Franciscologia

Paz e Bem, meu amigo e irmão, vamos falar sobre o bem-aventurado Francisco.

Segunda Vida, de Tomás de Celano.

Exemplo do santo contra a familiaridade exagerada.

Dirigia, entretanto, palavras admiráveis, embora breves, àquelas em quem a devoção tinha feito a morada da sabedoria. Quando conversava com uma mulher falava o que tinha a dizer em voz alta, para poder ser ouvido por todos. Uma vez disse a seu companheiro: “Confesso-te a verdade, meu caro, não reconheceria nenhuma pelo rosto, a não ser duas. Conheço a fisionomia desta e daquela, de mais nenhuma”. Ótimo, pai, porque o rosto delas não santifica ninguém! Ótimo, porque o lucro é nenhum, mas o prejuízo, mesmo de tempo, é enorme! Elas só servem de estorvo aos que querem seguir o caminho árduo da santidade e contemplar a face radiante de beleza. Verberava os que não tinham olhos castos com este enigma: “Um rei poderoso enviou à rainha, um após outro, dois mensageiros.

O primeiro voltou e fez seu relatório com as palavras indispensáveis, porque era sábio e tinha segurado os olhos em sua cabeça, sem saltar para qualquer outra coisa. Voltou também o outro e, depois de fazer breve relatório, teceu um longo elogio à beleza da senhora: ‘Na verdade, senhor, vi que é uma mulher belíssima. Feliz de quem pode aproveitar’. O rei respondeu: ‘Servo mau, puseste os teus olhos impuros em minha esposa? É claro que querias comprar o que sorrateiramente estiveste apreciando’. Mandou chamar o primeiro e disse: ‘Que achaste da rainha?’ Ele respondeu: ‘O melhor possível, porque ouviu em silêncio e respondeu com inteligência’ – ‘E não é bonita?’ – ‘Isso sois vós que deveis olhar, senhor. Minha obrigação era levar o recado’.

Então o rei sentenciou: ‘Tu, que és casto de olhos, continuarás a meu serviço, e serás ainda mais casto no corpo! Mas esse outro seja posto para fora, para que não me venha a desonrar o leito!’“ Acrescentava o bem-aventurado pai: “Quem é muito seguro não toma cuidado com o inimigo. E o diabo, consegue se apoderar de um fio de cabelo, logo o faz crescer como uma trave. E mesmo que fique muitos anos sem poder derrubar aquele a quem está tentando, não se importa de esperar, contanto que acabe caindo em suas mãos. Esse é o seu trabalho, e ele não pensa noutra coisa, dia e noite”. Numa ocasião em que São Francisco ia a Bevagna, não conseguiu chegar à cidade porque estava muito fraco de tanto jejuar. O companheiro mandou um recado para uma senhora piedoso, pedindo humildemente pão e vinho para o santo.

Quando ela ouviu, foi correndo ao encontro do santo, acompanhada por uma filha, virgem consagrada a Deus, e levou o que era preciso. Depois que o santo se refez e se sentiu um pouco mais forte, alimentou com a palavra de Deus por sua vez mãe e filha. E durante a pregação não olhou para o rosto de nenhuma das duas. Quando elas foram embora, o companheiro disse: “Irmão, por que não olhaste para essa moça santa, que veio a ti com tanta devoção?” E o pai respondeu. …

 

Para louvor de Nosso Senhor Jesus Cristo Amém. (Continua na próxima edição – Programa

Francisco Instrumento da Paz). Paz e Bem.

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