Paz e Bem, meu amigo e irmão, vamos falar sobre o bem-aventurado Francisco.
Segunda Vida, de Tomás de Celano.
Sobre os frades espanhóis.
“Porque Deus instrui com os sofrimentos dos castigos e das doenças aqueles que ELE predestinou para a vida eterna, como ele mesmo disse: ‘Eu corrijo e castigo aqueles a quem amo”. Uma vez levou para a vinha um doente que sabia estar com vontade de chupar uvas. Sentando-se embaixo da parreira, começou ele mesmo a comer, para dar coragem ao outro. Mas tinha maior clemência e suportava com mais paciência os doentes que sabia serem como meninos atirados dum lado para outro, agitados pelas tentações e enfraquecidos no espírito. Por isso evitava as correções ásperas e, onde não via perigo, poupava a vara para poupar a alma.
Dizia que era próprio do prelado, que é um pai e não um tirano, evitar as ocasiões de erros e não permitir que viesse a cair aquele que, caído, teria dificuldade para se levantar. Aí da miserável maldade de nosso tempo! Não só deixamos de levantar ou de segurar os que estão fracos mas, às vezes, até os empurramos para caírem. Não nos importamos de tirar do pastor supremo uma ovelhinha pela qual deu um grito forte entre lágrimas na cruz. Tu eras diferente, pai santo, que preferias corrigir e não perder os que erravam. Mas sabemos que, em alguns, as doenças da vontade própria estão profundamente arraigadas e precisam de fogo e não de pomadas.
É claro que para muitos é mais saudável quebrar com uma verga de ferro que acariciar com as mãos. Mas o óleo e o vinho, a vara e o cajado, o zelo e a piedade, a queimadura e a unção, o cárcere e o colo, tudo tem seu tempo. O Deus das vinganças e Pai das misericórdias quer tudo isso, mas deseja mais a misericórdia que o sacrifício. Às vezes, este homem santíssimo arrebatava a mente para Deus e se rejubilava no espírito quando o bom odor de seus filhos chegava até ele. Aconteceu que um espanhol, clérigo devotado a Deus, teve uma vez a alegria de fazer uma visita e de conversar com São Francisco. O qual, entre outras coisa sobre os frades que estavam na Espanha, alegrou o santo com este relato:
“Em nossa terra, os teus frades moram em um eremitério pobrezinho e organizaram a vida de maneira que metade deles cuida dos trabalhos domésticos e metade se entrega à contemplação. “Desse modo, cada semana os que estavam na atividade passam para a contemplação, e os contemplativos substituem o recolhimento pelos trabalhos”. “Certo dia, posta a mesa e dado o sinal para chamar os ausentes, compareceram todos menos um, que era dos contemplativos. Depois de esperar um pouquinho, foram à sua cela chamá-lo para comer, apesar de estar sendo servido pelo Senhor numa mesa muito mais rica”. “Encontraram-no prostrado no chão sobre o rosto, estendido em forma de cruz, sem demonstrar que estava vivo por movimento nenhum, nem respiração. Duas velas ardiam a seus pés e junto da cabeça, iluminando admiravelmente a cela”. …
Para louvor de Nosso Senhor Jesus Cristo Amém. (Continua na próxima edição – Programa
Francisco Instrumento da Paz). Paz e Bem.


