Artigo
Reflexões sobre a História Pública e o Patrimônio Histórico e Cultural
Por Tiago Silvio Dedoné
Na semana passada refletimos, nesta coluna, sobre os conceitos que orbitam em torno do patrimônio cultural de uma comunidade, sobre a sua importância, com ênfase na relação com o constructo histórico que delineia a percepção da memória de um povo. É um tema instigante, importante, mas, também, polêmico em algumas vertentes, principalmente quando associamos com a percepção de uma verdade histórica construída, legitimada com o tempo e imposta para as gerações posteriores, que são consumidoras da produção de sentidos, e que multiplicam as realidades construídas. Fato é que isso também é história pública e, neste aspecto, é bastante provocador pensar criticamente sobre como as fontes – oficiais e não oficiais – nos ajudam a estabelecer compreensões das bifurcações que o tempo histórico engendra na trajetória do tempo e espaço.
A História Pública, objeto epistemológico que me provoca muito a pensar sobre como mobilizamos o pertencimento, a identidade, as narrativas diversas, as memórias, e conduzimos uma espécie de verdade, também é um pavimento para a percepção da representação social – individual ou coletiva, como bem enfatizou o historiador francês Roger Chartier -. Ao interseccionar o patrimônio histórico, a produção de sentidos, as nuances da percepção do tempo, numa proposição de diálogo com as fontes, abarcamos, para o polo de estudo, a representação social institucional, que associa-se com as duas anteriormente citadas, engendrando o constructo histórico.
Já falamos, em momento anteriores, que a História Pública pressupõe circularidade, disseminação, questionamento, criticidade (leitura crítica), inserção, protagonismo, (re)leitura do tempo histórico e de seus fenômenos. Por isso, é um campo de muitas moradas – o patrimônio histórico é uma delas -. Todo patrimônio histórico e cultural de uma comunidade precisa ser respeitado, valorizado, observado, cuidado, mas, também analisado – às vezes, sob o ponto de vista crítico, que também é subjetivo, em razão do olhar do tempo histórico -. Os atores sociais de uma comunidade – famílias, historiadores, agentes políticos/públicos, imprensa, artistas e estudantes, e toda ordem de sujeitos que integram uma sociedade – são convidados à responsabilidade de guardiões do tempo, diante destes espaços estabelecidos. Afinal de contas, é memória, história, canais que transportam gerações, é a alma de uma sociedade.
Tiago Silvio Dedoné
Mestre em Formação de Gestores Educacionais; Jornalista e Pedagogo; Doutorando em Educação (PUC/PR); Doutorando em História (UPF/RS); Mestrando em História Pública (UNESPAR); Professor na Educação Básica (Colégio ECEL) e no Ensino Superior (Faculdade Dom Bosco




