Você já percebeu que faz coisas na sua vida, simplesmente porque aprendeu com alguém da sua família e nem sabe exatamente o porquê?
É um movimento que obrigatoriamente você deve ou não, fazer, porque aprendeu que é assim que tem que ser. O que é dito ou feito tem um impacto na sua vida, mas muitas vezes, o que não é dito ou não é feito, pode ter um impacto muito maior. Me lembro que quando era criança, uma amiga não podia ver um chinelo virado com a sola para cima. Ela rapidamente desvirava o chinelo porque, segundo ela, dava azar e alguém podia morrer. Onde e com quem ela “aprendeu” isso, não sei. Mas, certamente, foi passado por alguém próximo.

Quando fazemos um movimento ou quando não fazemos, talvez isso esteja ligado à condição de “pertencer” a uma família, um grupo, um sistema. E é isso que é chamado de lealdade familiar ou lealdade sistêmica. Talvez você já tenha acontecido com você ou com um filho, de ter determinados tipos de comportamentos dentro de um grupo de amigos, que provavelmente você não teria fora dele.
Às vezes os pais se surpreendem com um filho bem-educado, com bons princípios e valores, que apresentou um comportamento inadequado quando estava com amigos. Pode ser o bullying com um colega, um ato de vandalismo, o desrespeito ao professor na escola. Tudo isso, por lealdade ao grupo de amigos, pela necessidade de pertencer àquele grupo. Implicitamente, está a regra de que “se você não fizer também, você está fora do grupo”. Essa lealdade é muito forte e rege os nossos comportamentos sem que a gente perceba. Algumas vezes, repetimos doenças que nossos pais ou outro familiar tiveram, mais ou menos na mesma idade. Ou até mesmo mortes, com idade semelhante.
Outro exemplo, é de uma família que diz: “Precisamos trabalhar muito. Enriquecer é muito difícil. Dinheiro não dá em árvore”. Alguns membros desta família, provavelmente vai viver uma vida de muito trabalho, com pouca prosperidade financeira. Ou um membro pode até prosperar, mas em um determinado momento, perder tudo. E por que isso acontece? É como se, ganhando dinheiro ou prosperando, ele deixasse de pertencer à família, estivesse traindo a lealdade à família. Talvez você conheça histórias desse tipo.

A pessoa não consegue prosperar porque, de alguma maneira, ela está impedida de fazer isso. Ou, alguém que viu os pais se relacionando através de brigas, desrespeito, agressões. É muito provável que no futuro, repita essa dinâmica nos relacionamentos, inconscientemente. E isso vale para outros tipos de relacionamentos também, seja profissional, de amizades.
Repetimos padrões aprendidos com pessoas próximas. É como se você ficasse preso num looping interminável, como um hamster correndo naquela roda, sem parar. Então, se você percebe que repete padrões familiares disfuncionais e não consegue sair disso, é muito provável que esteja preso a algum tipo de lealdade sistêmica/familiar, pela necessidade de pertencer (que todos nós temos).
Você não precisa continuar assim. Talvez, neste momento, você esteja sendo convidado a olhar para isso mais atentamente, para quebrar essa lealdade familiar disfuncional e fazer de forma diferente, libertando-se do que te faz sofrer.


