo Aparecido Ferreira Barbosa (eleito suplente com 407 votos), que substituiu o vereador Paulo Yorito Miyoshi, no período de 6 de dezembro de 2001 a 4 de janeiro de 2002, e Vanderlei Ferreira da Cunha – Dei (eleito suplente com 345 votos), que substituiu o vereador Luiz Carmelo Comegno, no período de 3 de abril a 2 de maio de 2001. Como visto, foi no pleito do ano de 2000, que tivemos o “primeiro” prefeito que tentou a reeleição, que passou a existir com a Emenda Constitucional nº 16/1997.

Passaremos agora às principais realizações da gestão de Nilton De Sordi Júnior. Com a experiência acumulada na gestão do SAAE, Juba (graduado em administração de empresas) iniciou a sua gestão dando prosseguimento às obras em andamento no setor de saneamento básico, que foram da perfuração de ao menos quatro outros poços artesianos (poço do bairro San Rafael, poço da Vila Rubi – no barracão da Rua João Francisco Ferreira, poço na baixada da Vila Bela Vista e poço do Bairro Carvalho Henriques). Com exceção do poço da Bela Vista (de baixa profundidade), os demais captam água do Aquífero Guarani.

Ainda falando sobre o SAAE, em sua gestão como prefeito, Juba confiou-o aos cuidados do engenheiro agrônomo Romeu Luiz Furlan, cujo pragmatismo e maneira de ser e agir guardava (e guarda) singular semelhança com a sua filosofia de trabalho. Ou seja, um entrosamento perfeito, e por isso, poupador de tempo, coisa sempre escassa numa gestão marcada pela ação contínua. Uma das ações adotadas por Romeu Furlan (e que vige até hoje) foi o estabelecimento de “associações comunitárias”, que regidas por “estatutos”, contaram com diretorias e disciplinaram o uso da água dos trinta e cinco poços semiartesianos perfurados na área rural, na gestão de Lino Martins. Com diretorias eleitas periodicamente, essas “associações” eram registradas no Cartório de Registro de Títulos e Documentos da comarca, cujo ato público impedia que passados os anos, não viesse o dono da propriedade em que um poço fora perfurado, alegar ser ele de seu “uso exclusivo”.

Se dizemos isso, foi porque a feitura dos estatutos das ditas “associações” esteve a cargo do nosso irmão Roberto de Oliveira (hoje de saudosa memória), que no desempenho dessa incumbência, visitou todos os bairros rurais contemplados com esse benefício público. Daí, a origem do nome “Bairro das Três Águas” e outros.

E ainda no setor de saneamento básico (cujas obras subterrâneas ficam ocultas aos olhos da população, Juba – sob o eficiente trabalho de Romeu Furlan – priorizou o interesse e o bem-estar coletivos e passou à escavação das galerias de águas pluviais, referidas no próximo “Fragmentos da Nossa História”.

Continua.

* Walter de Oliveira, 92, articulista desta Folha, é bandeirantense, nascido em 1932

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