
Walter de Oliveira*
Retomamos os fragmentos da nossa história, quando falávamos da primeira gestão Lino Martins e da “revolução” (e evolução) ocorrida no setor de saneamento básico, capitaneado por Nilton De Sordi Júnior (Juba), que, como já citado, após haver coordenado a vitoriosa campanha eleitoral de Lino, foi por este nomeado diretor do SAAE.
Temos aqui de abrir um parêntese para dizer o quão salutar é um recém-empossado chefe do poder executivo (valendo a digressão para os níveis de município, estado e união), “tomar pé” do que de bom estava em andamento na gestão finda e também do que estava programado. Foi o que Lino Martins e Juba fizeram, em relação ao saneamento básico de Bandeirantes. Como dito anteriormente, Alécio Zamboni Netto (gestão anterior à de Lino Martins), em cujo período o SAAE esteve sob a direção de Cezar Botarelli Filho, foi quem diligenciou, do primeiro ao último passo da caminhada que teve o seu termo com a assinatura do convênio entre o município de Bandeirantes e a Fundação Nacional da Saúde – Funasa, que foi um “gol de placa” para a população. E aqui, mister se torna um quádruplo compartilhamento do “pódio” dessa vitória, em cujo foto, por justiça, devem figurar Alécio Zamboni Netto, Cezar Botarelli Filho, Lino Martins e Nilton De Sordi Júnior (Juba).
Dizemos isso, porque o dito “gol de placa” que foi a assinatura do referido convênio, teria ficado para as calendas, se a gestão seguinte (Lino Martins) não tivesse dado continuidade à iniciativa de Alécio. Não tivessem Lino Martins e Juba (diretor do SAAE) a necessária visão e responsabilidade públicas, e quem sabe quando usufruiríamos dos benefícios de uma “estação de tratamento de esgotos”, que sabemos do seu alto custo de instalação? Existem as chamadas “janelas de oportunidade”, as quais devem ser aproveitadas no momento que se apresentam, ou sabe-se lá quando voltarão a surgir. E um convênio carreador de tamanhas vantagens como foi esse com a Funasa – sobretudo para um município “fora do sistema Sanepar” – não “cai do céu”. Felizmente, as duas gestões foram sábias o suficiente no trato do assunto; a de Alécio, que correu atrás para viabilizar um convênio, que sabidamente só daria frutos ao depois, e a de Lino Martins, que soube avaliar o quão importante era (como foi) priorizar tratativas com empresas especializadas na elaboração de estudos, confecção de projeto e acompanhamento de sua execução (caso da empresa Eco Sol). Afora isso, é de se lembrar as difíceis negociações para a aquisição da área ideal para uma estação de tratamento de esgoto, face às peculiaridades da sua finalidade.
A história cumpre o seu papel quando realça o proceder de ambos os administradores públicos (Alécio e Lino) e os respectivos diretores do SAAE (Cezar Botarelli e Juba), protagonistas do singular acontecimento, assim como a marcante atuação do ilustre e saudoso deputado federal Homero Oguido e a boa vontade dos engenheiros sanitaristas Mário Augusto Baggio e Hélio Sanfelici, respectivamente presidente da Funasa-Paraná e diretor-técnico daquela autarquia.
Mas a profícua ação da gestão Lino Martins no setor de saneamento, aos cuidados de Nilton De Sordi Júnior, alcançou também a distante e brava população rural. Por aqueles tempos – e como pode ser confirmado com a maioria daquelas famílias – muitos daqueles moradores, notadamente as crianças, tiveram a saúde afetada em decorrência do consumo de água contaminada pelos defensivos agrícolas. O problema ganhou dimensão preocupante e foi resolvido quando o SAAE perfurou não um, mas trinta e cinco poços artesianos, servidos por água, senão totalmente livre dessa contaminação, ao menos e conforme mostrado na prática, bastante mais adequada ao consumo humano . Acresce-se que afora a perfuração desses trinta e cinco poços, o SAAE fez nada menos que 100 quilômetros de encanamento dessa água até os seus respectivos consumidores, que a partir daí não mais se serviram de água de poços cavados e minas a céu aberto.
Ainda no setor de saneamento básico, foi na gestão Lino Martins que o SAAE perfurou o pioneiro poço artesiano para acessar o Aquífero Guarani, o que se deu aos 500 metros de profundidade. Essa perfuração elevava de dois milhões para três milhões e duzentos mil litros a capacidade do reservatório de água tratada, cuja construção foi também obra da mesma gestão. Além disso, e na segunda gestão de Lino, some-se: a) compra da usina de asfalto, b) recapeamento asfáltico da cidade inteira e ainda da Avenida João da Silva Cravo; c) UNOPAR – a vinda da Unopar para Bandeirantes, desde as primeiras tratativas; d) ainda no tocante ao ensino universitário, foi na mesma gestão que a então Fundação Faculdade de Agronomia Luiz Meneghel – FFALM (hoje “Campus Luiz Meneghel” da UENP – Universidade Estadual do Norte do Paraná), sob a direção do professor Luiz Carlos Reis, foi estadualizada e ganhou os cursos de medicina veterinária, ciências da computação, enfermagem e ciências biológicas; e) urbanização da favela São Carlos, transformada em Vila São Carlos; f) Vinda para Bandeirantes, do Corpo de Bombeiros e da Companhia da Polícia Militar.
Tão discreto quanto perseverante em sua forma de ser e agir, Lino Martins – que deixou a sua organização contábil a cargo do filho Roberval Martins – deu o melhor de si no desempenho do cargo de prefeito, jamais abrindo mão dos seus princípios, dos quais sobressaem a firmeza de caráter e probidade. Ao possível redarguimento de irregularidades ocorridas em sua última gestão, provado restou que foram práticas dolosas de alguns quadros funcionais admitidos anteriormente à sua gestão, e consoante aprovado pela própria Câmara Municipal e decidido pela justiça, o ilícito se deu por atos exclusivos de seus autores, sem qualquer e mínimo dano à honorabilidade de Lino Martins.
Na próxima edição estaremos abordando o pleito de 2000, que elegeu prefeito a Nilton de Sordi Júnior (Juba), a vice-prefeito, doutor Luiz Carmelo Comegno e os treze integrantes da respectiva legislatura.
Continua.
* Walter de Oliveira, 92, articulista desta Folha, é bandeirantense, nascido em 1932



