Hoje eu gostaria de refletir com vocês sobre um autor brasileiro, reconhecido em todo o mundo, que definiu importantes bases para compreendermos a educação transformadora: Paulo Freire (Patrono da Educação Brasileira – nomeado, de forma oficial, pela Lei nº 12.612, de abril de 2021).  De acordo com este autor, a educação é um ato coletivo, solidário, libertador, que não pode ser imposta, mas construída de forma que propicie uma relação dialógica, comunicativa e, em consequência, emancipadora. Neste sentido, se invertem os papéis dos atores que compõem o cenário escolar e, todos, passam a confraternizarem-se, com seus conhecimentos, histórias, suas memórias, experiências, identidades, embates subjetivos, com suas perspectivas e dialogismo, formando o processo de construção do sabe e do pensar. É dele a seguinte frase: “É através deste que se opera a superação de que resulta um termo novo: não mais educador do educando, não mais educando do educador, mas educador-educando com educando-educador. Desta maneira, o educador já não é o que apenas educa, mas o que, enquanto educa, é educado, em diálogo com o educando que, ao ser educado, também educa”.

Paulo Freire, que despontou como o educador que definiu as bases sólidas para gestar o espaço de ecossistemas comunicativos abertos/democráticos, afirma que a comunicação (diálogo) é um elemento fundamental, pois se aporta como transformadora de seres humanos em sujeitos donos de sua própria história. A linha de pensamento freiriana, que constitui- se como um processo de expressão da participação social, perpassa o pensamento de vários teóricos da comunicação na América Latina, principalmente: Mário Kaplún (Uruguai); Jesus Martin Barbero (Colômbia); Guillermo Orozco Gomes (México); Ismar de  Oliveira Soares (Brasil), entre outros. Barbero, por exemplo, atribui à Freire: “la primeira teoria latinoamericana de comunicación, ya que no solo tematizó prácticas y procesos comunicativos de estos países sino que puso a comunicar a América Latina consigo misma y con el resto del mundo”.

 

Ao partir da realidade do educando para encontrar temas geradores que vivificassem a educação, Paulo Freire substitui uma visão mais simplista por outra crítica e parte do pressuposto de que havia em cada ser humano um saber único, histórico, ainda que rudimentar, mas de onde era possível estabelecer uma nova relação com a vida. Inaugurava, assim, uma metodologia dialógica, comunicativa, que renegava a transmissão vertical de conteúdos. Essa educação verticalizada ele chamou de ‘bancária’ e, segundo ele, estava na raiz da dominação cultural.  A educação problematizadora, desenvolvida por ele, procura decodificar o mundo e é alicerçada numa relação dialógica entre educador e educando: “A educação é comunicação, é diálogo, na medida em que não é a transferência de saber, mas um encontro de sujeitos interlocutores que buscam a significação dos significados”. Até a próxima edição!

Tiago Silvio Dedoné
Mestre em Formação de Gestores Educacionais; Jornalista e Pedagogo; Doutorando em Educação (PUC/PR); Doutorando em História (UPF/RS); Mestrando em História Pública (UNESPAR); Professor na Educação Básica (Colégio ECEL) e no Ensino Superior (Faculdade Dom Bosco)

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