Um peixe e um pássaro podem se apaixonar. O coração deles não reconhece limites — nem água, nem céu. O peixe admira a leveza do voo, a liberdade dos ventos. O pássaro se encanta com a profundidade das águas, o mistério do silêncio submerso. Eles se reconhecem no que é oposto, se completam no que é distante. Mas logo surge a pergunta inevitável: onde viverão?

O peixe não respira o ar. O pássaro não sobrevive na água. E mesmo com tanto amor, o mundo os recorda de suas naturezas distintas. Não podem construir um lar nas nuvens, tampouco nas marés.
Talvez, o que reste ao peixe e ao pássaro seja visitar-se nas fronteiras: o pássaro pousa às margens, canta ao ouvido do rio; o peixe salta, beija o céu por instantes. Momentos breves, intensos, suficientes para amar — mesmo que não para viver juntos. Porque nem todo amor precisa ser possessão. Alguns amores existem para ensinar liberdade. E assim eles aprendem a amar sem aprisionar, a admirar sem exigir permanência. O peixe compreende que o céu é vasto demais para ser contido nas águas, e o pássaro entende que as profundezas guardam segredos que não precisam ser desvendados.


Nos encontros breves, eles compartilham o que são: o peixe mostra ao pássaro a calma dos lagos ao entardecer, a dança das correntes, o reflexo das estrelas na superfície da água. O pássaro traz ao peixe a música do vento, o calor do sol na pele, a visão de horizontes infinitos.
Eles não precisam morar juntos para serem inteiros. Aprendem a presença sem sufocar, o carinho sem prender, o amor sem condição. E talvez seja isso o mais bonito: um amor que não muda quem o outro é, mas ilumina ainda mais a sua essência. Porque o peixe continua peixe. O pássaro continua pássaro. Mas ambos, quando se encontram, tornam-se poesia. E assim entendemos que o amor verdadeiro não se resume a convivência ou território. Ele se revela na liberdade de ser quem somos, na generosidade de permitir que o outro também seja inteiro. Alguns amores não foram feitos para habitar a mesma casa, mas para transformar encontros em eternidade.

Talvez o maior milagre do amor seja esse: amar sem possuir, encontrar sem aprisionar e partir sem perder. Afinal, o amor mais puro é aquele que, mesmo à distância, continua florescendo no coração.
Talvez esta seja uma visão utópica sobre o amor, pela nossa evolução ainda rudimentar.
Talvez no processo evolutivo em que ainda nos encontramos, a viabilidade seja ainda mais importante para um relacionamento dar certo.
As similaridades em gostos, em valores, princípios, propósito de vida é que tornam um relacionamento mais viável, menos trabalhoso.
Penso que os opostos não se atraem, se atrasam…

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