Paz e Bem, meu amigo e irmão, vamos falar sobre o bem-aventurado Francisco.
Primeiro Livro de sua conversão, de Tomás de Celano.
A providência das coisas futuras e como confiou à Igreja de Roma, e sobre uma visão.
Previa que mesmo entre seus próprios filhos poderiam suceder coisas contrárias à santa paz e unidade e temia que, como pode acontecer muitas vezes entre os escolhidos, pudessem aparecer alguns, inflados pelo sentido de sua carne, dispostos a contendas e inclinados aos escândalos. Como o homem de Deus estava freqüentemente com essas preocupações e outras semelhantes, numa noite teve esta visão enquanto dormia: viu uma galinha, pequena e preta, parecida até com uma pomba caseira, que tinha penas nas pernas e até nos pés. Tinha inúmeros pintainhos que rodeavam a galinha insistentemente, sem poder juntar-se sob suas asas.
Quando se levantou do sono e recordou tudo, o homem de Deus fez-se ele mesmo intérprete de sua visão: “A galinha sou eu, moreno e baixinho. Devo procurar ter a simplicidade da pomba pela inocência de vida, que é rara neste mundo e voa mais facilmente para o céu. Os pintainhos são os frades, que se multiplicaram em número e graça, a quem não basta a virtude de Francisco para defender da maldade dos homens e da oposição das más línguas”. “Por isso vou recomendá-los à santa Igreja Romana, cuja vara poderosa castigará os malvados, fazendo com que os filhos de Deus possam gozar em toda parte de plena liberdade para aumento da salvação eterna. Nisso reconhecerão os filhos os doces benefícios da mãe, e seguirão sempre os seus veneráveis passos com especial devoção. Sob a sua proteção, não haverá de ocorrer o mal na Ordem, nem passará impune o filho de Belial pela vinha do Senhor.
Ela mesma, que é santa, há de gloriar-se de emular nossa pobreza, e não permitirá que os elogios da humildade sejam ofuscados pelas nuvens da soberba. Conservará entre nós ilesos os vínculos da caridade e da paz, censurando os dissidentes com rigor. Diante dela, florescerá continuamente a santa observância da pureza evangélica: ela não há de permitir que se perca o bom perfume de nossa vida por uma hora sequer”. Essa foi toda a intenção do santo de Deus de abraçar a encomendação. Aí está um documento santíssimo da previdência do homem de Deus para garantir o futuro. Por isso o homem de Deus foi a Roma, onde foi recebido com muita devoção pelo Papa Honório e por todos os cardeais.
Na verdade, o que fora perfumado pela fama refulgia na vida, ressoava na língua: diante disso não havia lugar para deixar de ter devoção. Pregou diante do papa e dos cardeais com inspiração e fervor, transbordando plenamente tudo que o espírito lhe sugeria. À sua palavra comoveram-se os montes e, puxando altos suspiros de suas entranhas, lavaram o homem interior em lágrimas. Terminada a pregação, depois de breve e familiar conversa com o Senhor Papa, dirigiu-lhe o seguinte pedido: “Senhor, como sabeis, não é fácil o acesso dos pobres e dos desprezados a tão sublime majestade. ...
Para louvor de Nosso Senhor Jesus Cristo Amém. (Continua na próxima edição – Programa
Francisco Instrumento da Paz). Paz e Bem.


