Palavras são fáceis. Elas se moldam ao que o outro deseja ouvir, se ajustam ao momento, performam intenção sem necessariamente carregá-la. Há pessoas que falam como quem constrói pontes… mas agem como quem nunca teve a intenção de atravessar.
É como uma embalagem bonita de presente, mas que envolve algo não tão interessante como imaginávamos. A verdade não está no que é dito com eloquência, mas no que é sustentado pelas atitudes. Porque ação exige presença, escolha e, sobretudo, prioridade. E prioridade não se declara — se demonstra.

Quando alguém diz que se importa, mas não encontra tempo, não oferece cuidado, não se faz disponível… não é falta de oportunidade. É falta de lugar.
Aquela desculpa insustentável de que a pessoa não teve tempo, não cola. Uma mensagem curta, para ser digitada, não leva 10 segundos. 10 segundos não são 10 minutos e, muito menos 10 horas? O que são 10 segundos na vida de uma pessoa?

Na vida da pessoa que não está interessada realmente em você, é muito. Você não ocupa um espaço real na vida dessa pessoa, apenas um espaço conveniente. É duro aceitar isso, porque palavras bonitas alimentam esperança. Elas criam uma ilusão confortável de vínculo, de importância, de possibilidade. Mas viver de ilusão tem um preço alto: você começa a negociar a própria lucidez para manter algo que nunca foi concreto.
Existe uma diferença brutal entre quem gosta de você… e quem escolhe você. Gostar pode ser leve, momentâneo, até egoísta.  Gosta de passar alguns momentos juntos, de jogar conversa fora. Escolher envolve responsabilidade, constância, posicionamento. Escolher alguém é agir de acordo com o que se sente, mesmo quando não é conveniente.

Quem te quer, se move. Quem te valoriza, demonstra. Quem te prioriza, organiza a própria vida de forma que você caiba nela. O resto… é discurso.
E talvez a pergunta mais honesta não seja “o que essa pessoa diz sobre mim?”, mas sim: o que as atitudes dela me obrigam a sentir sobre mim mesma? Porque aceitar migalhas bem embaladas em palavras bonitas não fala sobre o outro. Fala sobre o quanto você ainda tolera ser pouco (ou quase nada) na vida de alguém. Pare de escutar promessas como se fossem provas. Você não é um pombo para viver de migalhas! Observe padrões.
A verdade de alguém não está no que ela te promete, está no que ela repete. No fim, o amor verdadeiro não se prova no que encanta os ouvidos, mas no que sustenta o coração em silêncio.

Imagem-de-Luisella-Planeta-LOVE-PEACE-por-Pixabay

Quem te diz muito, mas te entrega pouco, não está confuso. Está apenas te mostrando, com delicadeza cruel, que você nunca foi escolha, apenas opção. É como se você fosse um brinquedo guardado no armário, esperando a sua vez de ser escolhido para brincar.
Amar é verbo e verbo, é ação. Aqui não estou fazendo essa colocação de forma gramatical. É apenas reflexão que pode ser transformadora na forma como encaramos as relações humanas.

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