Artigo
A história utiliza-se da ação do homem no tempo para narrar, registrar, alocar atores, aspectos, situações. Portanto, é o direcionamento de uma interpretação fenomenológica, contada a partir de um olhar (ou alguns olhares) que se interpõe (m). Isso quer dizer que o passado, que é processual, sofre acontecimentos de cortes, estabelecendo um ajuste da narrativa, elencando personagens, agrupamentos, julgados como fundamentais para a tessitura da narrativa. Neste sentido, também analisamos a partir da análise crítica do discurso, acerca de como as produções informacionais da imprensa e de outros mecanismos de comunicação podem construir narrativas do tempo, como a inserção/seleção dos atores (discursos diretos). Em alguns casos, a ação de narrar pressupõe uma escolha e um roteiro na explanação da história, ocultando, fragmentando, para poder dar conta do espaço e do tempo destinado à narrativa do fenômeno.
Claro que, em razão disso, muito se perde nesta seleção. Involuntariamente, claro. Mas, em razão de intencionalidades diversas ou ideologias, também pode acontecer desta narrativa cercear elementos, fatos e personagens propositalmente.Por isso, a Análise Crítica do Discurso, que é uma poderosa área de interpretação das narrativas, nos direciona à pensar sobre o papel da imprensa no constructo historiográfico. Tenho refletido, sobre a ACD, em uma intersecção com a Educação para os Meios (Leitura Crítica da Mídia), a partir do fundamento epistemológico da Educomunicação.
Buscar responder qual é a história que estamos contando é um ponto de partida importante para o pensamento crítico. Na História Pública, campo instigante da ciência histórica, e que pressupõe um olhar sensível para a análise crítica histórica, para a circularidade democrática, para o engajamento e democratico dos atores sociais na formulação da história do tempo presente, nos apresenta um pavimento estratégico para a perpetuação da narrativa do tempo. Portanto, a relação da imprensa e da disseminação do tempo é antiga, com diversos históricos e fenômenos. Exemplos desta intenção estão alocados, por exemplo, na existência dos monges copistas na Idade Média (séculos V a XV), que visavam a democratização da informação religiosa; ou, da Prensa de Gutenberg, que inovou os processos de produção e publicização das produções narrativas – entre outros fenômenos desta seara, ao longo do tempo – . Fato é que a Imprensa precisa ser valorizada, a partir de um olhar crítico fundamentado, pois são essenciais. Até o nosso próximo encontro.




