Torno
(Ao pai José Aparecido)
Em torno do metal bruto
Surgem contornos micrometricamente calculados,
Girando, girando, em altas r.p.m.,
Mas não é disso que quero falar:
É que a vida dá tantas voltas!
O aço, o ferro, o bronze, o alumínio,
Presos nas castanhas giram centralizados
E a wídea, o bits, o bedame cortam com precisão.
Mas não é disso que eu quero falar:
É que a vida é dura como eles!
Olhos experientes conhecem medidas paquimétricas,
Hábeis mãos conduzem os trens…
Ai! Cavaco no olho. Ai! Cavaco no braço.
Mas não é disso que quero falar:
É que a vida tem tantos riscos!
O torno aguenta o peso da peça
E o torneiro os sustenta nos ombros;
O trabalho pesa. As medidas pesam.
Mas não é disso que quero falar:
É que a vida pesa mais ainda!
Até o milímetro é dividido,
Os cigarros são divididos;
O tempo é calculado: todos têm pressa
E não se pode errar.
Mas não é disso que quero falar:
Queria falar do meu pai!
Por Cristiano Balla
Escritor e poeta
Bandeirantes/PR




