Paz e Bem, meu amigo e irmão, vamos falar sobre o bem-aventurado Francisco.
Primeiro Livro de sua conversão, de Tomás de Celano.
Como se cumpriu tudo que predisse sobre Frei Bernardo.
O santo de Deus, que sempre tinha compaixão dos aflitos, desceu imediatamente do jumento, ajoelhou-se no chão, estendeu as mãos para o alto e não parou de rezar enquanto não sentiu que tinha sido atendido. Disse, então, ao camponês: “Vai depressa, que ali mesmo encontrarás água para beber, produzida da pedra neste instante pela misericórdia de Cristo”. Estupenda bondade de Deus, que tão facilmente se inclina aos rogos de seus servidores!
Um aldeão pôde beber a água da pedra pela virtude, orante e tirou a bebida da rocha duríssima. Nesse lugar nunca tinha havido um curso de água, nem puderam encontrá-lo mais tarde, de acordo com uma escrupulosa pesquisa. Por que admirar, se este homem, cheio do Espírito Santo, reproduz em si mesmo os feitos admiráveis de todos os justos? Não nos devemos surpreender de que uma pessoa unida a Cristo por graças tão singulares realize prodígios iguais aos que foram operados pelos outros santos. Uma vez, São Francisco estava sentado à mesa com os frades quando chegou um casal de passarinhos que ia todos os dias buscar migalhas da mesa, cuidadosos da formação de seus filhotes.
O santo ficou todo contente com isso, fez-lhes carícias como era seu costume e tratou de juntar-lhes o sustento. Certo dia, pai e mãe apresentaram os filhotes aos frades, como que para agradecer por os terem alimentado, entregaram-nos e não apareceram mais. Os filhotes se acostumaram com os frades e andavam empoleirados em suas mãos, não como hóspedes mas como de casa. Fugiam da presença dos seculares e só se apresentavam como discípulos dos frades. O santo observou isso admirado e convidou os frades a se alegrarem. “Olhai, disse, o que fizeram nossos irmãos pintarroxos.
Até parece que têm razão e disseram: Irmãos, aqui vos apresentamos nossos filhotes, que alimentastes com as vossas migalhas. Fazei deles o que quiserdes, que nós vamos para outro ninho”. Assim os passarinhos se familiarizaram de uma vez com os frades, e todos tomavam a refeição em comum. Mas essa harmonia foi quebrada pela avareza, quando o orgulho do maior perseguiu os menores. Pois o maior, saturado à vontade, afastava os outros da comida. Disse o santo pai: “Vede o que está fazendo esse avarento. Mesmo cheio e empanturrado, tem inveja de seus esfomeados irmãozinhos. Ele ainda vai ter uma má morte”. A palavra do santo foi logo seguida pela vingança.
O perturbador de seus irmãos subiu ao vaso de água para beber, mas de repente se afogou na água e morreu. E não houve gato ou qualquer outro animal que quisesse comer o passarinho anatematizado pelo santo. Horroroso mal é a avareza dos homens, quando é punido dessa maneira nos pássaros. E também é para temer a condenação dos santos, uma vez que o castigo vaticinado vem com tanta facilidade. …
Para louvor de Nosso Senhor Jesus Cristo Amém. (Continua na próxima edição – Programa
Francisco Instrumento da Paz). Paz e Bem.


