Membros da comunidade japonesa da Associação Cultural Nipo-brasileira de Cambará (ACNBC), bem como convidados, ex-alunos, ex-professores e seus descendentes de várias localidades do Paraná e de outros estados, revisitaram suas raízes ao celebrarem os “100 Anos do Kaikan”. O evento festivo, realizado de 27 a 29 de março, não se referiu apenas à estrutura física do clube (kaikan), mas sim ao centenário da fundação do “kishukusha” (internato japonês), instituição que funcionou como pilar na formação educacional e de caráter dos filhos de imigrantes na região.

Naquela época, Cambará consolidou-se como a principal porta de entrada para o Norte do Paraná. Os pioneiros, que se dedicaram arduamente à cafeicultura, enfrentaram o desafio da limitação educacional, já que as crianças da área rural raramente ultrapassavam o terceiro ano do curso primário. Diante da necessidade de garantir um futuro melhor aos filhos, esses imigrantes uniram forças e, com o apoio do governo japonês, ergueram o primeiro Kishukusha. O local funcionou como um internato, oferecendo alojamento, alimentação e suporte para estudantes de ambos os sexos. A estrutura não atendeu apenas o município, mas acolheu jovens de todas as cidades do entorno, permitindo que filhos de agricultores alçassem “voos mais ousados”. Por aqueles corredores, passaram personagens que, anos mais tarde, escreveram capítulos importantes da própria história e de seus descendentes.
KAIKAN E KISHUKUSHA – Enquanto o kaikan permaneceu como um espaço para eventos sociais, o kishukusha foi, de fato, a alma intelectual da colônia. Para muitos dos presentes no evento, esses ex-alunos relataram que o internato significou mais que uma escola; foi um ‘divisor de águas’ para a vida. Sob a tutela de mestres dedicados como os senseis (professores) Ozeki, Otsuki, Irie e Maeda, as crianças não apenas buscavam o bilinguismo através do ensino do nihongo (língua japonesa), mas aprendiam valores fundamentais de trabalho em grupo, divisão de espaços e diversidade.
Relatos emocionados de ex-internos destacaram que, sem a estrutura do kishukusha, muitos teriam interrompido os estudos sem completar o primário. O rigor e o cuidado dos professores eram complementados pelo trabalho essencial de suas esposas, que cozinhavam e zelavam pelas crianças residentes, garantindo um ambiente de acolhimento e disciplina.

TRADIÇÃO E FÉ – As comemorações tiveram início com uma Santa Missa na Paróquia Nossa Senhora das Graças, presidida pelo Monsenhor Hélio Sakamoto e pelo Padre Emanuel, contando com a presença de lideranças da Pastoral Nipo-Brasileira. A sequência festiva foi a realização de confraternização no Sítio de Milton Goya, onde os convidados foram recepcionados para um lanche e momentos recordação e de memória.







Estudei a língua Japonesa por 4 anos na Escola Japonesa de Cambará (Kishukusha). O aprendizado da língua Japonesa com o Professor MAEDA SENSEI foi muito importante na minha vida profissional, pois fui assessor técnico junto aos diretores de três grandes empresas Japonesas aqui no Brasil, Mitsubishi, Sharp e Toshiba.
Agradecimentos eternos aos meus PAIS por tudo que fizeram para que eu pudesse ter a oportunidade de estudar a LÍNGUA JAPONESA.