Muitas vezes, o que chega até nós, passou por vários filtros: inveja, frustração, carência, necessidade de distorcer as coisas para sustentar a própria narrativa.
As pessoas não contam fatos, na maioria das vezes. Elas contam versões editadas pelas próprias emoções. Versões das próprias “lembranças”.
Um fato é o que aconteceu. Se 5 pessoas presenciarem um fato, qual a probabilidade de elas contarem sobre o que aconteceu, da mesma forma? A chance de isso acontecer é quase nula. A não ser que elas tenham conversado entre si, o que pode gerar uma mistura entre as narrativas, convergindo para versões parecidas.

A nossa memória não funciona como uma câmera de vídeo. Ela registra o que é relevante para nós, de acordo com as nossas próprias experiências. São os nossos filtros que determinam o que vamos gravar sobre uma situação. Aliás, é muito fácil “plantar algo” na mente de uma pessoa, manipular. E posteriormente ela vai achar que aquilo realmente aconteceu. Cada pessoa vai falar sobre algo de acordo com as próprias crenças, padrões, experiências, dores, traumas.
Uma pessoa pode omitir parte de um acontecimento para se fazer de vítima. Outra pessoa pode acrescentar coisas numa narrativa para se valorizar, se fazer importante ou até mesmo para agravar uma situação. Ou pode inventar dores para justificar os próprios erros. Há também os que queiram destruir a imagem dos outros porque não suportam a própria insignificância diante da verdade.

Às vezes, não querer enxergar o que está diante dos nossos olhos, pode parecer que nos protege, evitando algum tipo de choque ou dor. Mas quando a verdade aflora, a dor de ter permanecido tanto tempo se enganando pode ser ainda mais acentuada. Por isso, acreditar em tudo que escuta não é sinal de maturidade ou sabedoria. Pode ser imaturidade ou apenas ignorância.
Precisamos aprender a observar.

Imagem de Couleur por Pixabay

Observar quem está falando. Observar sobre o que está falando. Observar porque está falando. Observar com quem está falando. E, principalmente, de quem está falando. Porque quem fala demais dos outros revela muito mais sobre si, do que sobre a pessoa que está tentando expor. Vivemos em uma era em que a manipulação emocional/mental virou uma habilidade social para controlar percepções.
Somos manipulados o tempo todo. E muitas pessoas caem nisso porque preferem histórias confortáveis à verdade desconfortável.

Nem toda pessoa calma é inocente. Nem toda pessoa intensa é culpada. Nem todo silêncio é fraqueza. Nem toda acusação tem fundamento na verdade.
Quem tem consciência aprende a não julgar baseado em fragmentos, recortes. Aprende a ler as incoerências nas entrelinhas dos discursos, as intenções e, principalmente o que não é dito, mas que o comportamento revela.
A verdade não precisa fazer esforço para convencer. Ela apenas permanece. Ela apenas é.
Já a mentira precisa ser constantemente alimentada, repetida e defendida. Observem. Prestem atenção.
O tempo sempre desmonta as inverdades que a pressa insistiu em acreditar.

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