Artigo
Na edição anterior do jornal, durante as explanações nesta Coluna, busquei iniciar uma reflexão que intersecciona a percepção da História Pública com a Imprensa. É uma convergência instigante para os que pesquisam as narrativas do tempo. Como historiador, educador e jornalista, esta relação também é cara para mim. Primeiramente, é necessário destacar o papel da imprensa na sociedade. Desde a prensa inventada pelo alemão Johannes Gutenberg, por volta de 1440/50, a socialização de informações tinha uma característica não apenas de trazer dados sobre o tempo presente, mas, também, tecer observações ou críticas às (das) fontes orais, com os seus discursos diretos ou indiretos.
Com a sociedade moderna, o advento de regimes organizacionais sócio-políticos como a democracia, ela acabou tornando-se peça fundamental na sustentação do estado democrático de direito. Não é à toa que governos ditatoriais e autocratas – como já vimos algumas vezes no Brasil -, gostam de atacar a imprensa, em um exercício para desacreditá-la ou silenciá-la. Afinal de contas, como é que estes entram para a história? Suas estruturas de imagem passam pela forma como a imprensa decodifica e constroem as narrativas. As produções de arquivos da e para a história.
Neste sentido, a Imprensa é uma morada da História Pública, já que muitos dos feitos do tempo só nos foram possíveis os acessos, graças à mecanismo / suporte comunicacional. As intencionalidades, as ideologias das notícias e os atores (fontes oficiais ou não oficiais), as formas de construção e de descrição gráfica, e os atores que figuram pelas produções das informações, são focos para a análise crítica do próprio tempo e os respectivos fenômenos deste tempo.
A expressão do recorte temporal eterniza memórias, sentidos, narrativas, fenômenos, crises, imagens, atividades e identidades, pedaços de significação do mundo. A imprensa, portanto, tem um papel fundamental na organização e produção dos sentidos do tempo: os documentos para a história. Dizem que o jornalista é o “historiador do instante”, da “história do tempo presente”, pois, além de direcionar o olhar para uma hermenêutica dos processos, ainda pavimenta caminhos para a consciência crítica subjetiva. Continuamos, neste mesmo campo temático, no nosso próximo encontro. Até lá!
Tiago Silvio Dedoné
Mestre em Formação de Gestores Educacionais; Jornalista e Pedagogo; Doutorando em Educação (PUC/PR); Doutorando em História (UPF/RS); Mestrando em História Pública (UNESPAR); Professor na Educação Básica (Colégio ECEL) e no Ensino Superior (Faculdade Dom Bosco




