Luiz Meneghel - Prefeito eleito 1951/1954 (fotografia obtida no site da Prefeitura de Bandeirantes)

SEPTUAGÉSIMA TERCEIRA PARTE

Walter de Oliveira*

Estamos de volta à listagem dos nomes de destaque na nossa história, e presentemente nos atendo aos atores do teatro de operações do campo político-administrativo, mais especificamente aos nossos gestores e legisladores.

Vimos, pelas várias e bem-vindas manifestações dos nossos leitores e consequentes companheiros desta viagem de resgate histórico, que a “ausência de menção” a nomes de ilustres e valorosos funcionários públicos, levou alguns dos nossos leitores a lembrarem (e com toda a razão) que seus genitores compuseram aquela unidade ou batalhão de bravos lutadores (caso dos amigos Maurício Zulmires, Luiz Vicente Meneghel Rando e do João Roberto Neves). A esses, nós reiteramos que a reclamada omissão se deve ao já referido fato de estarmos centrados naqueles que atuaram por força de mandato (nomeados pelas respectivas interventorias e/ou eleitos), que eram os prefeitos e vereadores. Quanto aos que “trabalharam na prefeitura ou na câmara”, como funcionários, dado tratar-se de milhares deles, esperamos que todos entendam ser impossível mencioná-los nominalmente. O que nos propomos fazer neste trabalho de resgate histórico, é listar quantos exerceram cargos de maior relevância e responsabilidade (chefias de departamento, de seção e setor), nos primeiros dez anos de criação do município; seria uma forma da história homenageá-los.

Continuamos então com os registros dos nossos gestores e legisladores eleitos.

  1. b) Eleições de 1951 – Prefeito: Luiz Meneghel. Dez anos antes de ser eleito prefeito, portanto em 1941, foi que o piracicabano Luiz Meneghel aportou em Bandeirantes, atraído pela fertilidade das suas terras roxas. Contava ele (com quem começamos a trabalhar aos 27 anos de idade), que por sua primeira vontade ele teria ficado em Cambará, que sendo um município com maior tempo de criação, contava com muito melhor infraestrutura para quem, como ele, pretendia instalar uma indústria sucroalcooleira, do porte da Usiban. Mas, homem prático e ponderado, deixou passar o primeiro entusiasmo e depois, ouvindo os aconselhamentos do cunhado Domênico Zambon e de um novo amigo que aqui fizera – Pompeo Tomasi -, se decidiu por Bandeirantes, e para cuja decisão – frisava ele – muito pesou os viçosos e exuberantes canaviais cultivados por João Afonso, pioneiro na fabricação de cachaça no município, e de quem se tornaria muito amigo. Embora visto como dispensável, aduzimos tais comentários no intuito único de emprestar ou reforçar a autenticidade do nosso trabalho de resgate.

Com menos de uma década (menos de 7 anos na verdade) de criação do município, os recursos do erário ficavam muito aquém daqueles demandados com a abertura de estradas rurais, construção de pontes e escolas, abertura e melhorias das vias e logradouros públicos, ou seja, os tempos eram os mesmos “tempos difíceis” enfrentados pelo antecessor Dino Veiga e todos os demais gestores de “mandatos relâmpagos”, que geriram o município. Todavia, já às vésperas de iniciar a nona boa safra da sua usina (considerando que a primeira – 1943 – foi prejudicada pelas geadas), o recém-eleito prefeito decidiu colocar motoniveladora e tratores de esteira da sua empresa para acudir as necessidades viárias do município – e também da sua indústria. Homem nascido sob o signo do bom administrador (uma obviedade para quantos o conheceram) e pessoa “matutina” por excelência, Luiz Meneghel se dividia com facilidade e êxito entre os compromissos de usineiro e chefe do poder executivo, e, coincidentemente, ao término do seu mandato, tendo passado a “faixa de prefeito” para Dino Veiga, de quem a recebera. Assim como Dino Veiga, Luiz Meneghel era à época, político filiado ao Partido Social Democrático – PSD.

Vereadores eleitos: Dino Veiga (PSD), Antônio Corder (PSD), Mário Amaral Pacca (PSD), Roberto Von Der Osten (PSD), Geraldo Paulino de Carvalho (PSD), João Garcia Gabiano, Mauro Conrado Mesquita (UDN), Eurípedes Mesquita Rodrigues (UDN), João Batista da Rocha (PTB), José Santana, Yves de Oliveira Ribeiro (UDN), Manoel Nascimento Trindade (PTB) e José Ayres da Cunha (este, suplente, mas que é de nossa lembrança haver assumido o cargo pela renúncia ou falecimento de algum titular, uma informação de que não dispomos).

  1. c) Eleições de 1955 – Prefeito: Dino Veiga. À primeira vista, surpreende ver Dino Veiga eleito novamente prefeito, recebendo a cobiçada faixa, que quatro anos antes ele a passara a quem então lha transmitira; todavia, nada de estranho, somente coisas da política. Uma outra curiosidade, foi que Dino Veiga terminara seu mandato como vereador e assumiu como prefeito, num segundo mandato, enquanto que Luiz Meneghel fazia o caminho inverso, encerrando o mandato de prefeito e assumindo o seu segundo (e último) mandato de vereador.

Foi nessa gestão que Dino Veiga dotou Bandeirantes das primeiras ruas asfaltadas, pois o que até então se conhecia (como se vê das ilustrações disponíveis em diversas fontes) eram ruas com atoleiros – sob períodos chuvosos – ou a cidade “coberta do pó vermelho”, próprio dos dias de sol. Também por esse tempo, Bandeirantes já contava com o benefício de alguma rede de fornecimento de água (ainda precário), o que era bancado pelo DEAE (Departamento Estadual de Água e Esgoto – uma espécie de Sanepar da época), e que em Bandeirantes, como veremos logo adiante, seria substituído pelo SAAE. Afora as melhorias já ditas, somaram-se outras a partir dessa gestão, mas que serão tratadas em tópico próprio de nossa obra de resgate histórico.

Vereadores Eleitos: Luiz Meneghel (PSD), Antônio Braga Xavier (PSD), Roberto Von Der Osten (PTB), Castor Ferrer da Rosa, Ildefonso Faria (PSD), Hermínio Guedes de Moura (UDN), Mauro Conrado Mesquita (UDN), Antenor Moretti (UDN), Vacieli Yaciura (PSD), Mailon Medeiros (PSD), João Batista da Rocha (PTB) e Antônio Rossi (PDC).

Essas eleições foram marcadas por um trágico e lamentável fato. Empossado no cargo de vereador, Roberto Von Der Osten (que era coletor federal da cidade), foi eleito presidente da câmara. Como existissem familiares seus morando em Cornélio Procópio, ele, a esposa e um neto, decidiram festejar com eles o feliz evento, o que infelizmente não ocorreu. Na altura da curva do aeroporto de Cornélio, um trágico acidente interrompeu a alegre viagem, ceifando uma vida que ainda tinha muito para dar, como era do feitio e da marca de Roberto Von Der Osten, de imorredoura memória.

Continua.

* Walter de Oliveira, 92, articulista desta Folha, é bandeirantense, nascido em 1932

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