Santuário de São Miguel Arcanjo, destino mensal de milhares de romeiros (fotografia obtida a partir da internet)

Walter de Oliveira*

Saudando a quantos voltam um pouco da sua atenção para estas informações de história da “Cidade do Açúcar”, voltamos aos nossos “fragmentos”, quando, na semana passada, comentávamos alguns feitos da administração Alécio Zamboni Netto.

Talvez porque à época da sua eleição (1992) tenhamos coordenado a campanha de Norival de Mello, seu oponente, sentimo-nos bastante à vontade (senão impelidos) a enfatizar algumas realizações da sua gestão. Aliás, e como veremos, realizações que fugiram de ocorrências comuns, se consideradas as suas repercussões na história do município. Tanto isso é fato, que – com a anuência dos nossos leitores – continuaremos a dar destaque àqueles feitos, sobretudo às empresas nascidas no “Projeto Casulo”, a partir do convênio firmado com o SPU (Serviço de Patrimônio da União), que passou à prefeitura a gestão do armazém do IBC, não mais que um espaço ocioso após a extinção daquela autarquia.

Falávamos então, que foi graças ao “Projeto Casulo”, que Bandeirantes (leia-se população bandeirantense) assistiu ao surgimento da indústria de rações Nutritop e passou a usufruir dos inúmeros benefícios (sociais) decorrentes do seu literalmente emérito fundador, o catarinense Leonir Palla. Afora as já referidas e bem-vindas obras patrocinadas pela Nutritop, estamos informados de uma outra que se acrescentará a esse rol: um hospital para tratamento de câncer, uma obra que bem traduz a filosofia de vida desse empreendedor.

À parte o que já dissemos sobre a Nutritop, notadamente o Santuário de São Miguel Arcanjo, não podíamos “passar ao largo” de um, embora recente, porém já exitoso projeto, que é o Resort Morro dos Anjos, dos irmãos Rodrigo e Patrick Ferro. Filhos do empresário Douglas Ferro (já falecido) e de dona Vilma Cravo Ferro, Rodrigo e Patrick formam uma dupla que de há muito vem surpreendendo no meio empresarial da região norte-paranaense, desde que deram novo contorno e dimensão ao setor hortifrutigranjeiro local. Donos da Fazenda Santa Rosa, cujos domínios chegam ao ponto mais alto das cercanias da cidade, tiveram, diríamos, a sorte de ali se achar o local visto por Leonir Palla como o ideal para a edificação do Santuário de São Miguel Arcanjo.

Procurados por Leonir (quando disse do interesse em lhes comprar uma área da sua fazenda), ouviram com o maior interesse a sua exposição sobre o projeto do santuário. Dotados de um pragmatismo quase atávico (Rodrigo e Patrick são, além de filhos de Douglas Ferro, também netos de João da Silva Cravo, já falecido), os dois irmãos empenharam a palavra de tudo fazer para que o santuário se tornasse realidade. Foi aí que se comprovou a força da influência do que se conhece por “DNA”. Dizemos isso porque aos dois irmãos não interessou saber qual o valor que Leonir estaria disposto a pagar pela área que queria lhes comprar. Isso (esse valor) seria apenas o trivial, não enquadrável no caso de ambos. Com efeito, após demoradas e cuidadosas reflexões, voltaram às conversações com Leonir, e sem maiores delongas, fecharam o ajuste que, atendendo aos louváveis planos do dono da Nutritop, foi em razão e em função do qual Bandeirantes ganhou nome e foros que, sem exagero, ultrapassaram as fronteiras não só do município, como as do estado e mesmo do país. São milhares os romeiros e devotos que mensalmente demandam ao santuário.

Embora pudéssemos “esgotar” aqui o andamento e conclusão do ajuste entre os irmãos e o empresário Leo, dispomos de informações que darão aos nossos leitores, ciência de fatos que mostram faces e nuances incomuns que ocorrem em certos grandes empreendimentos, como o caso do aqui referido. Após as várias conversas com o empresário Leonir, os irmãos Rodrigo e Patrick, dotados de uma incomum visão empresarial, sentiram-se diante de uma nova e excelente oportunidade de alçarem um novo voo na sua já exitosa vida de empreendedores. Dispensando um bom e atrativo valor que obteriam vendendo a área para sediar o santuário, resolveram cedê-la gratuitamente para a obra, incluindo a parte ocupada com as obras civis, mais todo o pátio de estacionamento e áreas de acesso e saída. Além dessa cessão, os irmãos Ferro construíram, às suas expensas, e doaram ao santuário, o que se conhece por “Praça de Alimentação”, reservando para seu uso, um espaço onde funciona a administração do Resort Morro dos Anjos, que resolveram construir em área subjacente à já referida Praça de Alimentação.

Resort Morro dos Anjos, que dispõe de piscinas com águas termais e praia com ondas artificiais (fotografia obtida a partir da internet)

Como visto, o ajuste feito entre os irmãos Ferro e o empresário Leonir, fruto de maduras e sérias tratativas, veio mostrar a grande visão administrativa do então prefeito Alécio Zamboni Netto e de seu diligente secretário do comércio, indústria e turismo, Paulo Roberto Balla.

Todavia, não para aqui o relato dos benefícios ao município em razão daquele aplaudido passo administrativo. Por isso, certos de estarmos sendo fiéis à nossa história, falaremos a seguir, da empresa Alpha Editora, dos irmãos Teodózio e Theobaldo Luna (este último já falecido), também nascida do “Projeto Casulo”.

Continua.

* Walter de Oliveira, 92, articulista desta Folha, é bandeirantense, nascido em 1932

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